Design globaliza sucesso da Hyundai

Casey Hyun: “O design forte e expressivo é a nossa cara, identifica o que somos e o que seremos.”

Por PEDRO KUTNEY, AB | De Seul (Coreia do Sul)
  • 04/10/2013 - 19:16
  • | Atualizado há 2 months
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    Repousa nos traços expressivos de Casey Hyun parte significativa do sucesso global Hyundai, que na última década transformou-se de marca emergente de automóveis de segunda linha para uma das dez mais valorizadas e vendidas do mundo – o salto foi de menos de 1 milhão de unidades vendidas no início dos anos 2000 para 4,4 milhões em 2012, com expectativa de passar de 4,6 milhões este ano, somando a produção de sete fábricas na Coreia e outras nove em sete países. Gerente de design criativo da marca em Seul, capital da Coreia do Sul, Hyun foi responsável por introduzir a linguagem visual de “escultura fluída” dos carros da fabricante coreana, começando em 2009 com a renovação do sedã médio Sonata. Ao lado do conceito “modern premium”adotado pelo fabricante, de tornar a prosperidade tecnológica de seus automóveis mais acessível, a nova identidade visual catapultou as vendas da Hyundai, incluindo o Brasil com o HB20.

    “O design forte e expressivo é a nossa cara, identifica o que somos e o que seremos”, define Hyun. Nesse caso, as ambições parecem coadunar com os resultados obtidos até aqui. Em 2005 a Hyundai tornou-se a primeira fabricante coreana de veículos a figurar no ranking das 100 marcas mais valiosas do mundo elaborado pela consultoria Interbrand. Desde então, o valor da marca saltou de US$ 3,5 bilhões para US$ 9 bilhões este ano. De 2012 para 2013, a Hyundai subiu da 53º para a 43ª posição na listagem geral, ficando em sétimo entre as montadoras, à frente de gigantes da imagem como Porsche e Ferrari.

    A trajetória bem-sucedida de Hyun e da Hyundai nos últimos anos tem similaridades que vão além do nome de ambos, parece se confundir com a história de sucesso da Coreia, que em apenas duas décadas se transformou em nação desenvolvida pelo progresso educacional de seu povo. Criado na Austrália e formado em design automotivo na Inglaterra, Hyun é a imagem em pessoa da Coreia globalizada. No caso de Hyun, ele trouxe ar fresco aonde antes havia formas estéreis, sem personalidade, que podiam ser de qualquer carro. O designer iniciou carreira na Hyundai em 2005 e já traçou as linhas de alguns dos mais bem vendidos carros da marca, começando pelo hatch médio i30, que introduziu a coreana no segmento de maior volume na Europa e este ano chega à sua segunda geração, desta vez com o visual fluído.

    O mais recente e estrondoso sucesso desenhado por Casey Hyun é o hatch compacto HB20, que em apenas um ano de vendas no Brasil já superou de 100 mil unidades vendidas. Posicionado no segmento mais competitivo do mercado brasileiro, o carro conquistou de maneira arrebatadora o gosto do consumidor, que formou filas de espera para comprar o veículo, colocando o modelo desde o seu lançamento na lista dos dez mais vendidos do País. Graças ao raro acerto de produto, a mais nova fábrica da Hyundai no mundo, em Piracicaba (SP), já opera no limite máximo de produção, de 150 mil veículos/ano, em três turnos.

    “Os designers ficaram meses no Brasil para entender o consumidor local. Por isso o que surpreende não é o sucesso do HB20, mas o tamanho dele”, confirma Frank Ahrens, vice-presidente de comunicação global da Hyundai. Ele admite que, a continuar nesse ritmo, a fábrica brasileira poderá receber ampliações e aumentar a capacidade para 300 mil unidades/ano.

    CONFIANÇA

    “Não podemos prever o futuro, mas estávamos confiantes que o produto ia funcionar no Brasil, porque não foi só um carro projetado na Coreia para o Brasil, mas procuramos entender os consumidores”, confirma Casey Hyun. Ele diz que conhecia pouco o País, mas fez a lição de casa para eliminar qualquer dúvida. A primeira visita foi em 2008, quando veio a São Paulo pela primeira vez, para iniciar o projeto do HB20 com uma verdadeira imersão na cultura brasileira. De lá para cá já foram várias viagens, incluindo alguns dias de lazer na Bahia. “Sempre que vou ao Brasil existe o compromisso profissional mas também é um prazer pessoal. Gosto muito do País e das pessoas.”

    Em 2009 ele mandou dois designers da Hyundai para viver um ano no Brasil. “Falamos com mais de uma dúzia de pessoas, não só designers de carros, mas também de moda e outros setores, para compreender do que gostavam nossos futuros clientes.”

    Hyun conta as conclusões que tirou desse período e os ingredientes que colocou na receita do HB20: “Há muitas coisas sobre o Brasil, mas a definição principal é de um povo livre e aberto a novas ideias. Sobre carros especificamente, descobrimos que a aparência esportiva é muito importante. O design tem de ser expressivo, forte e dinâmico para agradar. Isso combinou com nosso conceito de escultura fluída, mas os traços do HB20 precisaram ser mais marcantes, para compensar o gosto conservador por cores dos brasileiros (que preferem carros brancos, prata e pretos)”, define.

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    Depois de fazer tanto sucesso com o HB20 e lançar a família completa, incluindo a versão aventureira HB20X e o sedã HB20S, o que virá? Claro que Hyun desconversa, mas admite que “design é um trabalho sem fim, que precisa sempre ser aprimorado”. Ele não confirma em qual estágio estaria o projeto do utilitário esportivo compacto derivado da mesma plataforma do HB, mas também não nega que o design do carro esteja em andamento. “Se vocês continuarem comprando nossos carros, com certeza vamos ter de oferecer novidades”, diz.

    Pelo conhecimento adquirido com o HB20, o maior desafio no Brasil não será desenhar outro carro de sucesso, mas encontrar espaço para produzi-lo. Por isso, outros modelos e possíveis renovações só devem acontecer quando o interesse pela linha atual arrefecer – ou quando a fábrica puder ser ampliada.</prÓximos>