Finame de caminhão deve baixar valor nacional

Medida equaliza desvalorização cambial que elevou preço de peças importadas

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 26/08/2016 - 18:32
  • | Atualizado há 2 months
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    O BNDES estuda a redução do valor mínimo de peças nacionais exigido para credenciar veículos comerciais ao Finame, linha de financiamento com a taxa de juro mais barata do mercado, responsável por viabilizar cerca de 65% das vendas de caminhões e ônibus no País. Atualmente a exigência de nacionalização é de 60% em peso e valor do bem. Contudo, a desvalorização cambial ocorrida nos últimos dois anos aumentou o preço em reais da parcela de componentes importados dos veículos, o que em alguns casos inviabilizou a aprovação do crédito para certos produtos com maior porcentual de peças estrangeiras. Por isso os fabricantes, representados pela Anfavea, solicitaram ao banco o estudo de uma solução para o problema, que tem potencial para ampliar ainda mais a profunda depressão vivida pelo setor, que trabalha com ociosidade de até 80% nas fábricas.

    “Com a desvalorização do real cresceu muito o valor em reais dos componentes importados e alguns produtos que estavam credenciados para o Finame foram descredenciados. Por isso pedimos uma alternativa para o BNDES corrigir essa distorção”, explica Antonio Megale, presidente da Anfavea. Ele assegura que a motivação não ocorre por falta de peças nacionais e a “intenção não é reduzir o conteúdo nacional dos veículos, até porque o que se quer no momento é justamente o contrário, aumentar a nacionalização para cortar custos de importações”, ele diz. O volume exigido de peças nacionais em peso permaneceria o mesmo, 60%, a mudança de porcentual seria só aplicada ao valor, inflado pela alta do dólar.

    Megale não informa qual a redução pleiteada ao BNDES, mas algumas fontes confirmaram a Automotive Business que o pedido é que a exigência de nacionalização em valor seja baixada para 55% a 50% por um período de cerca de um ano, o que seria suficiente para compensar a desvalorização do real. O presidente da Anfavea espera que a correção seja aceita e adotada pelo banco no horizonte dos próximos 30 dias. Mas Megale afirma que essa seria uma solução temporária, de emergência, até que uma nova fórmula possa ser definida para o Finame. “Isso faz parte dos nossos apelos por aumentar a previsibilidade do ambiente de negócios, para que as empresas possam planejar seu futuro”, pondera.

    Atualmente a medição de conteúdo nacional dos produtos financiados pelo Finame é feita pela média da cotação do dólar ao longo de um ano, para evitar as variações que ocorrem abruptamente mês a mês. Como o real se desvalorizou diante do dólar consistentemente quase 50% nos últimos dois anos, impactou diretamente o cálculo do programa. “Não faz sentido que um caminhão que estava credenciado ao Finame não esteja mais por causa do câmbio. É necessário mudar essa fórmula e para isso é preciso uma discussão com maior profundidade, para adotar uma solução definitiva”, afirma Megale.