Inovar-Auto sozinho não será suficiente

Paulo Cardamone (IHS Automotive), Stephan Keese (Roland Berger) e David Wong (AT Kearney). Foto: Ruy Hizatugu

Por FERNANDO NEVES, PARA AB
  • 28/04/2014 - 18:54
  • | Atualizado há 2 months
  • um minuto de leitura
    A indústria automobilística brasileira precisa se preparar para enfrentar a competição mundial e o Inovar-Auto não é suficiente. O alerta é de David Wong, diretor da AT Kearney, durante o V Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 28, no Golden Hall do WTC, em São Paulo. Wong, Paulo Cardamone, managing director da IHS Automotive; e Stephan Keese, diretor da Roland Berger, compuseram o painel “Opinião dos Consultores: a Caminho do Inovar Auto 2”.

    O diretor da AT Kearney diz que o programa sozinho não é suficiente para desenvolver a indústria e que não há política industrial, fiscal, econômica, energética e de formação de mão de obra. “Falta política industrial e o ambiente atual no Brasil não é favorável aos negócios. Hoje o jogo é outro, não é mais para quem produz 2 milhões de veículos ao ano. O Brasil precisa estar preparado para enfrentar a concorrência no patamar de 5 milhões a 6 milhões de veículos”, afirma.

    Para o consultor, o setor e o governo não devem perder a meta de tornar as linhas de produção brasileiras capazes de exportar.

    Cardamone observa que no Inovar-Auto só há certeza da data para elevação da eficiência energética dos veículos: 2017. “Não fez, pagará multa”, recorda, esclarecendo que essa medida não irá tornar o veículo brasileiro competitivo porque ainda existem as questões relativas ao custo Brasil, como carga tributária, preço de matéria-prima e mão de obra.

    Keese critica o regime automotivo porque foi desenvolvido isolando o mercado brasileiro sem inseri-lo no contexto mundial. “Com o Inovar-Auto o governo tratou o Brasil como uma ilha em um mundo global”, pondera. Para Keese, a atual capacidade instalada da indústria é insuficiente para criar uma cadeia de valor que possa fazer o setor viver de modo independente do mercado mundial. Além do mais, destaca o fato de que o mercado doméstico em 2014 está em ritmo mais lento.

    O diretor da Roland Berger explica, porém, que uma provável queda no consumo interno de veículos não é motivo para pânico. No entanto, ele adverte que a indústria nacional não é pizza que se pode comer só uma parte. “É preciso utilizá-la plenamente para ser sustentável e uma das saídas é aumentar o nível de exportação.”

    Assista às entrevistas exclusivas da Automotive Business durante o V Fórum da Indústria Automobilística aqui .