Investimentos da VWCO passam de R$ 5,5 bi em 25 anos; chegarão a R$ 7,5 bi em 30

Nova linha de caminhões extrapesados VW apresentada em 2020: investimento de R$ 1 bilhão

Por PEDRO KUTNEY, AB
  • 13/04/2021 - 16:10
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) se retroalimenta de seu próprio sucesso. O avanço exponencial das vendas registrado ao longo de 40 anos de história, principalmente nas duas primeiras décadas deste século, gerou recursos próprios para programas de investimentos bilionários que asseguram o crescimento futuro, por meio de ampliações e modernizações constantes da fábrica de Resende (RJ) e expansão acelerada do portfólio de produtos, que hoje conta com mais de 280 configurações possíveis.



    Este texto faz parte da série especial de reportagens sobre os 40 anos da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO)
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    A hiperinflação dos anos 1980 até o início dos 1990 e as várias trocas de moedas tornaram difícil calcular quanto capital a empresa investiu para abrir o negócio de caminhões no Brasil e lançar os primeiros produtos. Mas é possível estimar que os valores aplicados foram pequenos diante dos aportes bilionários realizados a partir da inauguração da fábrica de Resende, em 1996, quando a VWCO ganhou estatura como fabricante e marca.

    Nos últimos 25 anos, foram anunciados seis programas seguidos de investimentos bilionários, que juntos somam R$ 7,5 bilhões e cobrem o período de 30 anos, considerando os aportes realizados e planejados entre 1995 e 2025.

    “Nosso objetivo é gerar resultados para continuar a investir com recursos próprios. É assim que sustentamos uma participação de mercado, criamos uma linha completa de caminhões e uma fábrica moderna. Continuamos com planos audaciosos de investimentos e boas perspectivas para o futuro”, resume Roberto Cortes, presidente da VWCO.



    Patrocínio


    DO PRIMEIRO BILHÃO AOS R$ 5,5 BILHÕES



    O primeiro montante R$ 1 bilhão investido pela VWCO entre 1995 e 2001 não teve o anúncio formal de um programa, os recursos começaram a ser gastos com a decisão de construir a fábrica em Resende, deixando a linha de produção compartilhada com a Ford no Ipiranga, em São Paulo, no período da sociedade na Autolatina. Roberto Cortes, então diretor financeiro da empresa, lembra que desenhou a arquitetura financeira para construir uma nova planta “com pequena exposição e baixo custo”, envolvendo a participação de recursos dos fornecedores para colocar em funcionamento o Consórcio Modular.


    A linha de produção da fábrica de Resende no fim dos anos 1990: primeiro grande ciclo de investimentos

    Inaugurada a fábrica no fim de 1996, os esforços se direcionaram ao lançamento de uma nova e ampliada gama de produtos, para enfim conquistar participação de mercado sem limitações na produção. Diversas versões de veículos começaram a ser introduzidas e na virada do século foi lançada a Série 2000, alvo de boa parte do primeiro programa de investimento bilionário da VWCO. Reforçando sua estratégia de oferecer produtos personalizados, foram lançados 15 modelos de caminhões de 4 a 40 toneladas de PBT (três leves, oito médios e quatro pesados), com motores mais potentes e aumento de capacidade de carga.

    Em 2002 foi anunciado o segundo programa de R$ 1 bilhão, que em 2005 culminou com a primeira ampliação da fábrica de Resende, que expandiu em 22% sua área construída para 110 mil metros quadrados e aumentou a capacidade de produção de 30 mil para 50 mil veículos/ano. No mesmo ano foram lançadas as duas famílias de caminhões que garantiriam o crescimento contínuo da empresa nos próximos anos: os modelos leves Delivery e os semipesados e pesados Constellation.

    Mais R$ 1 bilhão foi anunciado em 2007. Os recursos foram aplicados entre 2008 e 2011 em nova expansão de capacidade em Resende para 100 mil veículos/ano, bem como no desenvolvimento de novos motores Euro 5 para atender a legislação brasileira de redução de emissões de poluentes.


    A apresentação da nova geração do VW Delivery: principal destino do ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão de 2012 a 2017

    Outro programa de R$ 1 bilhão foi anunciado em 2011 e começou a ser aplicado a partir de 2012. O maior destino dos recursos foi para o Projeto Phevos, de desenvolvimento da nova geração de caminhões Delivery, lançada em 2017 com novas cabines e motorizações em uma gama de sete modelos de 3,5 a 13 toneladas de PBT, com um comercial leve, um semileve, dois leves e três médios. Para a mesma linha de produtos, também foi desenvolvido um protótipo elétrico, o e-Delivery, a ser produzido comercialmente a partir de 2021.

    A fábrica de Resende também seguiu sendo modernizada e em 2017 ganhou seu campo de provas no interior do complexo para acelerar o desenvolvimento de veículos.


    Campo de provas de Resende: investimento para acelerar desenvolvimento de novos veículos

    Em 2016 a VWCO subiu sua aposta e anunciou o maior programa de investimentos de sua história até então, de R$ 1,5 bilhão. Dois terços dos recursos foram direcionados para a nova linha de caminhões extrapesados Meteor, lançada em outubro de 2020. A fábrica de Resende consumiu R$ 500 milhões em modernizações e ampliações para produzir os veículos, com instalação de linhas de produção digital da Indústria 4.0. Outros R$ 500 milhões foram para o desenvolvimento dos novos cavalos mecânicos, incluindo os trabalhos de engenharia e nacionalização de componentes.

    MAIS R$ 2 BILHÕES




    Fábrica de Resende recebeu R$ 500 milhões em investimentos até 2020 para automatizar processos e produzir nova família de caminhões extrapesados

    O que tinha sido o maior ciclo de investimentos da história da VWCO perdeu esse título logo no programa seguinte, de R$ 2 bilhões, anunciado já no fim de 2020 para cobrir o período 2021-2025. Segundo o presidente Roberto Cortes, desta vez os recursos serão aplicados em várias frentes, a começar pelo projeto de eletrificação iniciado pelo e-Delivery, cuja versão de 14 toneladas começa a ser produzida comercialmente em 2021. Outros caminhões elétricos baseados no Delivery estão nos planos de lançamentos, assim como o ônibus híbrido Volksbus e-Flex.


    Roberto Cortes e o protótipo do Volksbus e-Flex híbrido plug-in: na mira de novos investimentos em eletrificação

    “Também vamos continuar investindo fortemente em conectividade e digitalização, com a oferta de novos serviços e facilidades da RIO, nossa provedora de soluções conectadas para gerenciamento de frotas”, afirma Cortes. Ele acrescenta que os investimentos também contemplam o aumento da eficiência energética e modernizações dos produtos atuais, o que inclui a adaptação para a próxima fase da legislação brasileira de emissões de poluentes Proconve P8, que vai exigir a adoção de motores diesel Euro 6.

    Por fim, também está planejado o aporte de recursos para acelerar o programa de internacionalização da VWCO, que prevê o aumento de exportações e possíveis parcerias para instalar linhas de montagem no exterior.

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