MAN aumentará preço de veículos pesados em 5%

Medida vale a partir de 1º de janeiro para toda linha de caminhões e ônibus

Por SUELI REIS, AB
  • 07/11/2014 - 18:52
  • | Atualizado há 2 months
  • 3 minutos de leitura
    A MAN Latin America aumentará em 5% o preço de toda a sua linha de veículos pesados Volkswagen e MAN a partir de 1º de janeiro de 2015. A medida anunciada por Ricardo Alouche vice-presidente de vendas, marketing, e pós-vendas, em entrevista à Automotive Business, se apresenta como uma forma de manter a saúde dos negócios em resposta à conjuntura econômica mais fraca ao mesmo tempo em que a indústria enfrenta um cenário de aumento de custos ao longo deste ano.

    “É um passo audacioso, sabemos que 5% é um aumento agressivo, mas qualquer que fosse este aumento, seja de 0,5% ou 1%, já seria difícil. Como líder de mercado, estamos enfrentando os riscos, mas esta é uma necessidade não só da MAN, mas de todo o setor”, justifica Alouche.

    Desde que lançou sua gama renovada, com a entrada dos novos modelos Euro 5, em janeiro de 2012, a MAN Latin America, assim como as outras marcas do segmento, mantiveram estratégias de negócio a fim de não prejudicar o volume de vendas, uma vez que esses veículos ficaram em média de 10% a 20% mais caros do que seus equivalentes Euro 3, resultando em uma briga acirrada de mercado e uma guerra de preços. “Em um cenário em que o custo do Euro 5 não foi repassado integralmente para o cliente final e de baixa do mercado neste ano nos coloca em uma posição que não conseguimos mais sustentar tal situação”, afirma, acrescentando que o retorno do valor aplicado a mais no preço dos veículos novos não corresponde à metade dos custos para a implantação da nova tecnologia Euro 5.

    O executivo relembra que neste ano, a trajetória de venda não foi das melhores: 2014 começou com atraso na regulamentação da taxa de juros para financiamentos via Finame PSI. Com o anúncio no fim de janeiro, os negócios só retomaram em fevereiro, fazendo do mês anterior um período sem vendas para o segmento, sensivelmente dependente da linha de financiamento do BNDES. “Depois disso, tivemos o carnaval tardio, em março, e só depois dele, que o ritmo do mercado voltou a normalizar.” Alouche conta ainda que a Copa do Mundo também postergou a compra de grande parte dos clientes para o segundo semestre, mas que o desempenho até outubro mostra que está de 20% a 22% abaixo do resultado de igual período de 2013.

    Outro ponto destacado por Alouche é o aumento de custo de produção e matéria-prima. Segundo ele, considerando o acumulado de janeiro a outubro, o preço do aço subiu em média, 8% na comparação com mesmo período de 2013, enquanto outros insumos como pneu/borracha aumentaram 6%. “Soma-se a isso a desvalorização do real frente a outras moedas fortes, como euro e dólar, que fez subir 15% em média o custo das autopeças importadas, além da valorização da mão de obra da cadeia produtiva, cujos salários subiram em média 8%.”

    EFEITO DE ANTECIPAÇÃO

    Com a decisão tomada, Alouche acredita que o aumento de preço pode causar o que costuma-se chamar de corrida às concessionárias ou compras antecipadas por clientes que já manifestaram interesse em adquirir veículos comerciais pesados. A tendência de antecipação das compras também pode se confirmar a partir de um fator adicional: a taxa atual de 6% ao ano para financiamentos pelo Finame PSI vigora até o fim deste mês, prazo máximo para que os papeis sejam homologados dentro desta taxa, conforme o processo simplificado da linha de financiamento do BNDES.

    Contudo, segundo Alouche, mesmo essa antecipação de compras pode ter seu efeito afetado caso o governo demore em anunciar as definições sobre a taxa de juros do programa e suas condições para os financiamentos em 2015. Por meio da Anfavea, as montadoras têm alertado o governo sobre os riscos e efeitos do atraso da regulamentação do PSI, como aconteceu no início deste ano.

    “Acreditamos que essa tendência de melhora se estenda para o primeiro trimestre do ano que vem, com a expectativa de que poderá ser melhor que o mesmo período de 2014. Mas tudo vai depender das condições sobre as quais o mercado vai trabalhar com a linha de financiamento, principalmente no que diz respeito à taxa de juros. Esse anúncio é fundamental, porque dá estabilidade ao comprador para fazer seu planejamento. Em suma, o que vai variar esse desempenho do fim do ano, do primeiro trimestre e até mesmo do primeiro semestre de 2015 é essa definição do PSI, que esperamos, seja feita ainda este mês.”

    Com base em sua análise sobre as últimas mensagens do governo reeleito, que sinalizam a vontade de retomar as rédeas da economia, Alouche revela que mantém uma perspectiva positiva para o próximo ano, alinhado à da Anfavea, que segundo ele, projeta crescimento de 3% a 5% das vendas de veículos comerciais pesados sobre 2014. Até o fim deste ano a Anfavea estima a venda de 130 mil a 135 mil unidades.

    “A nossa expectativa é de que sejam mantidas as condições atuais do Finame PSI, com um leve aumento da taxa”, conclui.