Ford tem prejuízo de US$ 1,3 bi em 2020; promete investir US$ 22 bi em eletrificação

O elétrico Mustang Mach-E: Ford aposta quase todas as fichas na eletrificação para voltar ao lucro

Por REDAÇÃO AB
  • 09/02/2021 - 16:36
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    O ano de pandemia aprofundou os problemas da Ford e transformou o insignificante lucro líquido de US$ 84 milhões em 2019 em um pesado prejuízo líquido de US$ 1,3 bilhão em 2020. A empresa só conseguiu fechar o balanço no campo positivo na América do Norte, registrando EBIT (sigla em inglês para ganhos antes de juros e impostos) de US$ 3,6 bilhões, ainda assim em queda de 45% sobre o ano anterior.





    O resultado global foi puxado para baixo por EBIT negativo na Europa (-US$ 834 milhões), América do Sul (-US$ 491 milhões), China (-US$ 501 milhões) e mercados internacionais (-US$ 165 milhões), fechando o ano com EBIT positivo de US$ 1,63 bilhão, que foi insuficiente para cobrir todas as despesas com pagamentos de juros e gastos com encerramento de operações – o caso mais emblemático foi o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) anunciado no início de 2019 e concluído no ano passado, que resultou em indenizações a fornecedores, concessionários de caminhões e funcionários demitidos.

    Em 2020 o faturamento global das operações automotivas da Ford somou US$ 115,9 bilhões, em queda de 19% sobre 2019, com retração em todas as regiões – a maior delas na América do Sul (-37%, para US$ 2,5 bilhões) e a menor na China (-11%, US$ 3,2 bilhões). O volume de vendas no mundo atingiu 4,2 milhões de unidades, em baixa de 22% na comparação com o ano anterior. Só houve crescimento, de 15%, na China, com a comercialização de 617 mil veículos. Nas demais regiões os volumes caíram de 38% (América do Sul, 185 mil) a 25% (América do Norte, 2 milhões).

    GASTOS PARA PARAR DE PERDER NA AMÉRICA DO SUL E NO BRASIL



    Consta no balanço de 2020 o direcionamento de US$ 1,16 bilhão para encerrar atividades de manufatura no Brasil. O fim da produção em outras três plantas brasileiras anunciado em janeiro passado (leia aqui) não está ainda incluído neste valor, deverá originar gastos adicionais bem maiores, calculados pela própria Ford em US$ 4,1 bilhões e que especialistas avaliam que pode ser bastante acima disso.

    Ao fim de 2020 a “Ford reduziu a perda de EBIT na América do Sul pelo quinto trimestre consecutivo, então em janeiro foram tomadas ações mais fortes para enfrentar a persistente fraqueza da demanda e outras questões econômicas regionais”, diz o comunicado da empresa. “A Ford Brasil decidiu encerrar a produção em três plantas no País. A companhia irá agora atender consumidores no Brasil e na América do Sul com serviços conectados e veículos – incluindo modelos eletrificados – originados em outros mercados”, completa.

    FORD PLANEJA INVESTIR US$ 29 BILHÕES EM ELETRIFICAÇÃO E VEÍCULOS AUTÔNOMOS



    Em mensagem ao mercado, a Ford indica que espera reduzir prejuízos e retornar ao lucro nos próximos anos com sua transformação global, dobrando a aposta na eletrificação e desenvolvimento de veículos autônomos, conforme promete Jim Farley, CEO global do grupo.

    “A transformação da Ford está acontecendo assim como nossa liderança na revolução de veículos elétricos e desenvolvimento de direção autônoma. Estamos agora alocando US$ 29 bilhões em capital e talentos a estas duas áreas, para oferecer aos clientes altos volumes de picapes, vans e SUVs elétricos e conectados”, disse Jim Farley.



    Os investimentos mencionados pelo executivo envolvem US$ 22 bilhões no desenvolvimento e lançamento de veículos conectados e eletrificados até 2025. O valor é o dobro do que estava previsto anteriormente. “Estamos acelerando nossos planos, quebrando barreiras, aumentando a capacidade de baterias, melhorando os custos e colocando mais modelos elétricos no nosso planejamento de produtos”, afirmou Farley.

    O foco será em SUVs, picapes e vans movidos a bateria. O primeiro da lista de lançamentos será o SUV elétrico Mustang Mach-E, que chega ainda este semestre. Ele será seguido até o fim de 2021 pela van elétrica E-Transit e pela versão BEV (Battery Electric Vehicle) da picape F-150, que chega no meio de 2022. Também está prevista a eletrificação de modelos Lincoln, marca de luxo da Ford.

    Conforme cresce a importância de veículos elétricos no portfólio, a Ford está aumentando a capacidade de produção dedicada aos BEVs em suas plantas. Até o momento, a empresa já está produzindo ou irá produzir modelos elétricos nos Estados Unidos, em Michigan a picape F-150 e no Missouri a van E-Transit, duas fábricas no Canadá (SUVs), além de México e China onde será fabricado o Mach-E.

    A fabricante prevê aumentar significativamente a oferta de carros conectados com novas funcionalidades. Nesse sentido, o contrato assinado recentemente de parceria de seis anos com a Google deverá desenvolver novas experiências em produtos e serviços, além de abrir oportunidades de negócios baseados em dados.

    Para o desenvolvimento de sistemas de direção autônoma dentro das iniciativas da Ford Mobility, a empresa vai direcionar US$ 5 bilhões adicionais entre 2021 e 2025, que se somam aos US$ 2 bilhões já investidos nos últimos cinco anos.