Alcoa mostra caminho para levar diversidade a ambientes homogêneos

André Rolim, diretor de RH da companhia, falou no Fórum AB Diversidade sobre os desafios que a organização enfrenta

Por NATÁLIA SCARABOTTO, PARA AB
  • 25/11/2020 - 18:00
  • | Atualizado há 2 months
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    Fomentar a diversidade em ambientes homogêneos é um grande desafio, mas com estratégia e ações afirmativas é possível transformar a cultura da empresa. Esse é o caso da Alcoa, que aponta ter vencido barreiras para se tornar referência em diversidade e inclusão no setor de mineração. O case foi apresentado durante o III Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo, promovido por Automotive Business nos dias 24 e 25 de novembro, on-line.

    De acordo com o diretor de recursos humanos da companhia, André Rolim, implementar políticas capazes de, de fato, fomentar a pluralidade foi um desafio para a empresa principalmente por este ser um setor masculinizado em todas as partes da operação. “Quando a gente fala de mineração, refinaria e processo de beneficiamento de alumínio, são negócios que sempre foram baseados em trabalho muito pesado, visto como masculino.”

    Para mudar esse ambiente homogêneo, a empresa sentiu a necessidade de promover a a pluralidade – uma demanda estimulada pela estratégia global da organização, que buscava uma nova identidade para dentro da companhia.

    “Na nossa jornada dentro da Alcoa, as redes de inclusão têm um papel muito importante para fortalecer a presença dentro das nossas operações. Algumas das nossas iniciativas são construídas localmente e ganham força global para atingir um maior número pessoas ao redor do mundo”, afirmou o diretor de RH.



    Atualmente, a empresa conta com três grupos de diversidade: Alcoa Women’s Network (AWN) para a promoção da equidade de gênero, Eagle para a promoção da diversidade de orientação sexual e de identidade de gênero e Aware para a equidade étnico racial, lançado recentemente.

    De acordo com Rolim, em 2020 a Alcoa estabeleceu ações afirmativas para aumentar a participação de mulheres na empresa, baseadas em identificar e aumentar a porcentagem de contratações femininas, do total de mulheres na operação e a porcentagem de mulheres na liderança. Para isso, a empresa estabeleceu um processo seletivo mais equitativo em que, na etapa final de seleção, deve haver pelo menos uma candidata. No programa de trainee a empresa pretende dar ainda mais espaço para grupos diversos.

    “Queremos ter a maior representação possível da sociedade. A nossa meta é ter 60% de mulheres, 54% de diversidade de etnia e 24% de Pessoas com Deficiência (PcD). Estamos focando encontrar pessoas no Norte e Nordeste, que é também uma questão de diversidade na regionalização e faz sentido para gente porque é onde estão as nossas operações”, explica o executivo.



    Para chegar até aqui, no entanto, o diretor de RH afirmou que a implementação de diversidade e inclusão encontrou resistências internas. “Para enfrentar estes obstáculos, mostramos que era importante, explicamos o por quê de mexer com isso agora e deixamos claro que é algo que não compete com outras prioridades que temos.”