Empresas começam a optar por CDC em vez de Finame

Mudança de taxa para TLP torna o crédito direto mais atraente, apontam especialistas

Por SUELI REIS, AB
  • 02/03/2018 - 17:08
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Após as mudanças operacionais do BNDES anunciadas no fim do ano passado (leia aqui), que entre outras alterações incluiu a TLP (Taxa de Longo Prazo) em substituição a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), as instituições financeiras começam a observar uma movimentação entre as empresas que vinham utilizando o Finame em suas compras de veículos comerciais e que agora estão optando pelo crédito direto ao consumidor, o CDC. O fato é que diferente da TJLP, a TLP seguirá os padrões do mercado a partir da Selic. Na prática, isto significa que o crédito direto ficou mais competitivo, uma vez que a taxa de juros se equipara ao mercado e traz a vantagem de parcela fixa e não variável, como ocorre com o Finame.

    “O CDC vale a pena, já tem clientes optando por ele no lugar do Finame”, conta o diretor comercial da Volvo Financial Services no Brasil, Valter Viapiana. Segundo o executivo, as empresas que estão optando por essa migração são principalmente grandes frotistas. Ele avalia que embora o crédito direto ao consumidor se mostre como uma opção mais favorável ao cliente por causa de sua atratividade de parcela fixa neste primeiro momento, será necessário observar como a Selic vai se comportar ao longo dos próximos anos, uma vez que financiamentos de bens de capital, como caminhões, ônibus e máquinas agrícolas ou rodoviárias são feitas em planos que abrangem o período de até cinco anos.

    O diretor comercial Diego Marin, também observa alguma migração do Finame para o CDC no Banco Mercedes-Benz. Ele acredita que o Finame segue como a melhor alternativa para a aquisição de veículos comerciais pesados, mas confirma que o CDC vem ganhando força com a queda da Selic. “Muitas empresas vêm decidindo pelo CDC, que tem uma taxa pré-fixada, são clientes que preferem essa taxa fixa à variável, por saber quanto vão pagar em todo o plano”, afirma.

    Já o superintendente de vendas da VW Financial Services, Paulo Pinho, aponta que no primeiro momento, as taxas da mudança da TJLP para a TLP vão continuar as mesmas, com média de 1,2% ao mês. “Do ponto de vista do custo final, não muda, deve ficar igual ao que foi em 2017, considerando operações de empresas de grande porte”, explica. Neste caso, Finame e CDC ficam em condições muito próximas, similares”, acrescenta.

    Para Luiz Montenegro, presidente da Anef, associação dos bancos de montadoras, o Finame sempre teve vantagem em comparação às demais linhas de financiamento justamente por apresentar taxa com porcentual atraente para o empresário, seja ele autônomo ou grande frotista. “Tradicionalmente, o Finame é uma linha atrativa e deve continuar sendo, mesmo agora com a TLP compatível com juros de mercado”, analisa. “A TLP não vai mudar de uma hora para outra: tanto a linha do BNDES quanto as outras oferecidas pelo mercado vão estar muito competitivas, caberá ao cliente avaliar e escolher a melhor modalidade para o seu negócio dentro do prazo estipulado”, defende.

    O presidente da Anef afirma que o leasing, muito específico dentro das linhas de financiamento de veículos comerciais, pode vir a ser uma alternativa importante neste ano, mas ainda muito pontual. Dados do mercado financeiro apontam que o arrendamento mercantil, como também é denominado o leasing, não chega a 1,5% dos contratos de financiamento de veículos no Brasil, enquanto o CDC responde por mais de 85% (considerando os segmentos leve e pesados – leia aqui).