GM nega atraso de novo projeto no Brasil

Carro compacto poderia ser fabricado em São José dos Campos

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 26/01/2015 - 20:00
  • | Atualizado há 2 months
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    Apesar de há quase dois anos ter negociado incentivos fiscais e um acordo com os trabalhadores para viabilizar um novo investimento da ordem de R$ 2,5 bilhões na fábrica de São José dos Campos (SP) (leia aqui), desde maio de 2013 a General Motors não deu mais notícias sobre os planos de produzir no Brasil um carro compacto global. Apesar de todo esse tempo, a empresa nega que os planos tenham sido adiados: “Não houve adiamento e não temos nenhum anúncio a fazer no momento”, esquivou-se Dan Ammann, presidente de operações globais da GM, que esteve na sede da empresa no País na segunda-feira, 26, para a inauguração do novo centro de armazenamento de peças da fábrica de São Caetano do Sul (leia aqui).

    Ammann garantiu que a situação desfavorável do mercado brasileiro não é responsável pela demora no anúncio do projeto, que segundo apurou Automotive Business já foi inclusive negociado algumas vezes com diversos fornecedores da GM, primeiro com o nome-código Jade e, mais recentemente, Âmbar (leia aqui). “Provavelmente teremos mais um ano difícil no Brasil em 2015, mas não é isso que influencia os nossos investimentos, olhamos para o longo prazo e não a situação atual”, disse o executivo.

    O projeto do carro popular não está contemplado no investimento de R$ 6,5 bilhões anunciados pela GM em 2014 para ser aplicado até 2018 em modernização de fábricas e nacionalização de componentes. Segundo já havia confirmado o presidente da GM Brasil, Santiago Chamorro, a produção de um modelo completamente novo exigiria aportes adicionais da companhia (leia aqui).

    PROJEÇÕES

    A GM espera para 2015 um ano igual a 2014 no Brasil. “Estimamos que o mercado interno vá consumir cerca de 3,5 milhões de veículos, com desempenho melhor no segundo semestre”, avalia Chamorro.

    Com o resfriamento das vendas, no início do ano a GM ampliou o número de funcionários afastados da produção, com suspensão temporária dos contratos de trabalho (layoff). Em São Caetano existem 950 funcionários em licença e outros 930 em São José dos Campos. Segundo Chamorro, não há garantias que a empresa possa trazer todos de volta quando terminar o prazo legal máximo de layoff, de cinco meses: “Eu espero que sim, mas precisamos esperar para ver como fica a situação. O que estamos negociando em conjunto com a Anfavea é a adoção de um prazo maior de afastamento, pois o mercado pode demorar mais do que cinco meses para se recuperar”, afirma.

    Assista abaixo a entrevista exclusiva de Santiago Chamorro a ABTV