Banco Mercedes-Benz espera crescer acima do mercado

Novos financiamentos em 2013 devem superar R$ 3,7 bi

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 01/11/2013 - 16:06
  • | Atualizado há 2 months
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    Após o tombo das vendas de caminhões em 2012, o Banco Mercedes-Benz já projeta crescimento de sua carteira de financiamento acima da média do mercado. No ano passado, os R$ 3,4 bilhões em novos contratos representaram queda de 17% sobre o recorde de R$ 4,1 bilhões de 2011, que interrompeu ciclo de expansão de 13% desde 2006. “Agora nossa fatia da pizza deve aumentar mais do que para os outros, pois vamos oferecer mais serviços e opções aos clientes”, diz Angel Martinez, diretor comercial do banco da montadora de veículos comerciais.

    Embora o recorde de 2011 não deva ser repetido este ano, a carteira do Banco Mercedes-Benz já reflete o aquecimento dos negócios. De janeiro a setembro foram abertos R$ 2,8 bilhões em novos contratos de financiamento, o que permite vislumbrar valor acima de R$ 3,7 bilhões em 2013 inteiro. Isso significará 8,8% de crescimento sobre 2012, mas o percentual pode ultrapassar os 10% se as concessões se aproximarem dos R$ 3,8 bilhões. Será um bom resultado diante das projeções da Anef, a associação das financeiras de montadoras, que prevê avanço de apenas 2% este ano nas concessões de crédito para compra de veículos (considerando o mercado inteiro, de leves e pesados).

    Martinez avalia que os financiamentos para de veículos comerciais vão acompanhar na mesma medida a expansão do mercado de caminhões. “Deve crescer, mas em ritmo menor, não será mais dois dígitos porcentuais como acontecia antes”, diz. Ele avalia que o desempenho de 2014 dependerá muito das condições do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), linha do Finame/BNDES que será estendida para o próximo ano, mas ainda não se sabe com qual nível de juro (o atual é de 4% ao ano).

    “O Finame/PSI é um instrumento único no mercado, pois permite ao transportador programar suas compras de caminhões em um horizonte longo, de cerca de cinco anos, pagando juros abaixo da inflação”, destaca Martinez. Atualmente, o PSI responde por 65% a 80% dos financiamentos concedidos pelo Banco Mercedes-Benz, dependendo do mês.

    Mesmo com a incerteza sobre a elevação da taxa do PSI na virada do ano, Martinez não prevê uma bolha de consumo, como aconteceu em várias oportunidades em 2012, quando o BNDES baixou diversas vezes o juro da linha, causando cancelamentos de contratos que estavam em aprovação. O executivo aponta que a mudança já programada da taxa do PSI na metade de 2013, de 3,5% para 4% ao ano, não gerou esse tipo de desequilíbrio no mercado. Se o aumento do juro seguir em passos suaves, ele avalia que não haverá sobressaltos.

    “Não espero grandes pulos, mas para nós o crescimento será maior e pode até passar de dois dígitos”, prevê Martinez. Segundo ele, 70 pessoas do Banco Mercedes-Benz trabalham atualmente dentro de concessionárias da marca, que desde 2012 se transformaram em correspondentes bancários, para atender os pedidos de financiamento dos clientes. O banco também tem 39 funcionários envolvidos na prospecção de novos negócios.