AB Diversidade debate comunicação inclusiva sem medo do cancelamento

Evento on-line reuniu empresas automotivas para debater o assunto, fazer análises e conhecer cases de sucesso

Por NATÁLIA SCARABOTTO, AB
  • 12/05/2021 - 19:00
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Como inserir a diversidade na comunicação da empresa? Quando se posicionar publicamente sobre uma causa? E se a empresa for “cancelada” por isso nas redes sociais? Essas são questões muito presentes nas empresas do setor automotivo e que impedem o debate sobre inclusão de chegar mais longe. Por isso, o 1º encontro da Rede AB Diversidade 2021, promovido por Automotive Business em parceria com MHD Consultoria, na quarta-feira, 12, debateu estratégias e cases de como inserir a diversidade de forma assertiva na comunicação, sem medo do cancelamento.

    O evento online contou com a participação de Guilherme Bara, sócio da MAC Diversidade e conselheiro da AB Diversidade; Luciana Campos, gerente de diversidade, empreendedorismo e negócios inclusivos do Itaú Unibanco; e de Tatiane Mesquita, líder Latam de diversidade e inclusão da Renault.

    A principal conclusão do debate foi que as empresas deve refletir em sua comunicação as causas nas quais, de fato, já desenvolve um trabalho sólido, evitando se posicionar sobre um tema apenas pelo buzz nas redes sociais ou comunicar algo que não é genuíno internamente na organização.

    “É muito fácil colocar uma hashtag no post, mas só isso não basta”, disse Bara, ressaltando que o público está atento ao compromisso efetivo das marcas com causas de gênero, etnia, orientação sexual e outras. Ele citou o exemplo das manifestações nas redes sociais por causa da morte de George Floyd, lembrando que muitas empresas fizeram post a respeito e depois foram cobradas justamente por não terem qualquer iniciativa para fomentar a contratação de pessoas negras.

    “Às vezes, o posicionamento externo tenta camuflar uma defasagem interna. O que recomendo é se manifestar apenas quando aquela questão social conversar com a área de atuação e de influência direta da empresa.”



    ITAÚ APOSTA EM DESTACAR VALORES HUMANOS



    A repercussão na internet sobre o Projeto de Lei 504/20, que defendia a proibição da presença de pessoas LGBTQIA+ ou famílias homoafetivas em publicidade no estado de São Paulo, no último mês, foi um desses casos que chamaram as empresas para o debate sobre diversidade. Nesse sentido, o Itaú foi uma das marcas que soube alinhar seu trabalho com o momento da pauta em suas redes sociais.

    “Não fomos a público nos posicionar sobre o projeto de lei, mas sim reforçar que respeitamos qualquer orientação sexual e identidade de gênero, que respeitamos as pessoas como elas são. Nosso posicionamento foi na raiz dos valores humanos”, disse Luciana.



    A empresa aproveitou o momento para fazer uma estratégia casada e reforçar seus valores. No dia seguinte, lançou o “squad da boa influência” com influenciadores LGBTI+ que geraram conteúdo nas redes sociais do banco. “Esse projeto estava pronto, mas antecipamos o lançamento por causa do momento”, completou Campos.

    O CASE DA RENAULT



    Na Renault, o tema de diversidade e inclusão foi inserido aos poucos, começando pela comunicação interna, como a utilização de pronomes neutros nas reuniões e a inserção de ferramentas de acessibilidade para pessoas surdas e cegas. “Começamos com essas mudanças para que as pessoas se sintam incluídas e sintam que as ações estão alinhadas com o que falamos dentro e fora da empresa”, afirmou a executiva Tatiane Mesquita.

    A executiva ressaltou ainda que um dos cases de sucesso recentes foi o programa de estágio Renault com foco em diversidade e inclusão. A empresa buscou garantir que todos os candidatos se sentissem representados nos materiais de divulgação, inserindo mulheres e pessoas negras.

    Também foi utilizada ferramenta de tradução de Libras para que todos os candidatos tivessem oportunidades iguais para mostrar suas competências. “Envolvemos os nossos grupos de diversidade e inclusão na construção de todas as etapas”, disse a executiva.