Audi admite perder dinheiro agora para ganhar no futuro

Em plano apresentado a acionistas, investimentos e 20 lançamentos só este ano devem reduzir lucros, mas digitalização trará novas receitas

Por REDAÇÃO AB
  • 09/05/2018 - 18:29
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura
    Em reunião geral de acionistas, a Audi apresentou um plano estratégico ambicioso, com promessa de 20 lançamentos só este ano, incluindo forte ofensiva de eletrificação de seus carros e aceleração na digitalização, que deve gerar bilhões em novas receitas. Com faturamento extra e redução de custos, o Grupo Audi espera obter ganhos acumulados de € 10 bilhões até 2022. Antes disso, porém, no curto prazo a companhia admite que os altos investimentos para criar produtos e serviços devem ter impacto negativo nos lucros.

    “O grande número de lançamentos e descontinuações de modelos, que será particularmente intensivo no segundo semestre deste ano, terá impacto negativo inicialmente. Outros desafios serão registrados em 2018, como os rígidos requisitos de homologação em toda a indústria”, afirmou a fabricante alemã em nota distribuída logo após a apresentação aos acionistas do Plano de Ação e Transformação, na quarta-feira, 9, na sede da Audi em Ingolstadt, Alemanha.

    “2018 é um ano chave para a Audi, com enorme velocidade de mudanças que gradualmente nos colocará de volta na ofensiva. Continuaremos limpando a crise do diesel e reestruturaremos grandes partes da nossa organização global. Ao mesmo tempo, estamos nos aproximando do clímax do maior espetáculo na história da empresa e estamos entrando na era da mobilidade elétrica com o Audi e-tron”, disse Rupert Stadler, presidente do conselho de administração da Audi AG.



    O SUV e-tron citado por Stadler é o primeiro veículo totalmente elétrico da marca, que fará sua estréia mundial em 30 de agosto próximo no Audi Summit em Bruxelas, Bélgica. O carro é o abre-alas da estratégia que prevê expressiva e rápida expansão do portfólio de modelos elétricos e híbridos em cada linha da Audi, que pretende vender perto 800 mil automóveis eletrificados por ano até 2025.

    ESTRATÉGIA DIGITAL



    O e-tron também marca o aprofundamento da estratégia de digitalização de serviços da Audi. Ao comprar o carro, os clientes poderão, pela primeira vez, adquirir várias funcionalidades on-line. A estimativa é que os serviços digitais vendidos pelo portal do cliente myAudi deverão gerar contribuição anual para o lucro operacional de € 1 bilhão até 2025.

    Para gerenciar melhor esse novo polo de negócios, a Audi anunciou a criação de uma unidade central, ligada diretamente ao CEO, para orientar o planejamento, a implementação e a operação de produtos digitais. A ideia é estabelecer um valor digital agregado no mesmo nível do negócio principal.

    A Audi também desenvolve uma plataforma de tecnologia da informação (TI) integrada para conectividade de veículos e serviços digitais. Por meio de sistema compartilhado de alto desempenho, os modelos da Audi e de outras marcas do Grupo Volkswagen terão mais compatibilidades, como por exemplo a transferência de configurações e conteúdo dos clientes entre os automóveis fabricados pelo grupo.

    “Queremos ter carros elétricos premium e serviços digitais atraentes do ponto de vista econômico. Essa é a nossa ambição clara para a mobilidade do futuro. Para isso, estamos utilizando as sinergias do Grupo VW de maneira significativamente mais eficaz e liberando recursos para projetos estratégicos do nosso Plano de Ação e Transformação”, destacou Alexander Seitz, membro do conselho de administração responsável por finanças, TI e integridade da Audi AG. “



    LANÇAMENTOS



    Dos mais de 20 lançamentos prometidos para este ano, a Audi pretende introduzir uma nova linguagem de design da marca e o novo conceito de operação totalmente digital no interior. Essa estratégia começa pelos modelos topo de gama e irá descendo gradualmente para toda a linha de produtos.

    Após o lançamento do A8 no fim de 2017 e do A7 em março passado em alguns mercados, o próximo passo será a nova geração do A6. Em 2020, a Audi tem o objetivo aumentar em cerca de 50% suas vendas no segmento de sedãs de grande porte.

    A ofensiva de utilitários esportivos será forte, para aproveitar a fatia de mercado que mais cresce no mundo. Até o fim de 2019 a marca vai lançar 11 SUVs, incluindo modelos inéditos como o Q4, a ser apresentado no próximo ano. Antes de 2018 dois SUVs, Q8 e e-tron, vão ampliar a oferta no segmento. A Audi também vai lançar SUVs compactos e médios em 2018. Além da nova geração do Q3, o esportivo SQ2 estréia nos próximos meses. Na China, os SUVs da marca estarão disponíveis pela primeira vez com versões de entre-eixos alongado: o Q2 L e o Q5 L.

    Na Lamborghini, este será o ano de lançamento do primeiro SUV do mundo da marca italiana controlada pelo Grupo Audi. O Urus chega no segundo semestre, mas em apenas um mês as encomendas antecipadas para o modelo já esgotaram o volume anual de produção.

    RESULTADOS



    A Audi apurou bons resultados no primeiro trimestre de 2018, com receita de € 15,3 bilhões, 6,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2017, e lucro operacional trimestral de € 1,3 bilhão, que cresceu 4,5%. O retorno sobre as vendas para o período de janeiro a março foi de 8,5%, parecido com os 8,7% de 2017. Apesar dos altos gastos iniciais com novos modelos, tecnologias e equipamentos de produção, o fluxo de caixa líquido totalizou € 1,92 bilhão, maior que os € 1,49 bilhão de um ano antes.

    Apesar das condições pouco favoráveis, com grandes investimentos no horizonte, para todo o ano de 2018 a Audi AG manteve a meta de retorno operacional sobre as vendas de 8% a 10%. A empresa prevê volume de vendas parecido com o nível recorde de 2017, quando entregou 1,88 milhão de automóveis em todo o mundo. As receitas devem subir levemente em relação ao nível do ano passado, de € 60,1 bilhões.