Colômbia torna-se 2º maior mercado de motos da América Latina

Linha de montagem de motos Honda da Fanalca em Cali: baixo índice de conteúdo local.

Por PEDRO KUTNEY, AB | De Cali e Medellín (Colômbia)
  • 22/05/2013 - 13:40
  • | Atualizado há 2 months
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    A indústria de motos na Colômbia está rodando bem mais rápido do que a de carros. As vendas anuais de veículos de duas e quatro rodas eram praticamente idênticas no país no início dos anos 2000, em torno de 60 mil unidades de cada tipo. Passados 12 anos, o mercado carros passou ao patamar de 300 mil/ano e o de motocicletas é o dobro disso, com quase 600 mil emplacamentos em 2012, um crescimento de 500% em uma década e de 12% sobre 2011, fazendo da Colômbia o segundo maior mercado de motos da América Latina, atrás apenas do Brasil (1,6 milhão de unidades).

    O rápido e constante crescimento econômico da Colômbia (o PIB avançou 291% de 2000 a 2012) reduziu a pobreza e trouxe alguns milhões de colombianos para o mercado de consumo. Isso explica o aquecimento do mercado duas-rodas, responsável por fornecer o primeiro veículo de muitas famílias. Segundo dados do registro nacional de veículos, 95% das motos vendidas são de cilindrada inferior a 180 cc, o que demonstra a forte vocação utilitária do veículo no país, para uso como transporte pessoal e trabalho.

    “Há dez anos eram necessários dez salários mínimos para se comprar uma moto, hoje apenas três (cerca de US$ 1 mil)”, explica Luis Miguel Lodoño, chefe de vendas da Incolmotos Yamaha, que monta modelos da marca japonesa na região metropolitana de Medellín.

    MULTIPLICAÇÃO DE MONTADORAS

    Já existem nove montadoras de 13 marcas diferentes de motocicletas operando no país, que abastecem 95% do mercado interno – desempenho bem melhor do que o das fábricas de carros, que atendem só 35% das vendas domésticas. A maioria das empresas, como a Incolmotos, é formada por grupos colombianos licenciados ou associados para montar as motos na Colômbia.

    A maior dessas empresas, a Auteco, em 1941 começou o negócio importando as Lambretta e hoje tem mais de 30% das vendas nacionais. Produz acima de 180 mil unidades/ano, de quatro marcas: a japonesa Kawasaki, a indiana Bajaj, a taiwanesa Kymco e a austríaca KTM. A Auteco fica em Medellín, considerada a “Detroit das motos” na Colômbia, tanto em produção como em vendas – a cidade lembra bastante São Paulo, com motociclistas disputando espaço entre os carros.

    A segunda maior montadora do setor é a Fanalca, que há 30 anos faz em Cali, sob licença, motos da japonesa Honda. Hoje são montadas ao redor de 120 mil unidades por ano. Logo atrás está a Incolmotos Yamaha, que nasceu há 35 anos como empresa licenciada e depois tornou-se associada da Yamaha, que hoje tem 51% do negócio. A marca é a terceira mais vendida do país, 112 mil unidades em 2012, mas este ano está tomando o segundo lugar do mercado. A nova fábrica de Girardota, ao lado de Medellín, onde foram investidos US$ 50 milhões, tem capacidade para 145 mil/ano e trabalha atualmente em dois turnos.

    O quarto maior produtor é o Grupo Corbeta com suas motos AKT, feitas com partes chinesas também na região de Medellín, ao ritmo de pouco mais de 80 mil/ano. A Suzuki, quinta marca mais vendida, preferiu controlar seu próprio negócio: em 1982 comprou a Genela e a fábrica de Pereira, na zona cafeeira da Colômbia, onde monta cerca de 50 mil motos por ano.

    Apesar da produção ascendente, pouca coisa é de fato fabricada na Colômbia. As motos são montadas no país com índice médio de apenas 18% de componentes nacionais. A maioria das partes vem das matrizes e também do Brasil. A subsidiária brasileira da Yamaha, por exemplo, manda a XTZ 250 totalmente desmontada para a linha de montagem colombiana em Girardota. O modelo de negócio é vantajoso, pois as motos importadas montadas pagam imposto de 35%, enquanto as partes CKD recolhem somente 3%.

    Esta é a quinta e última matéria da série de cinco reportagens especiais sobre a indústria automotiva colombiana preparadas com exclusividade para o Brasil por Automotive Business. Entre os dias 28 de abril e 4 de maio de 2013 o jornalista Pedro Kutney viajou ao país a convite da Proexport Colômbia, para realizar visitas às principais fábricas de veículos e autopeças, além de encontros com executivos e representantes de entidades empresariais e agências locais de desenvolvimento.

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