Exportações têm queda discreta em agosto, números seguem ruins

País exportou 28,1 mil veículos no mês, contra 29,1 mil em julho; no acumulado do ano a queda é bem maior: 41,3%

Por WILSON TOUME, PARA AB
  • 04/09/2020 - 15:05
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    De acordo com os números divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 4, as montadoras exportaram o total de 28.126 veículos em agosto, número ligeiramente inferior ao registrado em julho (29.126), o que representa redução de 3,4%, interrompendo assim a recuperação que vinha sendo observada mês a mês. Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, esse desempenho se deveu, basicamente, aos veículos enviados para o exterior para cumprir os contratos que já haviam sido assinados e cujas entregas estavam atrasadas devido à interrupção das atividades provocada pela pandemia.

    Em relação a agosto de 2019, quando foram exportadas 36.717 unidades, a retração é bem maior, de 23,4%, e a situação fica ainda pior ao se analisar os dados do acumulado do ano. Em 2019, 300.859 veículos produzidos no Brasil foram vendidos a países estrangeiros entre janeiro e agosto, enquanto no mesmo período deste ano o total é de apenas 176.746 automóveis, representando queda de 41,3%.

    Em valores, a redução no acumulado foi de 36,4%, com vendas de US$ 6,8 bilhões em 2019 e de US$ 4,3 bilhões neste ano. Moraes voltou a explicar que os principais países compradores de automóveis brasileiros estão enfrentando dificuldades com a Covid-19 e isso afeta o ritmo das exportações para esses mercados. Mas esse não é o único problema.



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    FALTA DE COMPETITIVIDADE PIORA O CENÁRIO PARA EXPORTAÇÕES



    O presidente da Anfavea aproveitou a apresentação para retomar o tema da falta de competitividade dos produtos nacionais por conta do chamado “custo Brasil” e exemplificou mostrando que, em 2019, os automóveis fabricados no País representaram apenas 11,4% do total de veículos vendidos na América Latina – excluindo México e Argentina. “Embora o Brasil tenha nos países latino-americanos o seu principal mercado de exportação, a presença de nossos veículos nesses mercados é muito pequena”, destacou Moraes. “Eu acredito que a nossa indústria precisa ter de 30% a até 50% de sua produção destinada à exportação, mas isso não é possível, não por falta de produtos, de capacidade produtiva e muito menos qualidade, e sim por conta da baixa competitividade”, afirmou.

    Assim como fez na entrevista on-line durante o #ABPLanOn, Moraes explicou que a anunciada queda na produção mundial – que segundo alguns analistas pode passar dos 91 milhões de veículos fabricados em 2019 para cerca de 70 milhões este ano – vai provocar uma enorme ociosidade das fábricas em todo o planeta. “Se a gente já tinha dificuldade de exportação por causa do custo Brasil, nós vamos ter de brigar ainda mais, porque as fábricas de outros países, mais competitivos e que não enfrentam os obstáculos que temos por aqui, terão mais chances de exportar, inclusive para a América Latina”, alertou.

    O presidente da Anfavea afirmou ainda que a entidade está trabalhando, em conjunto com outras associações e o governo, para apresentar propostas e soluções que possam ser implementadas rapidamente, a fim de reduzir o problema e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.