Centro de crash test do Instituto Mauá terá R$ 196 milhões

Centro poderá realizar 300 crash tests com automóveis por ano.

Por CAMILA FRANCO, AB
  • 18/10/2013 - 18:05
  • | Atualizado há 2 months
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    Dois meses após ter assinado junto a prefeitura de São Bernardo do Campo protocolo de inteções para viabilizar o primeiro centro independente de crash test do Brasil (leia aqui), representantes Instituto Mauá de Tecnologia se reunem com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na sexta-feira, 18, para tentar financiamento de parte dos R$ 196 milhões previstos para o projeto.

    Desse total, R$ 124,5 milhões serão usados para importação de softwares e de mais de duas dezenas de equipamentos e R$ 71,5 milhões para a construção do prédio, que deverá ser erguido dentro do futuro parque tecnológico de SBC, em um terreno já selecionado de 45 mil metros quadrados, sendo 14 mil de área construída.

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não deverá emprestar 100% do valor. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também deve participar do aporte, bem como montadoras que tiverem interesse em abater até 30 pontos percentuais no IPI de automóveis produzidos e vendidos no Brasil comprovando investimento no centro de pesquisa e desenvolvimento.

    Essas informações foram reveladas pelo superintendente de planejamento e desenvolvimento do Instituto Mauá de Tecnologia, Fábio Bordin, durante seminário Segurança Veicular Brasil-Suécia, realizado no Paço Municipal de SBC na sexta-feira. O engenheiro contou que o centro de certificação, prestação de serviços e desenvolvimento de pesquisa em segurança veicular e mobilidade foi inspirado em laboratório de crash-test mantido pela Volvo na Suécia – o que levou a aproximação entre os países e a realização do seminário.

    A necessidade de se construir o centro, segundo Bordin, nasceu justamente com a regulamentação do Inovar-Auto, que visa incentivar a inovação no País. O Instituto Mauá foi responsável por desenvolver o projeto, incluindo o lay-out do prédio e o levantamento das despesas, que já estão prontos, e cuidará de toda a sua gestão. O Instituto compartilhará a instalação com outras instituições de ensino e fabricantes de veículos.

    “As montadoras ainda têm visões independentes. Querem desenvolver seus carros sozinhas. A Volkswagen e a GM são as únicas que mantêm laboratório de crash-test no Brasil. As demais pagam preços altíssimos para enviar seus produtos para serem batidos fora do País. Nossa missão será quebrar este paradigma e mostrar que se trabalharmos juntos em um único ambiente podemos aumentar a nossa capacidade de inovação e competitividade, desenvolvendo plataformas globais de veículos que atendam as normas de segurança brasileiras, americanas e eropeias”, afirmou Bordin.

    Com os R$ 196 milhões levantados até o fim deste ano, o superintendente espera que o centro seja acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) até 2015 e passe a prestar serviços para montadoras instaladas no Brasil e também na América do Sul a partir do primeiro semestre de 2016.

    O local terá capacidade para 300 testes com automóveis por ano. Poderão ser analisados veículos de até 3,5 mil quilos em crash tests frontais, laterais e traseiros em velocidade de até 90 km/h.

    Presente no seminário, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ressaltou que a instalação do ABC paulista não competirá com o centro de segurança veicular do Inmetro no Rio de Janeiro. “O laboratório de crash test será a principal âncora do parque tecnológico de São Bernardo. Mas a nossa intenção é somar esforços. Queremos agregar valor aos veículos brasileiros e, sobretudo, aumentar a segurança veicular em todo País, onde os acidentes de trânsito matam mais de 40 mil pessoas por ano e geram um custo de cerca de R$ 190 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) em atendimentos. O ABC foi escolhido para implantar o primeiro centro independente de segurança veicular por deter mais de 25% da produção de veículos, mais de 55% da de caminhões, cerca de 40% da força de trabalho do setor e 35% do total das exportações.”