Ex-CEO da Audi é indiciado na Alemanha por causa do dieselgate

Rupert Stadler teria conhecimento dos veículos que emitiam poluentes acima dos limites legais

Por REDAÇÃO AB
  • 31/07/2019 - 14:43
  • | Atualizado há 2 months
  • um minuto de leitura

    O ex-CEO da Audi, Rupert Stadler, foi indiciado na quarta-feira, 31, em Munique, por seu envolvimento no escândalo dieselgate. Stadler foi preso em junho do ano passado porque a justiça alemã temia ocultação de provas sobre o desenvolvimento e utilização do software instalado em diferentes motores a diesel. Esses softwares também equiparam veículos Volkswagen, Porsche, Skoda e tinham como característica a capacidade de reduzir momentaneamente os níveis de emissões dos motores a diesel sempre que fossem plugados a dispositivos de controle de poluentes.

    Agora, os promotores de Munique apresentaram denúncias de fraude e propaganda enganosa. A alegação é de que Stadler teria sido parcialmente responsável pela decisão da Audi de vender os veículos a diesel com níveis de emissão artificialmente manipulados, o que permitiu à empresa cortar custos e enquadrar-se nos parâmetros de emissões estabelecidos nos Estados Unidos e também na Europa.

    Stadler é acusado de ter conhecimento sobre a manipulação feita pelo sofware e mesmo assim permitiu a fraude. Os promotores devem decidir se Stadler e outros acusados serão julgados. Tribunais alemães investigam 69 pessoas possivelmente envolvidas no dieselgate. Vale recordar que a fabricante do software, a Bosch, foi multada em € 90 milhões em maio de 2019 na Alemanha por ter fornecido 17 milhões desses componentes.

    De acordo com reportagem recente publicada no site Green Car Reports, a Audi teve envolvimento direto no dieselgate. No momento em que seus engenheiros desenvolviam uma nova geração de motores a diesel em 2007 e 2008, a equipe teria percebido que esses propulsores não atenderiam a regulamentações mais rigorosas nos Estados Unidos.

    “Não conseguiremos sem alguns truques sujos”, disse um dos engenheiros aos colegas, por e-mail, em janeiro de 2008. Essa mensagem foi obtida pelo jornal alemão Handelsblatt em uma investigação conjunta com a emissora Bayerische Rundfunk.