Geração Y traz desafios e oportunidades para a indústria automotiva

Camilo Rubim, VP de vendas automotivas T-Systems, Maurício Muramoto, diretor Deloitte

Por GIOVANNA RIATO, AB
  • 18/08/2014 - 15:30
  • | Atualizado há 2 months
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    A indústria automotiva tem como um de seus desafios nos próximos anos agradar e atrair o novo consumidor, que hoje tem entre 20 e 37 anos e integra a geração Y. Esse grupo reúne dois bilhões de pessoas no mundo, cerca de 60 milhões delas no Brasil, o correspondente a 29% da população. Os dados foram apresentados durante o Workshop Planejamento 2015, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 18, no Hotel Hyatt, em São Paulo.

    Maurício Muramoto, diretor da Deloitte, enfatizou que a nova geração de consumidores está muito mais interessada em compartilhar do que em ter certos produtos. “A propriedade já não é mais tão importante”, avalia. O especialista citou como exemplo desse novo perfil sites como Couchsurfing, em que pessoas buscam hospedagem na casa de outras em várias cidades do mundo, sem a obrigação de fazer qualquer pagamento por isso. “É uma forma diferente de pensar, conhecer pessoas e fazer contatos.”

    Ao mesmo tempo em que busca atender a geração Y, a indústria terá de administrar outras transformações. Entre elas Muramoto cita o crescimento dos marcos regulatórios, principalmente dos voltados à melhoria da eficiência energética. Além disso há questões como a globalização, com destaque para o crescimento dos mercados emergentes, e ainda o que o especialista chama de “hiperurbanização”, que vai exigir ações inovadoras principalmente na área de transportes.

    O diretor da Deloitte acredita que se intensificará o aproveitamento dos vários meios de transporte nas grandes cidades, com o uso de sistemas de compartilhamento de carros, bicicletas, ônibus e metrô. “É o transporte social, que leva em conta tempo, custo e qualidade de vida.”

    O vice-presidente de vendas da T-Systems para o setor automotivo, Camilo Rubim, concorda que o cenário é de transformação. Segundo ele, o mercado global passou por uma série de momentos importantes: a era da manufatura, a da distribuição e a da informação. Agora, desde 2010, o mundo vive o que ele chama de era do cliente. O momento permite a interação do cliente com a empresa, mais transparência nas relações, produtos customizados e que se comunicam com o consumidor. Como exemplo disso o executivo cita a Nike, que interage com os clientes por meio de aplicativo e rede social voltada aos esportes.

    “O mundo digital é a revolução do consumidor”, explica. Rubim cita dados que mostram o papel cada vez mais importante da internet nas relações comerciais. Segundo ele, hoje mais de 60% das pessoas comparam preços por meio do smartphone antes de comprar um produto. Parcela de 60% dos clientes compra online e, no Brasil, 45% dos consumidores se declararam inclinados a comprar o próximo carro na internet.

    Rubim aponta que o público jovem busca simplicidade e velocidade, características que hoje a indústria automotiva ainda não oferece com tanta frequência. “Coca-Cola e McDonalds sempre estiveram entre as marcas mais valiosas do mundo. Hoje as primeiras posições do ranking estão com Apple e Google. A indústria automotiva só aparece a partir da décima posição, ocupada pela Toyota.”