Inovação passa a ser urgência também no RH

Márcia Naves, superintendente da Isvor, relata a experiência no Grupo FCA para a inovação do conhecimento (Foto: Luis Prado)

Por SUELI REIS, AB
  • 16/05/2016 - 19:06
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Inovação é a palavra de ordem no cenário mundial em diferentes aspectos, tanto no que diz respeito a produto quanto em toda a sua cadeia e ciclo de vida, mas o conceito também é um dos principais mecanismos para a evolução de uma empresa enquanto organização de pessoas, resume Márcia Lúcia Andrade dos Anjos Naves, superintendente da universidade corporativa Isvor, em sua palestra durante o IV Fórum de RH na Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 16.

    “Inovação deixou de ser uma ‘palavrinha da moda’ e passou a ser urgência na busca pelo resultado do negócio”, afirma. “Economicamente, sabemos que o mundo vive em ondas, mas por trás dela há uma muito maior e que diz respeito a mudanças de conceitos, analogias e metáforas. A pergunta a se fazer é: ‘Como empresa, estamos preparados para tais mudanças?’ Acredito que o setor automotivo já está vivendo isso”, analisa. “Antes, o futuro chegava a cavalo: hoje vem por wireless”, ilustra ao falar sobre a velocidade das transformações globais na sociedade.

    E traz o exemplo do Grupo FCA Fiat Chrysler Automobiles, que tem a Isvor como uma das divisões de negócio e cujo objetivo é acelerar o processo de desenvolvimento de competências para atender os desafios dentro da empresa. No Brasil, em sua sede localizada em Betim (MG), próxima à fábrica da Fiat, a unidade já funciona há 20 anos e tem atualmente cerca de 376 profissionais que utilizam diferentes metodologias para desenvolver seu público alvo: funcionários da Fiat e CNH Industrial, mas também os interessados de outras companhias.

    “Parte do faturamento da Isvor (9%) vem de empresas fora do Grupo FCA. Acredito ser importante ‘sair do quadrado’. Se ficar só lá dentro [do grupo] a gente morre. É bom para não se contaminar e ser capaz de expandir”, defende.

    A executiva frisa que práticas que visam o conhecimento devem capacitar a organização para dialogar com o futuro: “A maior arma para a sobrevivência das organizações nesta época de competitividade e inovação é a sua capacidade de aprendizagem e, sobretudo, de criar novos conhecimentos.” Neste contexto, ela aponta que o setor de RH deve ser o protagonista deste processo “porque inovação é um processo colaborativo”, reforça.

    Na Isvor, o método se baseia no ciclo imaginar, observar, entender, propor, testar e realizar, em um âmbito de experiências e situações que podem ou não ser reais. Outra iniciativa é o programa Da Vinci, inspirado no personagem histórico multifacetado e que consiste em uma série de produtos, serviços e experiências orientados pelo design thinking, com a finalidade de promover uma cultura de inovação nas empresas.

    “Quem é este sujeito que inova?” Para responder essa questão, Márcia conta que na Isvor foram elencadas sete competências (drivers) dentro do programa Da Vinci.

    “[1] É a pessoa que tem inteligência qualitativa, o poder de julgamento e sabe reconhecer padrões de comportamento, além de saber observar, ouvir e absorver o que precisa das coisas comuns. [2] Ter pensamento integrativo ‘não é mais isto ou aquilo, mas isto e aquilo’. [3] Tem visão sistêmica – conhece toda a cadeia (de relações não-causais em um problema dado), tem visão de longo prazo e entendimento de como o todo é afetado pelas interações das partes. [4] Traz o pensamento abdutivo, que é a capacidade de imaginar cenários futuros e gerar hipóteses; [5] tem a capacidade de identificar e elaborar problemas, além da [6] capacidade de realizar – nada funciona se este não for a pessoa da execução. Mesmo se errar, mas erre rápido. Por fim, [7] sabe reconhecer o momento oportuno e agir prontamente.”