Caoa Chery cancela demissões, mas troca férias coletivas por layoff

Produção para em 1º de abril, com retorno no dia 30. Pessoas desligadas e readmitidas voltam depois, em 30 de junho

Por MÁRIO CURCIO, AB
  • 20/03/2020 - 13:50
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Depois de um dia em greve, os metalúrgicos da Caoa Chery de Jacareí (SP) conseguiram reverter as demissões realizadas pela montadora na quarta-feira, 18. Em assembleia na manhã de sexta-feira, 20, os trabalhadores aprovaram o acordo negociado entre o sindicato local dos metalúrgicos e a empresa, encerrando uma greve iniciada no dia 19.

    No entanto, em vez de férias coletivas como medida preventiva à Covid-19, como farão outros fabricantes, a Chery inicia em 1º de abril um layoff para todos os trabalhadores da produção, com retorno previsto para 30 de abril. Os que haviam sido demitidos retornam depois, em 30 de junho. Layoff é o termo adotado para a suspensão temporária dos contratos de trabalho.

    O setor de montagem de motores (onde a maioria dos funcionários desligados trabalhava) não será reativado, nem mesmo com a reversão das demissões. O sindicato corrigiu de 59 para 70 os cortes, sendo 54 na produção e 16 no setor administrativo. Todos foram recontratados.

    Antes de entrar em layoff, os trabalhadores readmitidos passam a cumprir licença remunerada a partir da sexta, 20. A mesma medida será estendida, aos poucos, para todos os setores da produção. A área administrativa fará home office.

    O sindicato estima que a Caoa Chery adotou o layoff em vez de férias coletivas pela probabilidade de a paralisação se estender por mais de um mês. A interrupção das atividades deve atrasar o lançamento do sedã Arrizo 6, que começa a ser produzido em Jacareí. De acordo com o sindicato, ele seria apresentado em junho.

    REMUNERAÇÃO MANTIDA


    O sindicato esclarece que os trabalhadores da Chery de Jacareí continuarão recebendo seus salários na íntegra durante o período de afastamento. Uma parte do valor será paga com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o restante, pela empresa.