Consorciados ficam sem motos por causa da quarentena

Honda retomou produção em 25 de maio. Em uma semana produziu mil unidades da CG 160, a mais vendida do País

Por MÁRIO CURCIO, AB
  • 12/06/2020 - 17:02
  • | Atualizado há 2 months
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    Embora necessária para conter o avanço da Covid-19, a paralisação das fábricas de motos em Manaus (AM) gerou grande insatisfação entre consorciados pela falta de produtos nas revendas e previsão de entrega. A constatação do problema surgiu a partir de grande volume de comentários de leitores de Automotive Business.

    A cada notícia publicada sobre o adiamento do retorno da produção da Honda (que detém 79% do mercado), esses leitores se queixavam de não conseguir a moto, mesmo quando o lance ou sorteio haviam ocorrido antes do início da quarentena.

    Vale dizer que a fabricante foi prudente em prorrogar a quarentena, já que emprega 6 mil funcionários em Manaus, onde o sistema de saúde entrou em colapso por causa do coronavírus. As reclamações dos leitores continuaram com a notícia do retorno da montadora.

    No início de maio o consorciado Leandro Almeida se queixava por causa de uma motocicleta obtida por lance livre em fevereiro: “Dei o lance porque estou precisando da moto para trabalhar e até agora [em 5/5/2020] não recebi.” A leitora Wanderlane, outra consorciada, foi contemplada por lance em 27 de abril e em 8 de junho ainda não tinha previsão de quando poderia retirar a moto: “Acho que tem de parar de contemplar até entregar as já contempladas; poderiam suspender os sorteios até normalizar tudo”, sugere.

    A regularização do problema ainda pode levar algum tempo. Os consorciados têm prioridade no recebimento do bem quando se trata dos consórcios das próprias montadoras. Mas 72% dessa modalidade de venda é praticada por outros bancos. Esses outros consorciados poderão de fato ter de esperar mais.

    Carlos Porto, vice-presidente responsável pela área de motocicletas da Fenabrave (entidade que reúne as associações de concessionários), recorda que o desabastecimento parcial da rede, sobretudo em modelos de baixa cilindrada, também teve impacto nos emplacamentos em maio. “Notamos que começaram a faltar algumas motos a partir da segunda semana de abril. Muitos motoristas de aplicativo ficaram sem renda e migraram para as entregas com moto”, diz Porto. Sobre os consórcios, ele recorda que existem diferentes fatores a considerar além da falta do produto.

    “Em regra o consumidor contemplado quer a moto imediatamente, mas nem sempre essa entrega é possível”, diz o representante da Fenabrave.



    Segundo Porto, os consorciados têm dificuldade de retirar o bem quando estão com alguma obrigação financeira em atraso (negativados) e ainda não pagaram parcelas equivalentes a 70% do valor da moto. Ele diz também que a Yamaha conseguiu ajustar seus estoques à demanda e a Honda deve normalizar o abastecimento da rede em uma semana.

    Em nota emitida antes do retorno da produção, a Honda reconheceu “a possibilidade de a rede de concessionárias apresentar estoque menor de determinados modelos em regiões específicas”. A Yamaha admitiu que um dos motivos para o retorno da produção em 30 de abril foi o compromisso com os consorciados.

    Segundo dados da Abraciclo (associação das montadoras), a maior produção em maio foi da Yamaha, com 11,3 mil unidades, 77,4% de todas as motos montadas em Manaus naquele mês. A Honda voltou na última semana do mês e por isso fabricou apenas 1,3 mil motos em maio. Desse total, mil unidades foram da CG 160, a moto mais vendida no País e a mais utilizada por entregadores.