Freudenberg-NOK: maior expansão em 40 anos

Unidade brasileira ganhou missão de criar e fabricar peças para Brasil e região

Por CAMILA FRANCO, AB
  • 26/03/2014 - 13:10
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Mesmo diante de expectativas negativas de George Rugitsky, presidente da Freudenberg-NOK - ele acredita que a produção brasileira de veículos e de autopeças deverá sofrer retração este ano -, a fabricante de peças de vedação e controle de vibrações passa por sua maior expansão desde 1976 no País. A empresa fornece componentes para diversas indústrias, mas a automotiva é a maior cliente, consumindo 60% do total produzido.

    A fábrica brasileira da Freudenberg-NOK, localizada em Diadema, no ABC paulista, recebe grande parte do investimento de R$ 40 milhões destinados pelo grupo à América do Sul em 2013. Isso porque ganhou a missão de atender padrões mundiais de manufatura e de torna-se um centro de competência, capaz de desenvolver e fabricar com autonomia componentes para o mercado local e também para exportação. Até então, a empresa apenas montava projetos de autopeças desenvolvidas no exterior.

    Há pouco mais de um ano, com a ampliação de todas as áreas da fábrica, a produção de peças na unidade aumentou 25%, segundo Rugitsky, que não revela o volume total montado. Até 2016, o objetivo é construir laboratórios de engenharias para desenvolvimento de novos produtos.

    “Apesar do cenário de autopeças não ser tão bom, tivemos um déficit comercial de quase R$ 10 bilhões em 2013, o Grupo Freudenberg está apostando em mercados com potencial de crescimento, como o Brasil”, explica Rugitsky, que também é conselheiro do Sindipeças. “Nós temos espaço para sermos mais competitivos, driblando problemas como altos custos com mão-de-obra e matérias-primas, além da alta inflação. É aí que a Freudenberg aposta na automatização de seus processos para ser mais competitiva. Nossa presença em mercados ricos já é forte. Temos de fortalecer as operações nos mercados em crescimento para aumentar nosso faturamento global (que foi acima dos € 3,4 bilhões em 2011).”

    O que motivou a emancipação da unidade brasileira, segundo o presidente, não foi o Inovar-Auto, o novo regime automotivo desenhado para aumentar a competitividade da indústria local, mas a necessidade de crescer gastando o menos possível. A solução encontrada é a melhoria dos processos. “Temos uma fábrica praticamente nova e que no momento certo ajudará as montadoras atender o novo regime”, comemora o executivo.

    EVOLUÇÃO

    A reportagem de Automotive Business foi conferir o que mudou na unidade. Com mais de 40 anos, a planta de Diadema mostra em sua história a necessária evolução do setor brasileiro de autopeças. Hoje são 460 empregados em seus tem 28 mil metros quadrados, sendo 14 mil de área construída. “Há 15 anos tínhamos mais de 470 funcionários. Hoje temos menos, mas produzimos seis vezes mais em três turnos de trabalho”, aponta Rugitsky.

    As mudanças na fábrica começaram há um ano e meio, sem nenhuma interrupção da produção. Neste intervalo, Mauro Frangipani, que estava em outra empresa nos Estados Unidos, foi convidado para dirigir as operações da planta. “Encontrei uma fábrica antiga, com pouca iluminação, que não seguia padrões globais e tinha deficiências em vários processos produtivos. Máquinas antigas de outras regiões eram substituídas e acabavam vindo para cá”, comenta o diretor de operações da planta.

    O processo tem sido trabalhoso, segundo o diretor, mas está sendo realizado dentro do prazo previsto. “Temos que pensar em tendências mundiais, tentar substituir matérias-primas escassas, diminuir os impactos ambientais e baratear o produto sem afetar a qualidade.”

    Frangipani conta que a área de preparação da borracha das peças de vedações recebeu equipamentos mais modernos para mistura das matérias-primas. Há um mês, é capaz de produzir três vezes mais.

    Os estoques também mudaram. Um deles guarda peças de motos, carros, caminhões e máquinas direcionadas ao mercado de reposição. O outro aloca componentes que serão entregues às montadoras, como Mercedes-Benz, General Motors, Ford, Volkswagen e Fiat. Tudo está melhor organizado porque agora a planta segue o conceito de produção just in time. A ideia é estocar quantidades mínimas de peças. Mas a maioria delas ainda vem de outras unidades: 60%.

    A área de fabricação de juntas para cabeçotes, tampas de motor e amortecedores, em operação há três anos, ainda está sendo expandida. As máquinas antigas dividem espaço com as novas, que chegam aos poucos. No total, serão seis máquinas modernas para dobrar a produção.

    A linha de retentores é a maior da Freudenberg-NOK e também a mais antiga. Nela, cada um dos 300 funcionários produz mais de 800 peças por dia. Só em uma estação de trabalho ficavam dez pessoas. Agora, com as novas máquinas sendo instaladas, cada célula ficou com duas pessoas.

    Boa parte das pessoas que não trabalham mais na linha de retentores foi aproveitada em uma novo processo produtivo. Elas foram direcionadas para fabricação de coifas para semieixos, linha inaugurada no início deste ano. Esta área contará até 2016 com seis máquinas alemãs capazes de produzir coifas termoplásticas evitando a perda de matéria-prima.

    Com esta expansão, o Grupo Freudenberg espera dobrar o faturamento na América Latina até 2016. Em 2012, sua receita foi de R$ 619 milhões somente no Brasil - o resultado de 2013 ainda não foi consolidado.

    Confira a visita de Automotive Business à fábrica brasileira da Freudenberg-NOK: