
A relação da Marelli com o etanol acompanha parte importante da evolução tecnológica do setor automotivo brasileiro. A companhia participou do desenvolvimento da tecnologia flex no Brasil e agora volta a colocar a engenharia brasileira no centro de um projeto ligado ao combustível renovável.
O protagonista desta vez é o sensor de etanol, tecnologia desenvolvida e fabricada integralmente no Brasil e finalista do Prêmio Automotive Business 2026, na categoria Tecnologia Disruptiva.
O projeto faz parte da estratégia da Marelli de combinar conhecimento tecnológico global com engenharia, desenvolvimento e produção locais para atender às demandas das montadoras instaladas no Brasil.
A companhia está presente no Brasil desde 1978 e mantém em Hortolândia, no interior de São Paulo, uma de suas principais operações voltadas às tecnologias de propulsão.
Sensor identifica concentração de etanol no combustível
O sensor desenvolvido pela Marelli identifica a porcentagem de etanol presente no combustível e envia essa informação ao sistema de gerenciamento eletrônico do veículo.
Segundo a companhia, essa leitura permite que o sistema prepare o motor de acordo com a composição do combustível, buscando maior eficiência e menor impacto ambiental.
A tecnologia também responde às novas exigências regulatórias do setor. De acordo com a Marelli, o desenvolvimento atende aos requisitos do Proconve L8, em vigor desde janeiro de 2025, e está alinhado a programas como Rota 2030 e Mover.
A linha de produção do sensor foi instalada na fábrica de Hortolândia, onde a Marelli atua desde 1996. A infraestrutura foi projetada por engenheiros brasileiros e o projeto também envolveu fornecedores locais, ampliando a participação da cadeia produtiva nacional.
Do SFS ao novo sensor de etanol
Hortolândia também ocupa um lugar importante na história da tecnologia flex da Marelli.
Foi na unidade que engenheiros da companhia desenvolveram o Software Flexfuel Sensor, o SFS, tecnologia criada para permitir que o motor operasse com gasolina, etanol ou qualquer proporção entre os dois combustíveis sem a necessidade de um sensor físico dedicado à leitura da mistura.
As pesquisas começaram em 1997. Em vez de medir diretamente a composição do combustível, o SFS utilizava informações da combustão, especialmente a leitura da sonda lambda no sistema de escape, para que a central eletrônica identificasse a mistura e ajustasse o funcionamento do motor.
A tecnologia chegou ao mercado em 2003 no Volkswagen Gol Total Flex, primeiro automóvel flex produzido comercialmente no Brasil.
Depois do SFS, a empresa avançou também em outras soluções ligadas ao uso do etanol, como o ECS, desenvolvido para otimizar a partida a frio com o combustível.
O novo sensor acrescenta a esse conjunto uma leitura direta da concentração de etanol, informação que pode ser utilizada pelo gerenciamento eletrônico para ajustar o funcionamento do motor com maior precisão.
Engenharia brasileira ganha espaço em novos projetos
A produção do sensor de etanol faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento tecnológico no Brasil.
Um exemplo recente está na própria divisão Propulsion. A fábrica de Hortolândia também recebeu uma linha para produção de injetores GDI, usados em sistemas de injeção direta.
O projeto envolveu transferência de tecnologia, participação de equipes de diferentes países e instalação da nova estrutura produtiva no Brasil. Segundo a companhia, a produção de injetores GDI no país, a primeira do tipo no Brasil, teve início no fim de 2025.
A iniciativa amplia o portfólio da fábrica de Hortolândia e acrescenta uma nova tecnologia à operação brasileira da divisão de propulsão.
Os projetos seguem uma mesma lógica: aproveitar competências e tecnologias disponíveis globalmente e ampliar a capacidade brasileira de engenharia, adaptação e industrialização próxima às montadoras.
Marelli atua em diferentes sistemas do veículo
A atuação da Marelli vai além dos sistemas de propulsão e reúne diferentes áreas de desenvolvimento de componentes e tecnologias automotivas.
Na divisão de Iluminação, a Marelli oferece um portfólio de soluções automotivas, incluindo faróis, lanternas, sistemas eletrônicos de iluminação e tecnologia 360º para todo o veículo. A divisão Eletrônica reúne um portfólio completo de painés de instrumentos (clusters), Displays centrais contendo diversos tamanhos e formatos, módulos BCM e soluções para infotainment. Na divisão de Interiores, a Marelli transforma tecnologia, design e qualidade em experiências que valorizam a personalidade de cada veículo, desenvolvendo consoles, painés de instrumento, peças decorativas pintadas e revestidas, além da montagem de CPM, com foco em precisão, inovação e excelência em cada detalhe.
A divisão Propulsion concentra soluções como o sensor de etanol, sistemas de injeção direta GDI e coletores de ar. A divisão Green Technologies reúne tecnologias em sistemas de exaustão, e está incorporando em seu portfólio na região condensadores e radiadores, e por fim a divisão Ride Dynamics atua com amortecedores e sistemas de suspensão.
Além dessas seis divisões de negócio, a Marelli mantém a área de Motorsport, com tecnologias aplicadas em competições como Fórmula 1, Nascar e outras categorias de duas e quatro rodas.
Esse conjunto de competências permite que a companhia participe de diferentes etapas do desenvolvimento dos veículos e trabalhe com as montadoras na adaptação de tecnologias às características de cada projeto e mercado.
Sensor leva Marelli à final do Prêmio Automotive Business
O desenvolvimento brasileiro do sensor de etanol levou a Marelli à final do Prêmio Automotive Business 2026, na categoria Tecnologia Disruptiva.
O sensor também foi um dos destaques da participação da Marelli no #ABX26, realizado em 1º de outubro, no São Paulo Expo. A companhia contou com um espaço de exposição de 12 m² para apresentação e demonstração de produtos, componentes e tecnologias.
Durante o evento, o Prêmio Automotive Business teve uma rodada especial de votação. Agora, a votação on-line segue aberta até 31 de outubro, antes da cerimônia de premiação, prevista para novembro.
Clique aqui para votar no Prêmio AB 2026.
