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Opinião | Jeannette Galbinski |

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Jeannette Galbinski

03/08/2012

A bicicleta no currículo da engenharia mecânica

Alunos da Universidade Federal de Pernambuco poderão estudar o meio de transporte

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) oferecerá aos alunos de graduação em Engenharia Mecânica, a partir do segundo semestre de 2012, a matéria eletiva de Estudos da Bicicleta. Este módulo fugirá de certa forma das ciências exatas, uma vez que englobará também a questão social e histórica por trás deste meio de transporte cada vez mais utilizado.

O módulo será dividido em três áreas: história da tecnologia, ciências do ciclismo, e cultura e mercado e política. A proposta é justamente aliar a prática da linha de montagem e a engenharia do produto a soluções relacionadas ao tráfego.

Historicamente, a bicicleta era utilizada apenas por pessoas abastadas que queriam demonstrar status. Com o surgimento do carro e motos, esta realidade foi rapidamente alterada e hoje possuímos estradas e ruas feitas estritamente para estes veículos.

Hoje a bicicleta é considerada por alguns estudiosos como alternativa ao trânsito caótico e desenfreado dos grandes centros, situação facilmente encontrada em São Paulo, por exemplo, em horários de pico. Segundo o Departamento de Mobilidade Urbana da Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana, são contabilizadas cerca de 40 mil mortes no trânsito por ano em nosso país, um crescimento de 41,4% desde 2000. Estes especialistas acreditam que a bicicleta é uma alternativa eficaz para humanizar o trânsito.

De acordo com a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a bicicleta é responsável por 7.4% dos deslocamentos urbanos, com 250 mil viagens diárias para 50 milhões de bicicletas no total. Vale ressaltar que este número equivale, praticamente, ao dobro do número de automóveis.

A bicicleta pode, de fato, auxiliar a diminuir estes números. Porém, são necessários ajustes na infraestrutura urbana e na legislação, bem como no modo em que os ciclistas são vistos na sociedade. Há também barreiras naturais à utilização da bicicleta diariamente, como a distância do trecho a ser percorrido que normalmente é grande e a falta de infraestrutura e políticas específicas.

Para mudar essa realidade, inserir a bicicleta no curso de engenharia mecânica a colocará na pauta de soluções para a mobilidade nas cidades e possibilitará ao engenheiro entender as condições de elaborar e desenvolver um novo produto, de acordo com as condições histórias e sociais envolvidas.

Assim, o novo módulo oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco é um ótimo começo, uma vez que engloba questões sociais e históricas e poderá justificar a necessidade de ciclo faixas, campanhas para aumento de segurança no trânsito, produção cultural que valorize a identidade do ciclista e uma organização política que lute por seus direitos.

Comentários

  • Geraldo Eugenio

    Excelente materia. Nao ha como se discutir mobilidade, rapidez, conforto, forma fiisica, sem que se incentive o uso da bicicleta. Coincidentemente encontro-me nos Estados Unidos e, com um filho que concluiu o curso de Engenharia Mecanica na UFPE. Um dos nossos passatempos nos ultimos dias tem sido o de como entender da demanda e da manutencao de bicicletas. Da substituicao de uma simples camara de ar, ao ajuste das rodas e dos freios. Uma engenharia refinada comeca pelo mais simples.

  • Denivaldo Souza da Silva

    Bom dia, Quando este curriculum estará em outras universidades de outras regiões? ou somente em Pernambuco terá esta grade?

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