Fabricantes de pneus têm dificuldade para nacionalizar mais

Com rastreamento, insumo importado reduz abatimento de IPI do Inovar-Auto

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 24/03/2014 - 19:10
  • | Atualizado há 2 months
  • 59 segundos de leitura

    Um dos principais participantes da cadeia de suprimentos das montadoras de veículos, os fabricantes de pneus enfrentam dificuldades para aumentar o nível de nacionalização de seus produtos, para dessa forma ajudar seus clientes a elevar as compras nacionais e abater a soma do IPI extra criado pelo Inovar-Auto. O problema é a grande quantidade de insumos importados. Exemplo maior disso é a borracha natural, que compõe 50% da formulação de um pneu e tem no País apenas 30% da demanda atendida por fornecedores nacionais, os outros 70% são importados.

    Com a adoção desde fevereiro passado (ainda em caráter experimental) do rastreamento de insumos e autopeças até o segundo nível de fornecimento (tier 2), para monitorar o grau de nacionalização dos componentes usados na produção de veículos no País, governo e montadoras passaram a pressionar por maior nacionalização dos itens fornecidos. “Não estávamos envolvidos nas negociações do Inovar-Auto, mas com o rastreamento vamos precisar informar o quanto de cada produto é importado e querem estudar formas de aumentar o conteúdo nacional”, conta Renato Baroli, gerente sênior de vendas e marketing da Sumitomo Rubber do Brasil, empresa proprietária da marca Dunlop, que em outubro passado inaugurou sua primeira fábrica no Brasil (leia aqui).

    As negociações estão sendo feitas entre a Anip, a associação dos fabricantes de pneus, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Estão nos pedindo para aumentar a nacionalização mas temos de estudar quais vantagens teremos com isso”, diz Baroli. Ele alerta, inclusive, que usar mais insumos nacionais poderá encarecer os pneus.