Freudenberg prepara expansão no Brasil

Apoio ao crescimento na América do Sul: Bicalho (primeiro à esquerda) coordena as atividades do recém-inaugurado centro regional do Grupo Freudenberg no Brasil.

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 16/07/2013 - 20:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Após período de expressivo crescimento no Brasil, o Grupo Freudenberg espera manter expansão em torno de 8% ao ano no País – como aconteceu em 2012, quando o faturamento de R$ 619 milhões representou elevação de 8,6% sobre 2011. O objetivo é avançar mais 50% até 2020, para aumentar dos atuais 5% para 8% a participação na receita mundial da companhia (€ 6,3 bilhões em 2012). O setor automotivo, que hoje responde por 40% das vendas no mercado brasileiro, representa o principal foco de ampliação de plantas industriais e novas oportunidades de fornecimento, tanto para montadoras como para o aftermarket.

    “Esperamos que vamos continuar a crescer acima da média do mercado não só por causa da expansão da produção de veículos e da frota nacional, mas também porque estamos conseguindo vencer concorrências importantes para fornecimento de novos produtos às montadoras”, diz Alexandre Bicalho, coordenador do recém-inaugurado Freudenberg Regional Coorporate Center South America (FRCC SA), localizado em Alphaville (Barueri, SP) – o terceiro do mundo da companhia, criado após os centros regionais na China e Índia.

    “O objetivo do centro é dar apoio às diversas unidades de negócios do grupo nas regiões onde se espera maior crescimento dos negócios”, explica Bicalho, que acumula a posição de chefe financeiro (CFO) da Freudenberg-NOK no Brasil, divisão que produz em Diadema (SP) peças de vedação e controle de vibrações para diversos tipos de aplicação em veículos, como motores, transmissões e eixos.

    Segundo o executivo, para atender ao crescimento planejado todas as divisões do grupo investem em expansão de plantas e modernização, incluindo a abertura de novas fábricas no horizonte até 2020. Os investimentos somaram R$ 35 milhões em 2012 e devem chegar a R$ 40 milhões este ano. “Com o aumento da demanda teremos de ampliar operações e abrir novos sites. Também estamos automatizando mais nossas linhas de produção, para ganhar competitividade”, afirma Bicalho. Ele destaca, por exemplo, a compra de misturadores para a unidade da Freudenberg-NOK, para produzir aqui elastômeros (elementos flexíveis) que eram importados.

    OPORTUNIDADES

    O novo centro regional concentra atividades dos departamentos jurídico, financeiro, de recursos humanos, comunicação corporativa e tributos. “Todas as divisões continuam a atuar de forma independente, a ideia não é centralizar a administração. O nosso papel é dar apoio à estratégia de crescimento do grupo”, destaca Bicalho. Entre essas funções estratégicas, conforme explica o executivo, está levantar as possibilidades de novos negócios trazidos pela política industrial do setor automotivo, o Inovar-Auto, ou mesmo negociar a localização de novas fábricas.

    Bicalho diz que o Inovar-Auto traz novas oportunidades para a Freudenberg no País, mas a empresa ainda avalia de que forma poderá atender às demandas dos clientes criadas pelas exigências da política industrial. Ele cita o exemplo de um novo selo de borracha que reduz o atrito no motor e traz economia de combustível, uma das exigências do regime automotivo. “Já fornecemos esse produto globalmente e estudamos a possibilidades, entre tantas outras, de fornecer aqui também.”

    Uma das vantagens da presença global da Freudenberg é a participação em projetos mundiais dos fabricantes de veículos, que acabarão sendo desenvolvidos no Brasil também. “Claro que esse fator ajuda a ganharmos participação em todos os países onde estamos presentes. Atualmente o mercado brasileiro está associado a essa globalização”, diz o executivo.

    Das quatro divisões do grupo alemão, só a unidade de utensílios de limpeza doméstica não está presente no Brasil. Todas as outras três têm operações locais e, em maior ou menor grau, fornecem autopeças e insumos para sistemistas, montadoras e mercado de reposição com a marca Corteco (braço de aftermarket da Fraudenberg-NOK). Aqui a empresa fornece selos, componentes de controle de vibração, filtros, não-tecidos (revestimentos e telas), agentes desmoldantes e lubrificantes para quase todos os fabricantes de carros. Cinco fábricas no Estado de São Paulo atualmente atendem a cerca de 70% da demanda nacional de componentes da Freudenberg destinados ao setor automotivo: a Freudenberg-NOK em Diadema, a Não-Tecidos e a Filtration em Jacareí, além de duas plantas da joint venture TrelleborgVibracoustic (controle de vibração, como coxins de motor), uma em Taubaté e outra em Guarulhos.