Abraciclo projeta crescimento tímido de 10% na produção de motos em 2021

Linha de montagem da Honda em Manaus: nova paralisação do maior fabricante afeta desempenho do setor

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 27/01/2021 - 18:00
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 4 minutos de leitura

    Após um ano de muitas restrições causadas pela pandemia de coronavírus, que inviabilizaram o atendimento integral da demanda por motos em todo o País e ainda geram filas de espera, a produção de motos no Polo Industrial de Manaus (PIM) voltou este mês a enfrentar os efeitos do alastramento descontrolado da Covid-19 no Amazonas, com suspensão das atividades na maior fábrica, a Honda (leia aqui), e trabalho reduzido a um turno nas demais. O cenário adverso fez a Abraciclo, que reúne os fabricantes do setor de duas rodas, reduzir suas expectativas em relação a 2021. A entidade divulgou na quarta-feira, 27, os resultado finais de 2020 e projeções de crescimento tímido para o setor este ano.

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    A entidade projeta que a produção no PIM deverá superar por margem estreita a marca de 1 milhão de motos, chegando a 1,06 milhão, atingindo assim expansão de apenas 10,2% em comparação com as 961.986 unidades produzidas em 2020 – que representaram queda de 13,2% sobre 2019. O volume também ficou 7,2% abaixo de 2018, mas ficou acima de 2016 e 2017, quando as fábricas de Manaus produziram menos de 900 mil motocicletas em cada ano.

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    Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, lembra que os fabricantes estavam recuperando o ritmo e esperavam produzir pouco mais 1,1 milhão de motos em 2020, mas tiveram um ano de apenas dez meses, com a paralisação quase completa da produção no PIM em abril e maio. Sem essa interrupção, 2020 teria sido quase igual a 2019, quando foram fabricadas quase 1,11 milhão de unidades. Nos sete meses que se seguiram a partir de junho com o retorno ao trabalho sob restrições nas fábricas em Manaus, em cinco o total de motos fabricadas ficou acima do registrado nos mesmos meses do ano anterior, e em setembro e novembro a diferença a menor foi pequena.

    “Toda a queda de produção em 2020 foi motivada pelas paralisações em abril e maio. Se as fábricas tivessem funcionado nesses meses, o ano teria sido igual a 2019, mas a pandemia não permitiu. Agora a nova onda da Covid impõe dificuldades adicionais para 2021”, avalia Marcos Fermanian.



    O presidente da Abraciclo aponta que as novas paralisações ou redução no ritmo de produção já causam retração nas fábricas do PIM. “Este mês esperávamos produzir cerca de 100 mil motos, mas com as novas restrições janeiro deve fechar com metade disso, cerca de 50 mil”, observa. Ele acrescenta que toda a cadeia foi impactada pela imposição de restrições à circulação e toque de recolher em Manaus, o que prejudica o acesso dos empregados e levou os fabricantes a trabalhar em apenas um turno, ou interromper as atividades, como fez a Honda, que decidiu suspender o trabalho por toda a última semana de janeiro.

    MAIS CONTRATAÇÕES E MENOS PRODUTIVIDADE EM MANAUS



    Fermanian destacou que no momento não há perspectivas de demissões nas fábricas de motocicletas dos 10 associados da Abraciclo. “Muito ao contrário, precisamos contratar para aumentar a produção e atender a demanda, que continua aquecida este ano, só não podemos fazer isso agora por causa das restrições trazidas pela nova onda da pandemia”, afirmou.

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    O dirigente lembrou que o setor, mesmo produzindo menos, não demitiu e contratou em 2020. No último ano o nível de emprego cresceu 5,2% nas fábricas de motos do PIM, de 12.159 empregados no fim de 2019 para 12.794 em dezembro passado. “Foi necessário contratar para aplicar os protocolos de maior distanciamento entre as pessoas nas linhas de produção, mas com isso a produtividade caiu de 91 motos produzidas por funcionário em 2019 para 75 no ano passado”, explicou Fermanian.

    MERCADO DE MOTOS SEGUE AQUECIDO, MAS SEM ATENDIMENTO



    A Abraciclo trabalha com cenário de crescimento do mercado brasileiro de motos este ano, mas devido às restrições já colocadas à produção em Manaus, a estimativa é que novamente não será possível atender toda a demanda. Assim a entidade estima que as vendas vão crescer apenas 7,1%, para 980 mil unidades vendidas no varejo. A expectativa é 10 pontos porcentuais mais baixa do que a projetada no início do mês pela Fenabrave (associação dos distribuidores autorizados), que prevê 1,08 milhão de emplacamentos de motocicletas em 2021, um incremento de 17,6% (leia aqui) sobre as 915 mil comercializadas em 2020, o que representou queda de 15% sobre 2019.

    Com a pandemia, o mercado de motos em 2020 foi aquecido pelo aumento expressivo das vendas de produtos on-line, o que alimentou a expansão dos serviços de entrega por motofrete. Como consequência direta, essa tendência estimulou a demanda por motocicletas novas e usadas de baixa cilindrada, em muitos casos compradas por pessoas que ficaram desempregadas e buscaram uma fonte de renda.

    As restrições à produção e o aquecimento da procura acabou provocando um descompasso entre oferta e demanda que em muitos casos se traduz em filas de clientes esperando por mais de três meses por uma moto. Não faltam reclamações de clientes que já têm financiamento aprovado ou que foram contemplados ou pagaram lances em consórcios, mas não conseguem receber o bem.

    EXPORTAÇÕES DE MOTOS SURPREENDEM



    As exportações de motos somaram 33.750 unidades em 2020, em retração de 12,6% sobre 2019, que pode ser considerada pequena diante do quadro adverso nos principais mercados compradores do Brasil. Apesar de pequeno, o volume surpreendeu e ficou 5.750 unidades acima do que previa a Abraciclo no início do ano, antes da pandemia, quando a entidade estimava vender apenas 28 mil motocicletas a outros países.

    “Nosso maior mercado externo, a Argentina, já vinha em queda acentuada, o que fez a participação do país no total de nossas exportações cair de 69% em 2018 para 47% em 2019 e 35% em 2020, quando as vendas dos nossos associados para o mercado argentino caíram 39,5% em relação ao ano anterior. Mas essa queda acabou sendo parcialmente compensada pelo crescimento dos embarques para outros países como Colômbia, Austrália e México”, explicou Fermanian.

    A Abraciclo projeta que em 2021 as exportações do setor vão continuar crescendo, devendo somar 40 mil motos, o que representa avanço de 18,5% sobre 2020.



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