Com novo Tracker, GM quer a liderança dos SUVs

GM aposta nas qualidades do novo Chevrolet Tracker para liderar segmento de SUVs

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 18/03/2020 - 19:32
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Primeiro SUV compacto fabricado no Brasil pela General Motors, o novo Chevrolet Tracker pode ser visto como um passageiro que chega atrasado no avião lotado e já quer viajar no melhor lugar, na janelinha. É com esse espírito e certa dose de arrogância que a fabricante fez o lançamento oficial do modelo na quarta-feira, 18, em transmissão on-line pela internet – por causa das restrições causadas pela epidemia de coronavírus. Com o Tracker nacional a GM espera superar os mais de 20 concorrentes e tomar de assalto a liderança do segmento que mais cresce por aqui – em 2019 os SUVs representaram cerca de um quarto do mercado brasileiro e foi a segunda categoria de modelos mais vendidos.

    A GM confia que seu primeiro SUV nacional vai multiplicar em três a quatro vezes as vendas do Tracker que era importado do México desde 2013 (foram emplacadas 16,3 mil unidades em 2019 e o modelo foi o sexto SUV mais vendido). Com cinco versões (duas 1.0 de 116 cv e três 1.2 de 133 cv) que usam exclusivamente motores flex turbinados, os preços do novo Tracker vão de R$ 82 mil a R$ 112 mil – mais baixos na entrada com motorização 1.0 em relação ao antigo Tracker mexicano 1.4 turbo, mas de 7% a quase 10% mais caros nas opções 1.2 de topo. Os valores sugeridos são parecidos com os dos principais concorrentes como VW T-Cross e Jeep Renegade, mas a GM garante que entrega mais pelo mesmo preço.

    Segundo a GM, a nova geração do modelo (a terceira), agora fabricado sobre a plataforma global do grupo para mercados emergentes, a GEM, evoluiu o suficiente para superar todas as deficiências dos concorrentes e dele próprio em desempenho, economia de combustível, conectividade, segurança e visual com cara de utilitário esportivo.



    “Fizemos o novo Tracker para atender todos os pontos ao mesmo tempo que não estão sendo atendidos pelos outros SUVs do mercado”, defendeu Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul.



    NOVO TRACKER PROVOCA OS CONCORRENTES



    Com essa ideia na cabeça e boa verba publicitária na mão, a fabricante criou uma campanha provocativa de lançamento, com o mote “Chega de Arrependidos”, em que recria o ambiente de um grupo de alcoólicos anônimos com depoimentos de consumidores arrependidos, reclamando dos defeitos dos SUVs que compraram, como alto consumo de combustível (a maior das reclamações, segundo a GM), baixo nível de sistemas de segurança, acabamento pobre e déficit de tecnologia pelo preço cobrado. “É o segmento que mais cresce no Brasil, mas também o que tem mais reclamações, todos os concorrentes têm algum ponto deficiente no carro ou na rede de atendimento”, justifica Hermann Mahnke, diretor de marketing da GM América do Sul.


    Interior do novo Tracker tem acabamento superior ao da maioria dos concorrentes de mesmo preço: um dos pontos que a GM vai explorar na campanha de lançamento

    “É um segmento chave do mercado brasileiro, mas foi só o começo. Trabalhamos quatro anos no projeto do novo Tracker para entrar para valer na disputa com um produto que oferece tudo o que o consumidor procura em um SUV na medida certa em conectividade, performance, eficiência, segurança e design”, aponta Zarlenga.

    TRACKER REFORÇA LIDERANÇA DA GM



    O objetivo de tomar a liderança do segmento de SUVs no Brasil significa vender de 5 mil a 6 mil Tracker por mês. “Estamos preparados para isso, a fábrica de São Caetano do Sul (SP) recebeu investimentos para produzir altos volumes, os fornecedores estão prontos também, e as 541 concessionárias Chevrolet no País já foram abastecidas com estoques suficientes para mais de um mês. As vendas começaram esta semana, a rede nos informa que a demanda está muito forte. Nossa expectativa é alta”, avalia Rodrigo Fioco, diretor de marketing de produto da GM América do Sul.

    Mais do que a liderança de um segmento, a GM aposta boa parte de suas fichas no Tracker para sustentar, reforçar e talvez até ampliar sua liderança do mercado nacional, que fechou 2019 com 475 mil unidades emplacadas e quase 18% de participação, graças a apenas dois carros, o Onix e sua derivação sedã (ambos também renovados sobre a plataforma GEM em setembro do ano passado), que no primeiro bimestre sustentaram 82% das vendas da Chevrolet e lideram com folga na primeira e segunda posições entre os veículos leves mais vendidos do País.

    “Estamos em um grande momento e no caminho certo. Não é só pela liderança em si, mas porque lideramos com valores para o cliente, estamos à frente em qualidade, serviço e preço. Por isso completamos sete anos como líderes [em vendas de veículos] no varejo e pela primeira vez em 95 anos no País a Chevrolet foi reconhecida como marca de maior prestígio”, comemora Carlos Zarlenga.



    É importante lembrar, contudo, que todas as projeções e planos da GM não foram “combinados” antes com o coronavírus. A pandemia do Covid-19 que já causa estragos consideráveis à frágil economia brasileira poderá retrair sensivelmente a demanda por bens duráveis, como veículos, tanto pela impossibilidade imediata de consumidores saírem de casa para comprar produtos de alto valor, passando pela paralisação de linhas de produção (a própria GM vai conceder férias coletivas em suas fábricas brasileiras a partir do dia 30 próximo), como pela situação que deve vir logo a seguir: a recessão econômica, que provoca aumento do desemprego e redução de renda.