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Por que a manufatura eletrônica busca localização e ganha espaço na estratégia da indústria automotiva brasileira

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Redação AB

17 set 2026

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Durante décadas, manter a manufatura de componentes eletrônicos dentro de casa foi uma prática comum na indústria automotiva. Mas esse cenário começa a mudar. Estudo da consultoria global Deloitte, compilado pela plataforma internacional de dados Statista, mostra que os sistemas eletrônicos respondiam por cerca de 35% do custo total de um veículo em 2010 e devem representar 50% até 2030, impulsionados pelo avanço da conectividade, da automação e da eletrificação. 

À medida que a eletrônica ganha espaço no desenvolvimento de novos produtos, cresce também a complexidade da produção. Ao mesmo tempo, programas como o Mover reforçam o incentivo à inovação e ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional. Nesse contexto, empresas especializadas em manufatura eletrônica passam a ocupar um papel cada vez mais estratégico, assumindo parte da produção para que seus clientes concentrem esforços em atividades como desenvolvimento, engenharia de produto e integração de sistemas.

Segundo Marcelo Oliveira, diretor comercial e de marketing da Hi-Mix, essa mudança acompanha a evolução tecnológica dos veículos. “A eletrificação e a conectividade transformaram o veículo em uma plataforma tecnológica complexa.”

Na avaliação do executivo, manter estruturas próprias para fabricar produtos eletrônicos exige investimentos e grande dedicação operacional. Por isso, a manufatura vem sendo direcionada a empresas especializadas, que já dispõem de infraestrutura, processos e conhecimento para atender às exigências do setor.

Engenharia antes da produção

Conhecido como EMS (Electronic Manufacturing Services), esse modelo vai além da fabricação de placas eletrônicas. A proposta é participar da montagem dos produtos, apoiando os clientes desde as primeiras etapas do processo produtivo.

Na Hi-Mix, essa atuação começa antes da entrada do projeto na linha de produção. A empresa trabalha em conjunto com os clientes para avaliar aspectos ligados à manufatura, buscando identificar oportunidades de melhoria, reduzir riscos produtivos e acelerar o lançamento. O escopo inclui desde a montagem de placas eletrônicas até a integração completa de equipamentos no modelo conhecido como box build.

Para Oliveira, esse modelo permite uma divisão mais clara de responsabilidades entre fabricante e parceiro industrial. “O cliente investe tempo e coloca foco no desenvolvimento do mercado e na inovação. A gestão fabril e o supply chain são nossos.”

Além da manufatura, a Hi-Mix atua com Design for Manufacturing (DFM), produção de protótipos, lotes piloto e gestão da cadeia de suprimentos necessária para viabilizar a fabricação dos produtos. A ideia é apoiar o cliente ainda na fase de desenvolvimento, quando ajustes de processo podem reduzir riscos e facilitar o ganho de escala.

Produção nacional ganha espaço

Outro fator que reforça a discussão sobre manufatura eletrônica no Brasil é o Programa Mover. A iniciativa incentiva o desenvolvimento tecnológico, a inovação e o fortalecimento da cadeia automotiva nacional, criando um ambiente favorável para empresas capazes de atender às novas exigências da indústria.

Para a Hi-Mix, esse cenário amplia a importância de parceiros capazes de apoiar montadoras e sistemistas no desenvolvimento e na produção de componentes eletrônicos.

Na avaliação da companhia, produzir no Brasil também reduz parte da complexidade operacional enfrentada pelas empresas, oferecendo maior proximidade entre as equipes, facilidade para auditorias de engenharia, faturamento local e menor exposição a riscos logísticos e geopolíticos associados à importação de componentes.

Engenharia e infraestrutura caminham juntas

Embora ainda exista a percepção de que projetos eletrônicos de maior complexidade precisem ser produzidos fora do País, a Hi-Mix afirma que esse cenário vem mudando à medida que empresas brasileiras ampliam sua capacidade tecnológica.

A companhia destaca como diferenciais a certificação IATF 16949, voltada ao setor automotivo, linhas de montagem SMT de última geração, sistemas avançados de planejamento da produção e rastreabilidade completa de matérias-primas e processos. Segundo a empresa, esses recursos permitem atender projetos de alta complexidade com padrões equivalentes aos exigidos pela indústria automotiva global.

Essa combinação entre engenharia e infraestrutura também já gerou resultados práticos.

Em um projeto recente, a aplicação de conceitos de DFM logo na fase inicial permitiu reduzir em 35% o tempo estimado de ramp-up da produção em um projeto desenvolvido no modelo box build.

O futuro da manufatura eletrônica

Para a Hi-Mix, o avanço da eletrificação, da conectividade, da Internet das Coisas (IoT) e da telemetria deve ampliar a demanda por manufatura eletrônica especializada no Brasil. Nesse cenário, empresas capazes de combinar infraestrutura, engenharia, automação e flexibilidade produtiva tendem a ganhar espaço na cadeia automotiva.

Oliveira acredita que a eletrônica ocupará um papel cada vez mais central no desenvolvimento de novos produtos. “A eletrônica deixou de ser um componente do produto e passou a ser o core.”