Caminhões fecham 2020 com produção 20% menor

Fabricantes seguem otimistas e preveem 2021 com volumes maiores para o setor de transporte

Por SUELI REIS, AB
  • 08/01/2021 - 16:17
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 2 minutos de leitura

    O setor de caminhões encerrou 2020 com uma produção 20% menor com relação ao ano anterior, ao entregar 90,9 mil unidades, resultado que é reflexo direto dos impactos da crise e da pandemia do coronavírus que paralisou as linhas de montagem, mas não reduziu o mercado interno aquecido pelo agronegócio. Os dados, divulgados na sexta-feira, 8, pela Anfavea, associação das fabricantes, não intimidou a indústria, que apesar do cenário ainda incerto, segue otimista para 2021, prevendo volumes maiores tanto para vendas (+13% para 101 mil unidades) quanto para produção e exportações.



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    Ao apresentar o balanço de 2020, a Anfavea reforça que o segmento do transporte de carga foi o menos afetado pelos impactos da pandemia, por ser considerado atividade essencial. No mês passado, o segmento de caminhões registrou o melhor dezembro desde 2011, com a produção de 10,5 mil unidades. Historicamente, o último mês do ano tem um ritmo de produção menor, por conta de paradas programadas e férias coletivas. Desta vez, com uma demanda alta por parte do mercado, principalmente por veículos mais pesados, as fábricas trabalharam intensamente, uma vez que as férias coletivas já haviam sido concedidas anteriormente por causa da quarentena.



    “Foi um mês muito robusto em produção, representando o esforço e a tentativa das empresas de contornar as microparadas [por falta de insumos/peças] e ter a oferta de produtos para o mercado”, comentou o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini.



    Embora a indústria de caminhões tenha se recuperado de forma positiva nos últimos meses, ela continua muito abaixo de sua capacidade e se recuperando de forma ainda vagarosa desde a última crise econômica pré-pandemia, entre 2015 e 2017, quando chegou a registrar quedas equivalentes a 70%. A produção de 2020 é a pior desde 2017, o claro reflexo de um mercado que ainda não recuperou seu melhor nível anual.



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    O setor fechou o ano com 89,7 mil caminhões vendidos, uma queda de 11,5% sobre o resultado de 2019 (leia aqui).

    Para Saltini, os caminhões foram a surpresa positiva em 2020 para a indústria automotiva, tendo sido o segmento que menos caiu.

    “Tivemos o melhor dezembro [em vendas] desde 2014, superando o que imaginávamos para este fim de ano. O acumulado do ano também foi melhor que o esperado, ainda que muito afetado pela pandemia: 2020 foi melhor que 2018, que já era um ano de recuperação do setor”, comentou o vice-presidente da Anfavea.

    CAMINHÕES PESADOS SUSTENTAM O MERCADO EM 2020

    A categoria de caminhões pesados e semipesados (com PBT acima de 15 toneladas) sustentaram o mercado em 2020. Com 75% de participação das vendas no ano, equivalentes a 67,4 mil unidades, foram as categorias que menos caíram com relação às demais, registrando retração de 10,1% no comparativo com 2019.

    O agronegócio é o principal responsável pela alta demanda dos caminhões pesados no Brasil, além disso, o transporte de carga em geral pelo País não parou na pandemia, o que exigiu a renovação de parte da frota de algumas empresas.

    Na outra ponta dos caminhões, os modelos mais leves (com PBT entre 3,5 e 10 toneladas) tiveram queda de quase 15% no ano passado, com a venda de 13,9 mil unidades. O segmento atende principalmente as demandas de transporte de carga em áreas urbanas, e-commerce e comércio em geral. Eles representaram 16% do total das vendas de caminhões no País.

    Por sua vez, os médios (de 10 a 15 ton) sofreram mais em 2020, fechando com queda de 17% das vendas na comparação com o ano anterior. A categoria registrou 9% de participação no mercado total de caminhões no ano passado.