Great Wall decide seu futuro no Brasil até setembro

Empresa já tem cadastro na Junta Comercial de São Paulo e descartou sociedade com parceiro local

Por BRUNO DE OLIVEIRA, AB
  • 28/07/2021 - 13:40
  • | Atualizado há 1 month, 1 week
  • 3 minutos de leitura

    A Great Wall está próxima de decidir qual caminho seguirá na América do Sul, mercado que integra seu planejamento de internacionalização. Nos próximos dois meses, segundo fonte ouvida por Automotive Business, a empresa baterá o martelo sobre aquele que seria o ponto mais estratégico do plano, que é a produção local de veículos, que pode ocorrer no Brasil.

    "Houve todo um processo de estudo nos últimos anos e agora está na mesa da matriz as opções de locais para se instalar uma unidade fabril. Dentro de dois meses isso estará resolvido. A análise considera o Brasil e também oportunidades em outros países na região que nunca foram descartados", disse a fonte à reportagem.



    O que sim está descartado é a entrada no mercado sul-americano por meio de um parceiro comercial local, assim como ocorreu no caso da Chery que, em 2017, se estabeleceu no mercado brasileiro com produção local com a costura de sociedade com o Grupo Caoa, liderado pelo empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade.

    "Produzir no Brasil seria uma forma de se proteger do câmbio valorizado, ainda que a força produtiva da Great Wall na China consiga proporcionar escala suficiente para manter os custos competitivos aqui. Por outro lado, há países onde o custo de produção é mais atrativo do que no Brasil, segundo a análise feita pela equipe da montadora", explicou a fonte.

    De acordo com essa fonte, a compra da fábrica desativada da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) ainda não está confirmada, como afirmou reportagem do jornal O Globo. Ela garantiu que as conversas com o Grupo Daimler ainda estão em andamento, assim como as negociações com a Ford para a compra da sua unidade em Camaçari (BA). Consultadas, ambas as montadoras negam que estejam envolvidas em um eventual negócio com a Great Wall.


    A picape da Série P é outro modelo da Great Wall que já tem desenho registrado no Brasil

    Também será decidida nos próximos dois meses a estratégia comercial da empresa na região e se haverá condições de começar a vender veículos no País a partir da produção local ou de forma antecipada via importação, nesse caso com início previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2022.

    "Não está descartada a importação em um primeiro momento. O que está sendo feito é uma preparação do terreno para que, quando a China der o sinal verde para os investimentos locais, tudo esteja o mais pronto possível ou próximo disso", contou a fonte.

    Exemplo disso foi a inscrição da empresa na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). De acordo com os dados registrados na entidade, a Great Wall Motor Brasil LTDA foi constituída empresa apta a realizar atividades no mercado em 6 de julho, com capital social de R$ 6 milhões e sede instalada na Mooca, bairro da zona leste de São Paulo.

    A atividade principal registrada é o comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários novos, e integram o quadro societário Luiz Henrique dos Reis, na qualidade de procurador, e a Wey Europe Investment & Holding, uma das empresas subsidiárias à Great Wall, sediada na Holanda. Uma conta oficial na rede social Instagram, inclusive, já está ativa com o nome fazendo menção a uma operação brasileira.

    Afora o registro comercial em São Paulo, a empresa também registrou no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) o desenho do SUV médio Haval H6 e da picape média Série P, aqueles que seriam os prováveis primeiros veículos GW vendidos no País.

    O Haval H6 é fabricado em Tianjin, na China, desde 2011. A geração mais atual, a terceira, foi lançada em 2020 no Salão de Chengdu. Possui duas versões de motor: uma 1.5 turbo que gera 171 cavalos de potência e outra com motor 2.0 turbo de 227 cavalos. Já a picape Serie P tem motor 2.0 turbo a gasolina que gera 200 cavalos de potência. O câmbio, fornecido pela ZF, tem duas versões: uma manual de seis marchas e outra com caixa automática de oito marchas.

    EMPRESA JÁ ATUA NA AMÉRICA DO SUL



    Na América do Sul, a GW mantém atualmente produção em uma pequena linha de montagem no Equador e venda de veículos no Uruguai, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile – este último onde hoje faz seu maior volume regional, com 2,4 mil veículos vendidos e um faturamento de US$ 44 milhões em 2020.

    Durante um evento realizado na China em setembro de 2012, a Great Wall confirmou a Automotive Business que estudava formas de produzir seus carros no Brasil, pois na época a sobretaxação a veículos importados criada pelo Inovar-Auto praticamente inviabilizava qualquer operação por meio exclusivo de importações.

    No mês seguinte, a empresa montou estande no Salão do Automóvel de São Paulo, apresentou alguns de seus carros e confirmou a intenção de produzir no País, mas o projeto foi abandonado em função das exigências do Inovar-Auto, que vigorou até 2017.

    A fabricante vendeu mais de 1 milhão de veículos de quatro marcas em 2020: a generalista Great Wall, a Haval especializada em SUVs, a Wey (homenagem ao fundador Jack Wey) focada em SUVs mais luxuosos e a ORA, uma divisão exclusiva de carros elétricos. Atualmente são sete fábricas na China e cinco linhas de montagem no exterior, incluindo Equador, Rússia, Malásia, Bulgária e Tunísia.