Fórum pede pacto para alavancar competitividade

Expectativa do setor automotivo é enviada ao governo.

Por Redação AB
  • 12/04/2011 - 13:03
  • | Atualizado há 2 months
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    Redação AB

    Resultado das pesquisas

    O II Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 11, no Golden Hall do WTC, em São Paulo, reuniu 677 profissionais relacionados à indústria automobilística para analisar a competitividade das empresas do setor e propor soluções visando à consolidação do parque industrial. Em resposta a pesquisa eletrônica em tempo real, 73,5% dos participantes da votação concordaram que há um grande senso de urgência em estimular as empresas da cadeia de produção. Apenas 4,1% declararam que as soluções devem ser analisadas sem precipitação e outros 22,4% recomendaram que a implementação deve ser progressiva.

    O que barra, afinal, o avanço dos programas em andamento? Segundo o levantamento, há conflitos de interesses na cadeia (36% das respostas), baixa capacidade de gestão e vontade política do governo (26%), concorrência de outros segmentos industriais (20%) e desinteresse das multinacionais que dominam o setor. Nada menos de 61% dos votantes entenderam que um programa de competitividade setorial deve começar por meio de um pacto setorial, como uma câmara setorial reunindo todas as partes envolvidas, e 55% deixaram claro que a capacidade de competir só pode ser recuperada com um amplo pacto nacional liderado pelo governo.

    55,8% dos votantes destacaram que os veículos produzidos no Brasil têm baixo conteúdo perto dos importados, enquanto 25,6% entenderam que atendem as necessidades e o poder de compra locais e 16,3% disseram que os produtos podem evoluir rapidamente para serem competitivos. Apenas 2,3% afiram que os veículos nacionais são ‘carroças’ para competir aqui ou lá fora.

    A pesquisa indicou ainda, com metade dos votos no quesito, que os diagnósticos sobre queda de competitividade foram feitos e as dificuldades são bem conhecidas. Outros 38,8% dos votos recomendam que os diagnósticos sejam refeitos já, com energia, recursos e objetivos claros.

    A evolução do Mercosul Automotivo foi vista de diferentes prismas. 31,1% acreditam que o bloco nunca existiu de fato como entidade, 33,3% entendem que ele só avançará após a solução dos problemas de competitividade na região, 28,9% disseram que ele não decolou porque a Argentina só quer solucionar seus próprios problemas.

    O resultado da pesquisa foi encaminhado ao MDCI, por meio de Paulo Bedran, diretor do Departamento de Indústrias de Equipamento de Transporte, SDP.

    Fórum

    O fórum teve o patrocínio de 30 empresas do setor e a presença em palestras e debates de representantes do governo, Anfavea, Fenabrave, Sindipeças, SAE Brasil, AEA, PricewaterhouseCoopers, Bradesco e executivos das principais fabricantes de veículos leves e comerciais.

    Paulo Bedran anunciou, no painel de encerramento do encontro, que o governo prepara um pacote de medidas, reunidas no Programa de Desenvolvimento da Competitividade. O setor automotivo será um dos contemplados com os incentivos, bem como o segmento de petróleo e gás, eletrônica e química. Haverá estímulo também à área de combustíveis alternativos.

    O representante do governo nos debates disse que é difícil reeditar uma câmara setorial. Para ele, os fóruns de competitividade atuais representam um caminho adequado para as discussões. Bedran, no entanto, aceita a idéia de um ‘pacto’ para endossar as respostas à necessidade de garantir novo patamar de competitividade ao setor automotivo.

    Sergio Reze, presidente da Fenabrave, faz a palestra de abertura. Capa da edição mais recente da revista Automotive Business, ele disse que o Brasil tem uma das melhores rede de distribuição de veículos do mundo e produz automóveis perfeitamente adequados à realidade local.

    Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC e da JAC Motors Brasil, concedeu entrevista a fim de explicar a decisão de importar veículos chineses e os desafios para estruturar a operação no País, que inaugurou 50 revendas simultaneamente e contratou o apresentador Faustão como garoto-propaganda da marca.

    Fernando Honorato Barbosa, economista coordenador do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco, analisou os cenários da economia. Marcelo Cioffi, sócio-diretor da PricewaterhouseCoopers, apresentou o panorama da indústria automobilística global e um diagnóstico sobre competitividade no Brasil. Para ele, os investimentos programados não são suficientes para atender a forte demanda nas vendas de veículos, havendo espaço para importação.

    Os presidentes Carlos Gomes, da PSA Peugeot Citroën, e Marcos de Oliveira, da Ford, participam de painel de debates com os editores de Automotive Business para avaliar as tendências na indústria automobilística. Houve sessão também com a presença de Alexander Seitz, vice-presidente de compras para a América do Sul da Volkswagen, Orlando Cicerone, diretor de compras da GM América do Sul, João Pimentel, diretor de compras da Ford, e Osias Galantine, diretor de compras do Grupo Fiat. Em uníssono os quatro garantiram que dão prioridade às compras de componentes no Brasil.

    As perspectivas para o segmento de veículos comerciais foram debatidas em painel coordenado pelos jornalistas Paulo Ricardo Braga e Jairo Morelli, com a presença de Alcides Cavalcanti, diretor de vendas e marketing da Iveco, Gilson Mansur, diretor de vendas de veículos comerciais da Mercedes-Benz do Brasil, Oswaldo Jardim, diretor de operações da Ford Caminhões, e Ricardo Alouche, diretor de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America. Os executivos das quatro principais fabricantes de caminhões e chassis de ônibus destacaram que as soluções para a comercialização de veículos Euro 5 a partir de janeiro estão prontas e disseram estar confiantes na disponibilidade de diesel de boa qualidade, junto com o Arla 32, produto para tratamento de emissões.

    Letícia Costa, diretora da Prada, Paulo Butori, presidente do Sindipeças, e Flávio Del Soldato, conselheiro da entidade e diretor da Automotiva Usiminas, analisaram as questões que fragilizam o setor de autopeças e destacaram a urgência na definição de medidas para amenizar os problemas na cadeia de suprimentos. “É indispensável estimular o setor prontamente”, alertou Del Soldato. Ao lado de Vagner Galeote, presidente da SAE Brasil, eles enfatizaram a importância da pesquisa e inovação para a competitividade da indústria automobilística e a necessidade de se implantar programas para determinar o conteúdo local de sistemas automotivos.

    Um dos destaques do fórum foi um workshop para aproximar diretores e gerentes das montadoras nas áreas de compra e engenharia com os participantes do encontro. Trinta profissionais das fabricantes de veículos leves e pesados estiveram presentes.

    O painel de encerramento, que teve a coordenação dos jornalistas Paulo Ricardo Braga e Pedro Kutney, reuniu Marcos Vinicius Aguiar, diretor da AEA, Luis Moan, vice-presidente da Anfavea, Paulo Petroni, sócio-diretor da PricewaterhouseCoopers, e Paulo Bedran, diretor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.