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Volkswagen cortará custos para investir € 11 bi e preservar lucro
Em reunião com a imprensa na sede do Grupo Volkswagen em Wolfsburg, Ralf Brandstätter apresenta resultados globais e fala em cortar custos para garantir investimentos

Indústria | 07/12/2018 | 22h06

Volkswagen cortará custos para investir € 11 bi e preservar lucro

Companhia prevê reduzir € 3 bi em gastos até 2020 e aumentar produtividade das fábricas em 30%

REDAÇÃO AB

Em reunião de fim de ano com a imprensa esta semana na sede do grupo em Wolfsburg, na Alemanha, executivos da Volkswagen confirmaram que a fabricante irá fazer investimentos de € 11 bilhões de 2019 a 2023, principalmente em eletromobilidade e plantas para fabricar os novos modelos elétricos. Mas, para executar o plano sem comprometer sua meta de margem mínima de 6% de retorno sobre faturamento, vai adotar uma agenda de corte de custos estimada em € 3 bilhões até 2020 e elevar, na média, 30% a produtividade de suas fábricas. Em resumo, o objetivo é melhorar o desempenho financeiro para financiar os aportes em tecnologias e novos recursos.

Entre as medidas anunciadas, está a simplificação do portfólio de modelos de veículos da marca e a redução do número de variantes, com foco em aumentar o compartilhamento da plataforma modular MQB, que atualmente é base construtiva para 60% dos carros do Grupo Volkswagen e deve aumentar esse porcentual para 80% nos próximos anos, com a produção estimada de 50 milhões de veículos, que vão se somar a outros 50 milhões já fabricados sobre a MQB. A ideia é comunizar o maior número possível de componentes, reduzir a complexidade de produção, aumentar ganhos de escala e reduzir custos. Na Europa, 25% das variações de motor-câmbio hoje oferecidas com baixa demanda vão sair de linha. Os processos administrativos, segundo a companhia, serão “mais enxutos”.

“Precisamos forçar o ritmo de nossa transformação para nos tornarmos mais ágeis e eficientes. É mandatório seguir com melhorias substanciais. O que já conquistamos até aqui continua não sendo suficiente”, diagnosticou Ralf Brandstätter, chefe de operações (COO) e membro do board da Volkswagen responsável por compras.



Brasdstätter destacou que será preciso uma espécie de pacto pela eficiência para fazer frente aos investimentos de € 11 bilhões até 2023 que a fabricante pretende fazer em eletromobilidade, direção autônoma, digitalização e serviços de mobilidade. Desse total, € 9 bilhões serão gastos integralmente na ofensiva de eletrificação da Volkswagen, que prevê a aceleração do plano inicial de lançamento de elétricos sobre a nova plataforma modular elétrica MEB.

A marca alemã aumentou de 10 milhões para 15 milhões sua estimativa de produção de veículos sobre a MEB em uma “primeira onda”. Existem atualmente dois carros 100% elétricos programados para lançamento até o fim de 2019, mas este número deverá crescer para 20 até 2025, quando a Volkswagen pretende vender 1 milhão de unidades desses modelos por ano.

Na Alemanha, a planta de Zwickau entrou na fase final de conversão para dedicar 100% de sua produção a elétricos a partir do fim de 2019, quando serão lançados comercialmente os primeiros modelos da família ID ali produzidos – a começar pelo compacto que já vem sendo chamado de “Fusca da eletromobilidade”. Fábricas em Emden e Hannover também serão convertidas até 2022. Estes serão os três maiores centros de fabricação de elétricos da Europa. Mas a ofensiva também acontecerá fora do continente europeu. Na China, as plantas de Anting e Foshan começam a produzir elétricos em 2020. Em breve a companhia também pretende decidir locações para fazer carros a bateria na América do Norte.

FORNECEDORES MAIS ENVOLVIDOS



Faltando menos de um ano para o início da produção dos primeiros ID em Zwickau, a Volkswagen reuniu esta semana em sua sede na Alemanha os presidentes de 30 fornecedores da plataforma elétrica MEB, já em preparação para sustentar a primeira linha de modelos elétricos da marca, que chegarão ao mercado com alto grau de digitalização e conectados em nuvem. A Volkswagen Automotive Cloud está sendo desenvolvida com parceiros. A ideia, segundo a fabricante, é explorar as novas possibilidade que surgem de oferta de serviços e criar o que chama de “criar o maior ecossistema automotivo do mundo”.

“A Volkswagen está consistentemente forjando sua ofensiva elétrica à frente. Isso também inclui a cooperação com parceiros fortes. O novo ID irá oferecer tecnologias e ideias das mais inovadoras companhias dessa indústria”, afirmou Brandstätter. “Entramos agora em uma fase decisiva. Em cerca de 12 meses o novo ID irá definir uma nova era para a Volkswagen, comparável em importância ao primeiro Fusca e ao primeiro Golf. Estamos preparando esse acontecimento muito cuidadosamente com os nossos parceiros”, acrescentou Thomas Ulbrich, membro do board responsável por eletromobilidade.

A fabricante afirma ter envolvido os principais fornecedores no desenvolvimento da família de elétricos ID, que desde 2016 já apresentou protótipos de um compacto (espécie de novo Fusca), o ID Buzz como versão elétrica de uma nova Kombi para passageiros e carga, o SUV ID Crozz e o carro de competição ID Pikes Peak, que para fazer marketing da nova geração de carros da marca quebrou o recorde de velocidade na subida de serra de mesmo nome na Califórnia, Estados Unidos.

“Redefinimos a cooperação com os fornecedores. Dizemos o que precisamos e eles nos dizem rapidamente como podem produzir com a melhor qualidade e eficiência possível. Isso significa que podemos incorporar de forma muito rápida as melhores inovações ao carro. Os clientes se beneficiam diretamente com esse novo tipo de parceria”, destaca Brandstätter.

Os fornecedores parecem gostar do novo modelo de relacionamento. “Para o ID, estamos buscando habilidades nas áreas de redes e eletrificação para trabalhar juntas. Para nós, esse modelo de cooperação mostra como podemos ser bem-sucedidos em moldar juntos o futuro da mobilidade no contexto de transformações complexas”, avalia Elmar Degenhart, CEO da Continental.



Tags: Volkswagen, VW, planejamento estratégico, investimento, corte de custos, lucros, margem.

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