Aethra investe e avança na área de engenharia

Sistemista inaugura unidades e estrutura núcleo hightech

Por Automotive Business
  • 13/03/2012 - 18:15
  • | Atualizado há 2 months
  • 6 minutos de leitura

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    Pietro Sportelli, presidente da Aethra

    Paulo Ricardo Braga, AB

    Se você enxerga apenas companhias estrangeiras no ranking das maiores e melhores indústrias de autopeças no Brasil, prepare-se para conhecer melhor a Aethra. A companhia mineira, de capital nacional, investe com determinação no parque industrial, conquista a maioria dos fabricantes de veículos da região e opera dentro de padrões internacionais. Os lucros têm sido sistematicamente aplicados na construção de novas unidades e introdução de soluções avançadas em projetos, dentro de um modelo que pode servir de inspiração para fortalecer a indústria nacional.

    Abrir novas frentes de negócios tornou-se rotina para o presidente Pietro Sportelli, que acompanha de perto cada encomenda dos clientes e programa de expansão da companhia. Da janela do escritório, à margem da Rodovia Fernão Dias, em Contagem, próximo a Belo Horizonte, o executivo observa sua iniciativa mais recente – o edifício que receberá a maior parte dos 300 engenheiros da companhia. Enquanto estrutura esse núcleo high tech, que norteará o desenvolvimento tecnológico da Aethra e trabalhará em sintonia com os técnicos de cada divisão do grupo, Sportelli agendou a inauguração, para março, da planta de Córdoba, na Argentina. Será a décima unidade do grupo brasileiro na firme trajetória de expansão, driblando marolas na economia e oscilações nas encomendas das montadoras.

    O fornecimento de serviços, partes e sistemas, endereçados aos fabricantes de veículos no Mercosul, levou a uma receita bruta de R$ 1,2 bilhão em 2011, resultado que coloca a sistemista em posição privilegiada no ranking das companhias nacionais do setor.

    Outro empreendimento, novo em folha, em Contagem, materializou o desejo de incorporar à organização uma instalação-modelo de tecnologia e eficiência. Dedicada à produção de componentes vitais para a segurança veicular, como subsistemas do eixo traseiro, travessa da suspensão dianteira e reservatórios de combustível de aço, a Thera é a menina dos olhos de Sportelli, exibida com orgulho. “O aprendizado obtido nessa planta será importante na modernização das outras filiais”, explicou.


    Fechamento de cabine em instalações da Aethra, em foto de Ignácio Costa

    SISTEMISTA


    “Queremos ser reconhecidos como sistemista competente, mas também pela capacidade tecnológica e engenharia avançada”, observa Sportelli, referindo-se aos serviços integrados, desde a concepção de projetos, codesign e engenharia simultânea até os testes, simulações e início de produção.

    Enquanto a Thera simboliza o lado mais moderno da companhia, as instalações em Córdoba representam o primeiro passo na internacionalização da Aethra, que já exporta produtos e serviços. A empresa, fundada em 1992, soma 18 anos no suprimento de componentes automotivos para o mercado interno.

    Depois de crescer próximo da Fiat Automóveis, principal cliente, da qual está distante alguns quilômetros, a empresa estruturou novas divisões na própria sede, na região metropolitana de Belo Horizonte e em outros Estados. A empresa está presente em Taubaté, SP, onde produz grupos soldados, como a travessa do painel, e comanda o módulo de cabines no consórcio modular da MAN, em Resende, MG, respondendo pelo projeto e armação dentro da planta industrial da montadora. Duas filiais estão situadas em Curitiba, PR. Uma delas produz itens estampados de médio e grande portes, grupos montados, soldados e pintados, como a travessa do painel e a viga dos para-choques dianteiro e traseiro. A outra responde por conjuntos estampados em linhas automáticas e progressivas, junto dos grupos montados e soldados, como assoalhos, subconjuntos de portas e laterais de veículos.

    EM MINAS GERAIS

    A sede da Aethra, conhecida como Centauro, abriga um complexo de escritórios administrativos e instalações de serviços e produção. A equipe de engenharia trabalha em codesign, projetos e criação de protótipos e engenharia de processo para peças e sistemas automotivos. Na área fabril são produzidos grupos, subconjuntos e itens estampados de médio e grande portes, como laterais externas, capô, portas, assoalhos completos, chassis do compartimento de carga para veículos leves e subconjuntos completos dos veículos. Já a Hammer, próxima, faz itens estampados de pequeno e médio portes em linhas automáticas e progressivas, além de grupos montados, soldados e pintados, como defletores térmicos, molduras e barras de proteção das portas e bagageiros.


    Caio Arantes, diretor industrial da Aethra, em foto de Ignácio Costa: instituímos a cultura de plataformas para disciplinar o desenvolvimento de produtos e sua manufatura

    PLATAFORMAS E EQUIPES MULTIFUNCIONAIS

    A nova maneira de organizar o trabalho na Aethra levou os gerentes de projeto a coordenar times multifuncionais com pessoal experiente em materiais, processo, produção e engenharia. “Instituímos a cultura de plataformas para disciplinar o desenvolvimento de produtos e sua manufatura”, revela Caio Arantes, diretor industrial.

    Ele assegura que a empresa possui a maior ferramentaria para a indústria automobilística do País, qualificada para projetos simultâneos. “Para nos tornarmos desenvolvedora de veículos, avançamos nos serviços de engenharia, com estações de CAD, CAM e CAE. Avançamos em soft tooling, protótipos, corte a laser 5D, criação de ferramentais, linhas de solda, montagem e produção just in time sequencial para atender todos os polos automotivos”, assegurou. Protótipos de estampados e conjuntos médios e grandes, como portas e laterais para veículos, são tarefa de uma divisão em Belo Horizonte, que fabrica modelos de cabines completas.

    A Aethra Betim manufatura subsistemas de eixos traseiros, travessas da suspensão dianteira e tanques. Ferramentais de produtos estampados de médio e grande portes, como portas e laterais para veículos, são feitos na Aethra TEC, que possui fresadoras para usinagem em CAM, digitalizadora computadorizada de modelos para cópia das figuras dos ferramentais e máquinas de usinagem com CNC Fídia de última geração. A divisão executa ainda o ajuste final e try out de séries produtivas.


    Marley Lemos, superintendente de engenharia da Aethra em foto de Ignácio Costa: em busca dos melhores padrões globais para serviços de engenharia

    ENGENHARIA A QUATRO MÃOS

    Com a ênfase na área de engenharia e desenvolvimento de tecnologia, em colaboração com fabricantes de veículos, a Aethra avança na direção dos melhores padrões internacionais no projeto e manufatura automotivos. Marley Lemos, superintendente de engenharia, cita como exemplo a utilização de aços dual phase, mais resistentes, em chapas mais finas para aliviar o peso das carrocerias e trazer ganhos na eficiência energética do powertrain.


    Área de engenharia e desenvolvimento de tecnologia na Aethra Centauro

    Esforços combinados com a área de engenharia trazem otimismo também ao diretor industrial, Caio Arantes, que trabalha na instalação de equipamentos para a prensagem a quente, novidade importante em tarefas de estampagem exigentes. A evolução na área de ferramentaria é outro fator para ganhar agilidade no atendimento da estamparia, como portas, laterais, tetos e para-lamas.

    A confecção de protótipo ainda é exigida pelas montadoras, apesar de todos os avanços na computação e projetos virtuais. A partir de propostas de estilo ou desenhos matemáticos dos fabricantes de veículos, a engenharia da Aethra projeta e desenvolve em CAD as medidas funcionais e características técnicas e construtivas de produtos. Protótipos funcionais são criados a partir de ferramentais de baixa escala, de resina especial ou fundidos cerâmicos, que podem ser feitos em modernas máquinas a laser de cinco eixos.

    RESERVATÓRIOS

    Lemos não hesita em garantir que os reservatórios de aço trazem ganhos em relação aos similares de plástico. Ele participou do desenvolvimento dos tanques do Novo Uno e do Novo Palio e garante que o processo construtivo leva a uma economia de 25% em material, sem elevar custos de manufatura. Os reservatórios, com materiais organometálicos, utilizados também pelo VW Fox, usam chapas pré-pintadas com A-36, tinta criada nos Estados Unidos que dispensa banhos de estanho, pintura catódica e proteção externa de PVC contra batidas. Outro segredo está na solda, que dispensa adição de metal ao passar pelas “costureiras” que fazem a consolidação das partes.