Custos altos e falta de semicondutores ameaçam vendas no 2º semestre

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes: evolução lenta do mercado e mais preocupações no horizonte

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 08/06/2021 - 13:44
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 2 minutos de leitura

    Passados os cinco primeiros meses de 2021, as vendas de veículos leves (automóveis e utilitários) estão em linha com as projeções de baixo crescimento da associação dos fabricantes, a Anfavea, enquanto o mercado de caminhões está aquecido acima das expectativas e os negócios de ônibus seguem deprimidos, fortemente impactados pela pandemia de coronavírus. Como de hábito, esperam-se resultados melhores no segundo semestre, mas a cada mês surgem novas ameaças à retomada que podem frustrar as projeções da entidade.

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    Ao divulgar os resultados de desempenho da indústria na terça-feira, 8, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, admitiu que persistem as preocupações sobre as vendas domésticas no segundo semestre. Na lista de barreiras ao crescimento, está a falta de semicondutores para componentes eletrônicos que vem paralisando a produção de fábricas no mundo todo.

    “Uma coisa é a demanda, outra é nossa capacidade de entregar, que está sendo afetada pela falta de semicondutores. Esperamos por um segundo semestre melhor que o primeiro com o avanço da vacinação e maior controle da pandemia, mas está difícil planejar a produção para atender o possível crescimento e assim poderemos ter um resultado pior do que prevíamos”, admite Luiz Carlos Moraes.



    VARIÁVEIS NEGATIVAS NO HORIZONTE



    Também estão no horizonte as já conhecidas fraquezas da economia brasileira, com a alta da inflação que está puxando os juros para cima – o que já impacta diretamente o custo do crédito –, desemprego em níveis historicamente elevados, bem como elevações dos custos de matérias-primas (como o aço) que estão colocando os preços dos veículos nas alturas.

    A essa lista, recentemente surgiu mais um problema que não estava nas projeções: a crise hídrica provocada pela falta de chuvas que está esvaziando os reservatórios das hidrelétricas e aumentando o custo da energia elétrica – outro dos insumos básicos para a produção de qualquer indústria. “Isso não estava nos planos quando fizemos as projeções. É mais uma pressão sobre os custos que pode prejudicar os resultados do ano”, avalia Moraes.

    “Custos e falta de semicondutores são sem dúvida os grandes desafios de 2021”, resumiu o presidente da Anfavea. No entanto, apesar das variáveis negativas no horizonte, Moraes afirma que a entidade não pretende revisar tão cedo suas projeções, que indicam a venda de 2,3 milhões a 2,4 milhões de veículos leves e pesados no Brasil este ano, em alta de 15% sobre 2020.

    “Até o momento as vendas de veículos leves estão em linha com nossa projeções (2,25 milhões e +15%). A demanda por caminhões está mais aquecida do que prevíamos (101 mil e +13%) e provavelmente vamos ajustar essa expectativa para cima”, diz Moraes. Analistas e fabricantes já enxergam mercado de 120 mil caminhões este ano. “Já o mercado de ônibus (previsão de venda de 16 mil chassis, alta de 13% sobre 2020) segue bastante deprimido pelos problemas trazidos ao transporte público pela pandemia, está difícil de recuperar”, acrescenta o dirigente.

    RESULTADOS MORNOS



    Em maio a Anfavea contabilizou a venda de 188,7 mil veículos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, o que representa alta de 7,7% sobre abril e um vistoso mas inócuo crescimento de 203% na comparação com o mesmo mês de 2020, quando a pandemia paralisava o mercado com fechamento de concessionárias e dos Detrans, ainda sem contar com as ferramentas on-line que foram adotadas para contornar o problema.

    Foi o segundo melhor volume mensal de 2021 e a maior média diária de emplacamentos já atingida este ano, com 9 mil registros por dia útil. Apesar dessa evolução, o mercado vem mostrando resultados mornos – com exceção da demanda por caminhões que está acima das expectativas. As médias evoluíram pouco: 8,6 mil/dia em janeiro, 8,4 mil em fevereiro, 8,2 mil em março e 8,8 mil em abril. O nível ainda está distante de 2019, quando eram emplacados mais de 11 mil veículos por dia útil. “Ainda temos espaço importante para crescer quee esperamos recuperar no futuro”, diz Moraes.

    No acumulado de janeiro a maio o mercado brasileiro consumiu 891,7 mil veículos, expansão de quase 32% quando comparado aos 676 mil emplacamentos registrados no mesmo intervalo do ano passado – com forte impacto negativo da pandemia a partir da segunda quinzena de março.



    - Faça aqui o download do relatório da Anfavea sobre desempenho da indústria até maio/2021
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