Fábricas de Manaus montam mais de 100 mil motos pelo 4º mês seguido

Empresas já produziram 568,9 mil unidades no primeiro semestre, melhor resultado para o período desde 2015

Por MÁRIO CURCIO, PARA AB
  • 08/07/2021 - 16:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 2 minutos de leitura

    As fábricas de motos vêm superando desde março a casa das 100 mil unidades e montaram em junho outras 105,4 mil motocicletas, 1,6% a mais que em maio. No acumulado do ano o Brasil já fabricou 568,9 mil motos, o maior volume para o período desde 2015. A comparação com a primeira metade do ano passado indica alta de 45%. Os números foram divulgados na quinta-feira, 8, pela Abraciclo, associação que reúne os fabricantes instalados em Manaus (AM).

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    “Ainda trabalhamos para atender a uma demanda reprimida. Todas as fábricas operam para recuperar parte do atraso registrado no primeiro bimestre devido à crise sanitária enfrentada em Manaus”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.



    O executivo se refere às filas de espera por modelos de baixa cilindrada, em média de 40 dias. A previsão atual da associação é de 1,06 milhão de motos produzidas em 2021. Fermanian admite a possibilidade de revisar as projeções para cima, mas adverte: “Também existem fatores como aumento dos juros, do índice de desemprego e diminuição da renda dos brasileiros, que ainda podem impactar o mercado”, recorda.

    É provável que a Abraciclo solte a nova projeção em agosto, quando já souber o tamanho do impacto das férias coletivas de julho na produção anual. “Além disso, precisamos avaliar se o que temos hoje é uma demanda cíclica, em função da redução da produção, ou se é algo sustentável”, diz o presidente da associação.

    LINHA 2022 ELEVA VENDAS NO ATACADO



    No mês de junho as fábricas enviaram às concessionárias 109,4 mil motos. Este foi o segundo melhor mês no atacado, atrás apenas de março, quando a rede absorveu quase 117 mil unidades. A comparação com maio indica alta de quase 10%. Esse crescimento foi puxado pela Honda, que lançou a linha 2022 de diferentes motos, entre elas a CG 160, a mais vendida do País.

    Nesta primeira metade de 2021 as montadoras já enviaram às lojas 535 mil motos, anotando alta de 41,9% sobre iguais meses do ano passado, em que as vendas despencaram com o fechamento das lojas. Como exemplo, em abril de 2020 as concessionárias compraram em todo o País apenas 5,2 mil motos. Em 2021 o pior mês foi janeiro, com 47,4 mil motos repassadas às concessionárias.

    EM SEIS MESES, SÓ 26,3 MIL MOTOS EXPORTADAS



    A exportação em junho repetiu o resultado de maio, com 4,4 mil unidades enviadas ao exterior. No semestre os embarques somaram 26,3 mil motos. A comparação com o primeiro semestre indica alta de quase 150%, mas sobre uma base muito fraca, já que o comércio internacional em 2020 começou ruim por causa da crise argentina e foi agravado pelos efeitos da pandemia de Covid-19.

    A Argentina ainda é o principal comprador de motos brasileiras, mas nestes seis meses o Brasil só enviou para lá 8,3 mil unidades. O mercado interno absorve mais que isso em dois dias úteis. Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior destino e compraram nestes seis meses 5,8 mil unidades do Brasil. Segundo a Abraciclo, os modelos fora de estrada brasileiros são os mais exportados.

    EMPLACAMENTOS: QUASE COMO NO PRÉ-COVID



    Em junho foram emplacadas 106,8 mil motos, apenas 3,3% a menos que em maio, que foi o melhor mês do ano. Em ambos, a média diária de emplacamentos superou as 5 mil unidades, o melhor patamar deste ano. No acumulado do ano, as 517,4 mil motos emplacadas resultaram em alta de quase 50% sobre iguais meses do ano passado.

    E a comparação com o primeiro semestre de 2019, ainda sem o impacto da pandemia (530,1 mil motos), resulta em pequena queda de 2,4%, uma diferença de menos de 13 mil unidades. Os serviços de entrega continuam movimentando o mercado de motos novas e também de usadas, cujas vendas aumentaram mais de 60% no semestre (leia aqui).