Eaton opera em 3 turnos para fazer transmissões e engrenagens

Linha de produção de transmissões da Eaton em Valinhos: aceleração

Por PEDRO KUTNEY, AB | De Valinhos e Mogi Mirim (SP)
  • 24/05/2018 - 20:21
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    As linhas de produção da Eaton em Valinhos e Mogi Mirim, que fabricam transmissões e engrenagens para caixas de câmbio no interior paulista, voltaram a operar em ritmo acelerado. Desde o início deste ano todas as fábricas das duas plantas já trabalham em três turnos. “Ainda não estamos em capacidade total porque algumas linhas ainda estão em operação parcial, enquanto outras áreas estão a pleno vapor. Mas sentimos que houve melhoria significativa dos negócios e precisamos voltar a contratar”, conta Marcos Janasi, diretor de negócios de componentes de powertrain.

    “Um conjunto de fatores empurra a produção para cima: a retomada do mercado doméstico de caminhões, a conquista de novos fornecimentos de transmissões automatizadas e as exportações de componentes para os Estados Unidos, que deram um grande salto este ano”, explica Janasi.



    ONDA DE AUTOMATIZADOS E EXPORTAÇÃO



    Os clientes das transmissões produzidas pela Eaton em Valinhos são os fabricantes de caminhões, ônibus e picapes. Por isso o impulso das vendas domésticas de veículos comerciais este ano ajuda no aquecimento da produção, mas não explica todo o crescimento. A conquista de novos negócios, especialmente o fornecimento de câmbios automatizados, e exportações de componentes feitos na unidade para fábricas da Eaton nos Estados Unidos sustentam a expansão atualmente.

    A Eaton começou em 2016 a surfar a onda de popularização das transmissões automatizadas em veículos comerciais no Brasil. As caixas robotizadas já estão em algo como 95% dos caminhões pesados novos e mais de 60% dos semipesados vendidos no País este ano. Com isso a empresa começa agora a colher os resultados da aposta certeira que fez no desenvolvimento dessa solução para fabricantes nacionais.

    A primeira caixa de mudanças robotizada de 10 marchas fabricada pela Eaton no Brasil – destinada a modelos semipesados e pesados, desenvolvida em conjunto com a fabricante de motores Cummins – foi adotada pela Ford em seis versões do Cargo a partir de 2016 (leia aqui). Um ano e meio depois foi a vez de a Iveco adotar transmissão similar nos Tector (leia aqui). Com isso a planta da unidade de Valinhos dedicada a fazer transmissões para veículos comerciais pesados criou uma linha específica para o produto e hoje faz cerca de 15 unidades/dia.

    Mas são as exportações que consomem mais de 60% das peças produzidas na planta de transmissões para veículos pesados. As engrenagens são forjadas (a unidade abriga a segunda maior forjaria do País) e usinadas em Valinhos, de onde seguem para fábrica da Eaton nos Estados Unidos. “O crescimento do mercado norte-americano de caminhões Classe 8 já passa de 25% este ano. Por isso estamos trabalhando muito para atender os pedidos de transmissões usadas por esses modelos, que são montadas lá com peças feitas aqui”, explica Janasi.

    Na mesma unidade, a planta de transmissões para caminhões leves e picapes também começou este ano a surfar a onda das caixas automatizadas. Já no fim de 2017 MAN e Mercedes-Benz fecharam contrato para comprar o câmbio automatizado de seis velocidades aplicado a novas versões dos modelos leves e médios VW New Delivery e Accelo (respectivamente). A caixa foi projetada no centro de pesquisa e desenvolvimento da Eaton em Valinhos, que é responsável mundial da empresa por projetos de transmissões para comerciais leves.

    A planta de transmissões leves também exporta bastante, pois é a única fábrica no mundo que fornece o câmbio manual da picape S10, produzida pela GM no Brasil e também na Tailândia, para onde segue boa parte das caixas feitas na unidade.

    CONTRATOS DE MANUFATURA




    A fábrica modelo da Eaton em Mogi Mirim faz componentes sob encomenda para fabricantes de veículos que fazem suas próprias transmissões

    A verticalização da Eaton, que produz não só as transmissões mas também todas as engrenagens, eixos e sincronizados que vão dentro das caixas, abriu uma nova frente de negócios para a empresa no Brasil. General Motors e Mercedes-Benz, que montam suas próprias transmissões no País, compram os componentes feitos pela Eaton atualmente em Mogi Mirim, fábrica que foi aberta há cerca de 20 anos especialmente para atender contratos de manufatura de clientes específicos.

    Com processos bastante automatizados, as duas linhas de produção espelhadas de Mogi Mirim também trabalham em três turnos acelerados este ano com cerca de 600 funcionários. De um lado, são usinados e temperados 12 componentes mecânicos das caixas manuais de cinco e seis marchas da GM, usadas pela maioria dos carros feitos no Brasil pela empresa – inclusive o Onix, o mais vendido do País. Depois de prontas as peças são embaladas na ordem de montagem em kits CKD que são enviados à fábrica de transmissões da GM em São José dos Campos (SP).

    A outra linha de Mogi Mirim é dedicada a usinar e temperar 26 componentes de transmissões manuais da Mercedes-Benz usadas pelos caminhões Accelo, Atego e Atron. Também embaladas em kits, são enviadas para montagem em São Bernardo do Campo (SP).

    Existe espaço no terreno para montar mais uma ou duas fábricas de engrenagens para atender qualquer tipo de cliente de transmissões. “Temos conversas, nada fechado ainda. Mas se conseguirmos um novo contrato, já estamos com a área pronta para construir uma nova linha”, diz Marcos Janasi. Ele afirma que a unidade poderia também produzir componentes de câmbio automático, se um dia algum fabricante decidir produzir essas caixas no Brasil.

    A planta de componentes de transmissões sob encomenda da Eaton nasceu como extensão moderna da unidade de Valinhos, distante 70 km, assim incorporou desde o princípio avançados e eficientes processos de manufatura. Em 2016 Mogi se tornou uma das poucas plantas modelo do grupo globalmente, levando em conta critérios de produtividade, qualidade, segurança, logística/entrega e estoques. No ano passado a classificação foi novamente confirmada, desta vez junto com Valinhos, que também entrou para o reduzido grupo de quatro fábricas modelo da Eaton no mundo, duas delas agora no Brasil.