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Opinião | Paulo Braga |

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Paulo Braga

13/04/2021

Renovação de frota esbarra na inspeção veicular e reciclagem

Confira os efeitos do envelhecimento da frota circulante e o novo projeto de rejuvenescimento da frota de veículos comerciais


A idade média da frota brasileira atingiu 10 anos em 2020

Com o envelhecimento da frota circulante no País, detectado em recente estudo do Sindipeças, a entidade dos fabricantes de autopeças, mais uma vez levantam-se debates visando a um programa de incentivo à renovação da frota, com o descarte dos veículos mais antigos.

Em evento sobre planejamento automotivo promovido por Automotive Business em 3 de março, Margarete Gandini, que comanda a Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, disse que chegou a hora de estimular essa renovação e anunciou que o programa deve começar com o segmento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. As bases dessa iniciativa, na forma de um projeto piloto, estão sendo avaliadas junto a entidades do setor automotivo e seriam lançadas no fim do ano e, de início, abrangeriam caminhões com mais de 30 anos.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que se dá como certa uma iniciativa do gênero para a modernização e redução da idade média dos veículos no Brasil. O tema da renovação de frota está em pauta há quase 20 anos e gerou apenas iniciativas isoladas. “A frota envelhecida traz uma série de efeitos negativos, como aumento no número de acidentes, maior consumo de combustível, poluição ambiental e transtornos no trânsito”, comenta Paulo Cardamone, diretor da Bright Consulting.

Ele enfatiza que um programa de renovação de frota deve necessariamente começar por iniciativas como inspeção veicular e reciclagem. Já existe lei que disciplina essas providências. “A lei 9.503, de 1997, institui a inspeção veicular e precisa apenas de ajustes e determinação para ser eficaz”, relata. Mas Cardamone adverte que é preciso regulamentar também alguns aspectos da política nacional de resíduos sólidos para abranger o desmonte e destinação de veículos e componentes automotivos.

O diretor da Bright espera que desta vez o projeto piloto de renovação de frota funcione como plataforma para um programa de maior alcance. A dificuldade principal é a destinação de recursos para financiar a troca de veículos antigos por outros mais novos. Um dos obstáculos é que os caminhões têm um preço residual importante, mesmo depois de muitos anos de uso.

ENVELHECIMENTO



A idade média da frota de veículos circulante no País atingiu 10 anos em 2020, enquanto a de motocicletas aumentou para 8 anos e 4 meses. Em um período de oito anos, de 2013 a 2020, o envelhecimento da frota em circulação elevou-se em 1 ano e 7 meses. O rejuvenescimento dessa frota dependerá diretamente do desempenho no licenciamento de veículos novos, do sucateamento de veículos antigos ou danificados e de um possível programa de reciclagem veicular. Essas são algumas das conclusões do Relatório Anual da Frota Circulante editado pelo Sindipeças.

Dados da Anfavea revelam que o licenciamento total de veículos avançou 26,2% em 2020. Assim, a frota brasileira cresceu menos de 1,0% em comparação com o ano anterior. Levando-se em consideração a taxa de sucateamento aplicada pelo Sindipeças, contabilizaram-se 46,2 milhões de unidades em circulação, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra 45,9 milhões em 2019. A frota de motocicletas prosseguiu em trajetória de queda presente desde 2016 – foram registradas 12,9 milhões de unidades em circulação, representando retração de 1,7%.

IDADE DA FROTA



A frota em circulação no Brasil compreendia pouco mais de 46,0 milhões de veículos em 2020. Desse montante, 24% apresentavam idade média de até 5 anos, representando cerca de 11,2 milhões de veículos. Outros 58% - com contingente de 26,8 milhões –, entre 6 e 15 anos. Por fim, 18% com idade média acima de 16 anos.

A frota de veículos está concentrada em cinco estados, com 29,6% em São Paulo, 12,9% em Minas Gerais, 7,6% no Paraná, 7,3% no Rio de Janeiro e 6,6% no Rio Grande do Sul. Os cinco estados representavam 64% de todos os autoveículos em circulação no País em 2020. De acordo com a Bright, Palio, Uno e Gol representam 33% da frota atual.

Do total da frota circulante de 46,2 milhões de veículos, os importados corresponderam a 14,3% em 2020 com a participação retornando aos níveis de 2012. Em relação a 2019, houve retração de 0,2% na frota de importados, explicada principalmente pela desvalorização da taxa de câmbio, que superou 20% no ano passado. Esse fator contribuiu para a diminuição de 29,0% nos licenciamentos de importados, totalizando 211,7 mil veículos, segundo dados da Anfavea.

O relatório do Sindipeças indica que em 2020 os veículos flex representaram 71,4% da frota circulante no País e os veículos a gasolina, 17,4%. A participação dos veículos a diesel se manteve estável, próxima a 11%. No caso dos veículos híbridos e elétricos registraram-se 37,5 mil unidades em 2020, com participação de 0,1% em relação à frota total.

De um modo geral, durante a pandemia a manutenção da frota mais antiga enfrenta dificuldade nas oficinas quando é preciso encontrar componentes para reposição, especialmente quando se trata de peças cativas, fornecidas apenas pelas montadoras. “As oficinas não fecharam as portas, mas enfrentam altos e baixos ao buscar peças, em razão da pandemia”, explica Luis Sérgio Alvarenga, diretor da empresa Projetos Automotivos. A principal alternativa das oficinas quando não conseguem fazer encomendas na rede de distribuição das montadoras é pesquisar fontes de suprimentos na Internet.

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