Inovar-Auto dita tendência de novos empreendimentos

Empresas ajustam estratégias para concorrer no mercado brasileiro

Por SUELI REIS, AB
  • 11/11/2013 - 18:12
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 2 minutos de leitura
    É fato que o Inovar-Auto é um divisor de águas da indústria automotiva: prioriza o conteúdo nacional, exige o cumprimento de etapas produtivas, preza por produtos inovadores e mais eficientes, entre outras tantas condições. Contudo, o papel mais evidente do novo regime automotivo tem sido o leque de oportunidades que abriu para a entrada de novos empreendimentos no País, trazendo investimentos de peso e significativos, agregando valor à cadeia. Essa é a visão comum dos representantes das principais empresas que estão chegando ou ampliando suas atividades neste novo cenário da indústria nacional: BMW, Chery, DAF, JAC, Mercedes-Benz e Mitsubishi durante o Workshop Operações Automotivas 2013, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 11.

    “Nossos estudos para o projeto de fábrica no Brasil começaram em 2010. Tivemos que voltar atrás com relação ao anúncio, mas depois do Inovar-Auto, reativamos o projeto – que estava adiantado com relação aos quesitos que precisava atender. Ficou muito mais robusto, rico em processos de produção, ficou mais bonito”, relata a diretora de assuntos governamentais da BMW do Brasil, Gleide Souza.

    “O Inovar-Auto foi 20% da decisão de vir para o Brasil. Ela (decisão) foi muito mais estratégica do que legislativa, porque a Paccar tem uma presença muito forte em todo o mundo. São 45% de share nos Estados Unidos, é líder de mercado no México, tem 16% de participação na Europa com a marca DAF e está crescendo na Rússia e na China. O Brasil é do mundo o País com o maior potencial de crescimento no mercado de caminhões, que tem uma representação em volume tão importante quanto Europa ou Estados Unidos, considerando a situação financeira atual dessas duas regiões. O Inovar-Auto foi importante para decidir pela localização e entrar com os 60% de componentes nacionais, essencial para o Finame. Sem Finame, você está fora do mercado (de caminhões)”, argumentou o diretor executivo de operações da DAF Caminhões, Luiz Antônio Penteado de Luca.

    “A vinda da Chery para o Brasil abriu oportunidade de criar novos negócios: empresas fornecedoras da montadora na China já consideram ingressar no mercado via joint ventures, que se mostra um processo atrativo e mais rápido para se tornar novas entrantes na cadeia de fornecimento”, considera Luis Curi, vice-presidente da Chery no Brasil.

    “O projeto do carro está congelado, praticamente pronto, estamos com a maior parte dos fornecedores já decididos, apenas fazendo acertos finais, incluindo fornecedores de equipamentos. Ainda assim todo o projeto de desenvolvimento ainda é feito na China. Já temos testes de motores flex em andamento na China com orientações da equipe de engenheiros daqui. Inicialmente vamos importar nosso motor, mas haverá 60% de integração de seus componentes”, diz o vice-presidente da JAC Motors, Tarcísio Telles.

    “O novo regime automotivo acelerou nossos planos de expansão. Hoje, com nosso grupo especializado na área de suprimentos e engenharia para nacionalização de produtos, estamos dentro das metas e prazos instituídos pela empresa e pela legislação. Há uma atuação intensa entre as engenharias do Brasil e do Japão, além do processo de validação, com supervisão e aval da matriz japonesa”, conta o diretor de engenharia e planejamento da Mitsubishi do Brasil, Reinaldo Muratori.

    “Tivemos que repensar, refazer, realinhar todo o planejamento de voltar a produzir automóveis no Brasil com o Inovar-Auto. Para participar do mercado, tem que estar no programa, não há outro jeito, outra alternativa”, conclui o diretor de assuntos governamentais da Mercecez-Benz do Brasil, Luiz Carlos de Moraes.