Concessionários traçam cenário positivo para veículos comerciais

E apontam desafios a superar para manter o crescimento do setor

Por Sueli Reis, Automotive Business
  • 24/11/2011 - 23:55
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura

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    Sueli Reis, AB

    O futuro reserva boas oportunidades para o mercado de veículos comerciais no Brasil, mas com alguns contrapontos para resolver, assim concordaram os participantes dos painéis Olhando para 2012 e Visão de Futuro, durante o segundo dia do 21º Congresso Fenabrave, realizado na quinta-feira, 24, em São Paulo.

    Para Roger Alm, presidente da Volvo Caminhões do Brasil, o País oferece condições para sustentar um crescimento contínuo: “A partir de fatores macroeconômicos, as perspectivas são muito positivas, a tendência de crescimento se manterá por um longo período e baseiam-se no cenário que estamos vivendo hoje, de desenvolvimento em setores como o de infraestrutura, agronegócio e indústria de transformação.”

    O executivo também aponta que o País brigará pelas primeiras posições no mercado mundial de caminhões nos próximos anos. Atualmente, segundo Alm, o Brasil ocupa a quarta posição do ranking, hoje liderado pela China, que detém dois terços do volume total mundial. “Em 2020, nosso mercado terá crescido 41% sobre o que temos hoje, para algo como 2 milhões de veículos. Neste cenário, a China crescerá, mas não com a mesma velocidade, a Europa voltará ao seu normal após a crise, mas será a América do Sul que continuará a crescer em um nível considerável.

    Airton Vieira, da Ancive, Associação Nacional dos Concessionários Iveco, também listou uma série de fatores positivos, mas destacou os desafios para o setor. Lembrou do trabalho da Fenabrave junto ao governo para reivindicar o chamado Finame Verde, que concede incentivos fiscais para veículos com tecnologias de baixas emissões, e ponderou sobre o crescimento moderado do PIB, que em 2012 estima ser entre 3% e 3,5%. Considerou o aumento de preço nas linhas Euro 5 e a antecipação de compras de veículos Euro 3, o que, segundo ele, deve afetar especialmente o desempenho dos novos veículos no primeiro trimestre de 2012. A indefinição sobre a renovação da frota para Euro 5 e a incerteza da disponibilidade do diesel S50 também permearam as considerações do executivo.

    Para João Batista Saadi, da Assobens, Associação Brasileira dos Concessionários Mercedes-Benz, um dos maiores desafios para o setor é a dependência de recursos do governo para financiar veículos comerciais no Brasil. “95% das vendas de caminhões são provenientes do Finame BNDES, mas não basta financiar, é necessário eliminar os pontos burocráticos que impedem a agilidade do negócio: hoje a liberação do montante pelo banco demora, no mínimo, um mês. Este é um gargalo que devemos considerar como ponto crucial para manter um mercado que vai continuar crescendo.”

    Para o representante da Abravo, Associação Brasileira dos Distribuidores Volvo, Márcio Paschoalin, também há urgência na capacitação de pessoas para a área técnica. “Hoje, para atuar na oficina de uma concessionária, um mecânico de caminhão demora pelo menos dois anos para chegar a um nível básico para o atendimento.” E defendeu a criação de um trabalho conjunto entre Fenabrave e Anfavea voltado para a capacitação de mão de obra, que envolve desde técnicos até motoristas de caminhão. “Estamos atrasados, devemos nos unir para acelerar este processo.” O executivo lembrou do Sest Senat, que pode ser um ponto de partida para este novo trabalho entre as entidades.