Banco Mercedes-Benz vai fechar ano com maior carteira de sua história

Christian Schüler, presidente do Banco Mercedes-Benz, deixará o posto com bons resultados após quatro anos: será o CEO global da Athlon na Holanda, empresa de gestão de frotas do Grupo Daimler

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 09/12/2020 - 22:00
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    No início de 2020 a expectativa no Banco Mercedes-Benz (BMB) era que recorde de novos negócios atingido em 2019, de R$ 5,6 bilhões, fosse superado com cifra acima de R$ 6 bilhões em financiamentos e seguros. Mas a pandemia estragou os planos. Ainda assim, a instituição financeira do Grupo Daimler no País deverá encerrar o ano com cerca de R$ 4,8 bilhões encarteirados no período – mesmo valor do recorde anterior de 2014. Com isso, a carteira do banco vai crescer para R$ 13,1 bilhões (ante R$ 12,6 bilhões no ano passado), o maior valor já atingido em sua história no Brasil iniciada em 1996.

    Christian Schüler, presidente do BMB no Brasil há quase quatro anos, irá deixar o País no fim de janeiro próximo (o substituto ainda não foi anunciado) para ser o CEO global da Athlon, empresa do Grupo Daimler com sede na Holanda que tem sob sua administração 400 mil veículos de várias marcas, entre locações, assinaturas e gestão de frotas. O executivo não esconde certa frustração de deixar o posto no BMB, “após melhores anos da carreira de 24 anos no grupo”, sem ter obtido um novo recorde, mas considera que conseguiu atingir marcos importantes em seu período à frente da instituição e que os resultados de 2020 são bons diante do cenário adverso.

    “Esperava que 2020 iria ser o melhor ano após o recorde de novos negócios em 2019, mas mesmo com a pandemia vamos fechar o ano com expansão da carteira para o maior valor em 24 anos do banco no País. Os excelentes resultados que conquistamos no meu período aqui são reflexo de uma estratégia sólida de crescimento, em parceria com a fábrica e a rede de concessionários. Estou certo que em 2021 o BMB já está preparado para bater novos recordes”, afirmou Christian Schüler.



    RECUPERAÇÃO DE MERCADO E NOVOS PRODUTOS



    Para Schüler, a estratégia de digitalização das operações do banco, iniciada antes da pandemia, foi fundamental para sustentar o resultado de 2020. Ele cita o desenvolvimento da plataforma de internet banking da instituição, o lançamento do “Meu Mercedes” em que o cliente aprova o financiamento do seu carro antes de ir à concessionária e o “BMB Digital”, que integra a equipe de vendas de 220 revendas Mercedes pelo País. “Essas ferramentas ganharam ainda mais importância este ano”, destaca.

    A evolução crescente da carteira é creditada principalmente à recuperação mais acelerada do mercado de caminhões e vans – principais produtos financiados pelo banco – e aos financiamentos flexíveis que a instituição lançou ainda na Fenatran de 2019, como o CDC (crédito direto ao consumidor) com taxas decrescentes, novo carro-chefe das modalidades de crédito oferecidas, que suplantou a linha Finame/BNDES. Atualmente, perto de 85% dos novo contratos são CDC.

    “Em 2020 o objetivo foi manter a relação com os clientes”, afirma Diego Marin, diretor de vendas e marketing do BMB. “Todos começaram a cuidar do caixa e pediram renegociações de dívidas. Conseguimos renegociar 50% da carteira de financiamentos em tempo recorde e criamos linhas para dar mais fôlego aos concessionários no financiamento de seus estoques”, revela. Christian Schüler acrescenta que o segmento que mais precisou de ajuda este ano foi o de ônibus, o mais afetado pela pandemia: “O Brasil é o maior mercado de ônibus do Grupo Daimler, por isso pedimos maior flexibilidade à matriz, que nos atendeu”, conta.

    A perspectiva para 2021 é de elevação do juro básico da economia (Selic) com a provável aceleração da inflação e de aumento no preços dos veículos, devido à alta de custos. Mesmo assim, Marin avalia que o mercado de caminhões tem fôlego para continuar crescendo significativamente, com consequente expansão dos negócios do banco.

    “Fazemos o nosso planejamento baseados nas vendas da Mercedes. No momento, com os problemas de produção, as entregas de caminhões novos levam alguns meses, então há grande possibilidade desse crescimento se estender para o próximo ano e nós temos chances de crescer mais do que a fábrica. Por isso estou bem confiante que em 2021 vamos bater mais um recorde de novos negócios”, afirma.