Grupo VW anuncia novo plano estratégico global

Mathias Müller, CEO do Grupo VW, anuncia programa estratégico Together Estrategy 2025

Por REDAÇÃO AB
  • 17/06/2016 - 16:32
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Enquanto ainda enfrenta o maior escândalo de sua história, envolvendo uma fraude em veículos com motores a diesel que manipulam dados em testes de emissões, o Grupo Volkswagen anuncia um novo plano estratégico global como efeito direto do dieselgate. O planejamento denominado “Juntos – Estratégia 2025”, na tradução livre de Together Estrategy 2025, traz uma série de ações previstas para serem concretizadas em até 10 anos e prevê desde o lançamento de 30 novos veículos elétricos até novas metas financeiras focadas no crescimento rentável.

    O anúncio, feito na quinta-feira, 16, pelo CEO, Matthias Müller, em Wolfsburg, Alemanha, foi desenhado pelo conselho de gestão e aprovado pelo conselho de supervisão e compreende uma série de decisões de longo prazo. Também é uma resposta ao mercado mundial - e aos acionistas do grupo – frente ao problema de fraude, que abalou as estruturas mais sólidas da companhia, desde setembro de 2015, quando veio a público, desencadeando investigações tanto no âmbito governamental, principalmente na Europa e Estados Unidos, quanto internamente, iniciadas logo após a saída do então CEO e presidente do conselho do Grupo Volkswagen, Martin Winterkorn.

    “Vamos transformar nossa principal atividade no setor automobilístico ou, para dizer de outro modo, conduzir um realinhamento que é fundamental para se preparar para uma nova era da mobilidade”, afirmou Müller durante a apresentação do plano. “Ele será concretizado com as estratégias correspondentes para as marcas do grupo e serão gradualmente elaboradas ao longo dos próximos meses. A Volkswagen vai apresentar o programa estratégico detalhado, dividido por marcas e funções e apoiado com medidas específicas e metas financeiras antes do fim do ano”, acrescentou. “Daremos ênfase especial à mobilidade elétrica. O grupo prepara uma iniciativa muito ampla nessa área: nos próximos 10 anos, lançará mais de 30 tipos de veículos impulsionados exclusivamente por baterias elétricas”, reforçou o CEO.

    A VW, que até agora nunca se destacou no segmento de veículos elétricos, estima agora que em 2025 eles poderão representar até 25% de suas vendas mundiais de veículos leves, com uma meta de vendas anuais de 2 a 3 milhões de unidades.

    O plano atual também mostra claramente que o grupo abandonou o principal objetivo do programa anterior, de se tornar o líder de vendas mundiais até 2018, desbancando a Toyota do posto de maior fabricante. “A dimensão não é um objetivo em si mesmo”, disse Müller, diferenciando-se de seu antecessor Winterkorn.

    A companhia vai rever suas arquiteturas modulares com o mesmo objetivo de gerar crescimento rentável. Neste âmbito, deve reduzir a complexidade no desenvolvimento e produção, aumentar a eficiência e, assim, fazer melhor uso do sistema.

    Além disso, o portfólio atual de produtos do grupo de cerca de 340 diferentes variantes de modelos será sistematicamente orientado para o crescimento rentável, levando em consideração as necessidades regionais dos mercados.

    Já entre as novas metas financeiras, o grupo prevê uma melhora de sua rentabilidade com uma margem operacional estimada entre 7% e 8%, em comparação aos 6% realizados 2015, o que implicaria em ter € 8 bilhões anuais suplementares em benefícios ou cortes. Para atingir tal meta, o CEO mencionou projetos, tais como o compartilhamento das 26 fábricas de peças das doze marcas do grupo em um esforço de reestruturar a área de componentes.

    O grupo também continuará com o plano de agrupar suas diferentes marcas de ônibus e caminhões – que inclui MAN, Scania e Volkswagen (VWCO) - em uma só sigla, a Volkswagen Truck & Bus.

    A Estratégia 2025 da VW prevê ainda a criação de uma divisão focada nas necessidades de mobilidade no âmbito de serviços. Recentemente, a empresa anunciou investimento US$ 300 milhões na empresa Gett, rival do Uber na Europa. “O setor dos serviços de mobilidade representa um mercado de € 35 bilhões e queremos aproveitá-lo”, declarou Müller.