Chery confirma apoio à Abeifa

Curi: “Nem chegamos a negociar nossa entrada na Anfavea”

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 15/01/2014 - 18:20
  • | Atualizado há 2 months
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    A Chery confirmou seu apoio à modificação do estatuto da associação dos importadores de veículos, a Abeiva, para a criação de uma nova entidade de montadoras no País, provavelmente chamada de Abeifa, que reuniria importadores e fabricantes (leia aqui). Segundo Luis Curi, CEO e vice-presidente comercial da Chery Brasil, a empresa se filiou em novembro passado à Abeiva e pretende ficar onde está, não está nos planos pedir a associação à Anfavea, por considerar muito cara o pagamento inicial para se filiar, que o mercado diz ser de US$ 1 milhão.

    “Nem chegamos a negociar nossa entrada na Anfavea, porque quando soube desse valor com outro fabricante achei inviável, por isso estávamos postergando ao máximo nossa filiação. Mas quando surgiu a ideia de transformar a Abeiva também em uma associação de fabricantes resolvemos apoiar a ideia”, explicou Curi em entrevista a Automotive Business. “Imagine o que seria explicar para os chineses (donos da Chery) que para entrar no clube (dos fabricantes) nós teríamos de pagar US$ 1 milhão. Eu teria de providenciar um desfibrilador”, brinca o executivo.

    Luiz Moan, presidente da Anfavea, negou que o valor cobrado para entrar na entidade seja o divulgado, o que foi confirmado por fontes de mercado, mas ninguém divulga de quanto seria esse pedágio exatamente. Contudo, por maior que seja qualquer desconto, a quantia ainda seria muito elevada em comparação ao que se paga na Abeiva. Curi informa que a joia da entidade é de R$ 75 mil e as mensalidades são calculadas na forma de rateio das despesas, como em um condomínio.

    Além da economia com joia e mensalidades, Curi também admite que a Chery teria representatividade muito maior na futura Abeifa. “Na Anfavea pagaríamos todo esse valor e provavelmente não teríamos voz”, avalia. “Aí surgiu a alternativa de mudar o estatuto da Abeiva, o que pareceu uma alternativa melhor do ponto de vista econômico e representativo”, diz.

    Curi admite que o peso da Anfavea é grande nas negociações setoriais com o governo e que a nova associação concorrente terá menos força. “Não teremos a mesma atenção do governo, mas ao menos vamos poder encaminhar nossos pleitos e colocar lá nossas opiniões, o que seria difícil na Anfavea”, destaca. Com as outras duas sócias da Abeiva, JAC Motors e Jaguar Land Rover, que defendem a mesma tese, o CEO da Chery Brasil avalia que em breve o novo estatuto da associação será aprovado, caso não exista nenhum impedimento legal. “Acho que sai”, resume.

    O executivo explica também que a Chery Brasil nunca foi filiada à Abeiva até novembro passado. “A sócia era a Venko, a antiga representante e importadora. Quando a Chery assumiu as operações no Brasil, em 2012, a marca não se associou a nenhuma entidade. Só agora, com a possibilidade de estarmos em uma associação de importadores e fabricantes é que decidimos nos filiar à Abeiva.”