AT Kearney refina proposta de elevar Reintegra para incentivar exportações

Para Mark Assle, é preciso mostrar ao governo que Reintegra não representa renúncia fiscal (foto: Ruy Hizatugu)

Por REDAÇÃO AB
  • 19/08/2019 - 12:32
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A consultoria AT Kearney está refinando o estudo encomendado pela associação de fabricantes de veículos, a Anfavea, sobre o impacto da elevação do Reintegra para incentivar as exportações, que deverá ser apresentado ao governo como argumento para aprovar a proposta de aumentar a restituição de impostos embutidos nas vendas externas. Em palestra no Workshop Planejamento Automotivo, #ABPLAN2020, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 19, no WTC Events Center, em São Paulo, o sócio da consultoria Mark Essle disse que o detalhamento do estudo estará concluído em dois a três meses.

    “Fizemos uma panorâmica sobre os benefícios do Reintegra e agora estamos passando um pente fino em todos os pontos”, explicou Essle em palestra “O Caminho para o Brasil acelerar exportações”.

    O setor automotivo, por intermédio da Anfavea, pleiteia o estabelecimento de um índice de 10% sobre o faturamento das vendas externas como forma de restituição do resíduo tributário nas exportações. Pela regulamentação do Reintegra esse porcentual pode chegar a até 5%, mas atualmente limita-se a insignificante 0,1%. A ideia é convencer a área econômica do governo que essa devolução seria menor do que as receitas geradas pela elevação das exportações.

    “O Reintegra está na geladeira. É preciso mostrar ao governo que esse programa não representa renúncia fiscal, mas sim a perspectiva de aumento de arrecadação de impostos”, ressalta Essle.



    O estudo da AT Kearney indica que a indústria automobilística brasileira poderia ampliar suas exportações para 1 milhão de unidades/ano se conseguisse zerar o gap de competividade de 18% que tem hoje em relação a países como o México.

    “Se tivéssemos um Reintegra com alíquota de 10%, poderíamos ampliar as exportações e adicionar perto de R$ 8,4 bilhões em impostos. Com o aumento da produção (para atender os clientes no exterior) geraríamos 120 mil novos empregos na cadeia, com perspectiva de movimentar a economia como um todo”, defende o executivo.

    O sócio da AT Kearney chamou todos os presentes no auditório do evento a se engajarem pela volta do Reintegra. “Se fizermos um esforço setorial, se conseguirmos mostrar ao governo os benefícios do programa, daremos uma injeção de ânimo no setor. Uma alíquota de 10% propiciaria uma reação de curto prazo, com resultados já dentro de dois a três anos.”