AEA tem novo presidente para o próximo biênio

Orikassa assume a função e pretende avançar no debate do Inovar-Auto 2

Por GIOVANNA RIATO, AB
  • 12/12/2014 - 19:16
  • | Atualizado há 2 months
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    A AEA, associação brasileira de engenharia automotiva, começará 2015 com novo fôlego. Edson Orikassa, gerente de engenharia de produto da Toyota, assume a presidência da organização no próximo dia 2 de janeiro e pretende acelerar as discussões sobre uma possível segunda etapa do Inovar-Auto, que pode acontecer depois de 2017, e acerca do avanço do programa de controle de emissões de poluentes para veículos.

    Orikassa substitui Antonio Megale, que liderou a AEA por dois mandatos e volta em 2015 a se concentrar em suas atividades na Volkswagen, onde desempenha a função de diretor de relações governamentais. O executivo terá pouco mais de um ano para se preparar para o seu próximo desafio: a presidência da Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos. Em abril de 2016 Megale assumirá o cargo hoje ocupado por Luiz Moan, da General Motors.

    Enquanto isso, Orikassa conduzirá a AEA em momento decisivo para a indústria automotiva brasileira em que as fabricantes de veículos terão de comprovar ao governo que cumpriram todas as exigências do Inovar-Auto. Uma delas - e talvez a mais importante - será a verificação das metas de eficiência energética. A checagem acontece apenas em 2017, mas com base nos dados do ano anterior, o que exigirá, portanto, que as empresas estejam prontas com antecedência.

    O executivo reconhece que é um momento delicado para a indústria nacional, que precisa driblar a queda nas vendas e, consequentemente, na produção de veículos. “As coisas estão difíceis, mas é nesta hora que a engenharia tem de trabalhar”, defende. Ele pretende fomentar durante sua gestão o debate sobre a próxima etapa do Inovar-Auto dentro das premissas da entidade: meio ambiente, segurança e mobilidade.

    O novo líder da associação acredita que o seu segundo grande desafio será trabalhar com o governo e outras entidades para definir as próximas fases do Proconve, Programa de Controle de Poluição do Ar para Veículos Automotores. Os modelos leves estão desde 2013 na etapa L6. Já os pesados entraram em 2012 na polêmica etapa P7, que exigiu novas tecnologias para os motores e elevou os preços dos veículos.

    Orikassa pretende trabalhar nos estudos que poderão servir de base para que o governo estabeleça as regras das próximas etapas do Proconve, além de indicar o melhor momento para que as legislações ambientais mais rigorosas entrem em vigor. A AEA estima que, desde que o programa começou, em 1988, as emissões veiculares de gases nocivos ao meio ambiente tiveram redução da ordem de 95%.

    BALANÇO 2014

    A apresentação dos resultados da AEA em 2014, que aconteceu na sexta-feira, 12, indica que a Orikassa encontrará boas bases para alcançar suas metas. Ao longo deste ano a entidade teve conquistas importantes. Entre elas está a criação de um manual de boas práticas para o Inovar-Auto, que está em fase de finalização. O material servirá como um guia para as montadoras que estão com dificuldades para cumprir as exigências do programa por causa da complexidade da legislação. “Queremos garantir segurança jurídica para as empresas”, explica Megale.

    A iniciativa é de um grupo de trabalho dedicado ao Inovar-Auto, que teve atuação importante também no governo federal durante a definição das regras do programa. Algumas especificações pendentes da política industrial, como esclarecimentos sobre as exigências de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e ferramentaria, devem sair em breve depois de o assunto ter sido debatido com a AEA. “A regulamentação será publicada de acordo com o que conversamos”, comemora.

    A associação também teve iniciativa importante na área de segurança veicular. “Nos aproximamos do Latin NCAP e criamos uma comissão técnica para testes de impacto. Estamos assessorando eles nas avaliações”, conta Megale. Segundo ele, o plano é que a AEA tenha atuação mais ampla dentro da parceria, trabalhando de forma coordenada com entidades de outros países do continente, como Argentina e México.