Com falta de chips, Anfavea faz leve ajuste das projeções de 2021

Entidade reduz previsão de produção e vendas de veículos leves, mas eleva expectativa para caminhões e exportações

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 07/07/2021 - 13:15
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A exemplo do quefez a Fenabrave na semana passada, diante da falta de semicondutores que vem paralisando linhas de produção, a Anfavea também decidiu revisar suas projeções para 2021. Na quarta-feira, 7, Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade que representa as fabricantes de veículos instaladas no Brasil, apresentou ajustes que apontam para leve redução na previsão de vendas e produção de automóveis, mas puxou para cima as expectativas para comerciais leves, caminhões e até ônibus, além de aumentar a estimativa para exportações como um todo.

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    “Tudo indica que no segundo semestre continuaremos a ter problemas de produção por falta de semicondutores. Considerando isso e o cenário econômico, decidimos fazer esse pequeno ajuste das projeções para 2021, que não é substancial no total, mas indica comportamentos opostos entre o segmento de automóveis e os demais”, explica Luiz Carlos Moraes.





    Desta vez, ao contrário do que costuma acontecer, a Anfavea apresentou projeções de vendas domésticas um pouco mais otimistas que as da Fenabrave, exceção feita a automóveis. Em janeiro, ambas as entidades tinham expectativa que os emplacamentos de carros iriam crescer cerca de 15% sobre 2020, chegado a algo próximo de 1,8 milhão de unidades no fim de 2021. Agora a associação dos distribuidores estima avanço de 10% (1,78 milhão), enquanto os fabricantes projetam alta de apenas 7%, para 1,73 milhão de unidades. “É o segmento mais afetado pela falta de semicondutores”, justifica Moraes.

    Para todos os demais segmentos, as previsões de vendas da Anfavea são melhores que as da Fenabrave. A associação dos fabricantes elevou para 33% a expectativa de crescimento sobre 2020 nos emplacamentos de comerciais leves (antes era de 18%), totalizando 450 mil unidades este ano, no embalo do aumento pela procura de picapes (principalmente as Fiat Strada e Toro) e outros utilitários utilizados em entregas urbanas, um mercado que se aqueceu com a pandemia e necessidade de isolamento social.

    A maior revisão para cima foi para os caminhões, que contam com o mercado aquecido pelas atividades do agronegócio, mineração e construção civil. No início de 2021 a Anfavea projetava expansão nas vendas de apenas 13%, agora prevê 33%, quase três vezes mais, com o emplacamento de 122 mil unidades (a Fenabrave estima 116 mil, +30% sobre 2020).

    Até para os ônibus, o segmento mais impactado pela pandemia, a Anfavea aumentou ligeiramente seu otimismo, ainda que com poucas unidades a mais. A entidade estima a venda de 16 mil chassis, o que representa alta de 15% - antes a projeção indicava 13%, com 15,7 mil veículos vendidos.

    HORIZONTE AINDA INCERTO



    “Existe muita insegurança nessas projeções, porque há muitas variáveis que não controlamos, como é o caso do fornecimento instável de semicondutores que deve continuar afetando a produção e as vendas. Fizemos apenas um ajuste técnico agora, pois no começo do ano já tínhamos identificado o problema do fornecimento de insumos e fizemos previsões que já eram mais conservadoras”, explica Moraes.

    “Mas mesmo sem a restrição imposta pelos semicondutores, existem outros temas no horizonte que podem influenciar o ano. Do lado positivo, temos a expectativa de crescimento maior do PIB de 4,5% a 5% e o avanço da vacinação contra a Covid-19 que reaquece o setor de serviços. De outro lado, observamos o aumento da inflação, com IPCA em 8% e o IGP-M em de 36% por causa da alta dos preços das commodities, o que traz elevação dos juros e deve puxar a taxa do crédito ao consumidor 21% ao ano hoje para até 23%”, pondera.

    A expectativa, diz Moraes, é que as vendas perdidas este ano por falta de produtos a entregar sejas recuperadas ao menos em parte em 2022. “Alguns consumidores não querem ou não podem esperar e preferiram comprar um seminovo, por isso o mercado de usados está muito aquecido no mundo todo. Já outros querem o produto novo, na cor escolhida e com os opcionais desejados. Esses vão atrasar a compra e esperamos que representem uma demanda adicional para ano que vem”, avalia.

    PRODUÇÃO MENOR, EXPORTAÇÃO MAIOR



    Com o desabastecimento no fornecimento de semicondutores que deve perdurar até o segundo semestre de 2022, a Anfavea fez uma pequena redução na previsão de produção de automóveis e comerciais leves este ano, estimando a fabricação de 2,46 milhões de unidades, equivalente a crescimento de 21% sobre 2020 – antes a expectativa era de 2,52 milhões e expansão anual de 25%.

    Para o caso de veículos pesados, a projeção aumentou para 156 mil caminhões e chassis de ônibus, o que representa alta de 42% sobre 2020, quase o dobro do porcentual previsto em janeiro passado, de 23% e 135 mil unidades.

    A Anfavea também puxou ligeiramente para cima a previsão de exportações este ano, estimando a venda de 389 mil veículos brasileiros a outros países, uma elevação de 20% em relação a 2020. A projeção anterior era de 353 mil unidades e alta de 9%, mas de janeiro a junho os embarques já somaram 200 mil unidades, indicando que o volume exportado deve ser maior do que foi inicialmente previsto.

    Com isso, a Anfavea estima que o setor deve exportar US$ 1 bilhão a mais do que foi projetado, fechando 2021 com US$ 7 bilhões, em alta de 27% sobre 2020 – antes a aposta era de US$ 6 bilhões e crescimento de 8%.

    “Fizemos um pequeno aumento nas previsões de exportação, mas estão ainda muito abaixo do que precisamos”, pontua Moraes.



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