MAN avança com projeto Phevos de leves

linha de montagem da MAN em Resende (RJ), em busca de mais espaço para ampliações.

Por Paulo Ricardo Braga e Pedro Kutney, Automotive Business
  • 17/04/2012 - 13:30
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Foto: linha de montagem da MAN em Resende (RJ), em busca de mais espaço para ampliações.

    Paulo Ricardo Braga e Pedro Kutney, AB

    Phevos é o nome do deus grego mais conhecido como Apolo, que simboliza beleza, perfeição e harmonia. Foi mascote dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Na MAN, Phevos é o nome-código de um projeto em desenvolvimento na Alemanha, do qual nascerá uma nova família de caminhões semileves e leves com peso bruto total (PBT) de 3,5 a 9 toneladas, que serão produzidos no Brasil. O programa ainda é mantido sob reserva, mas Roberto Cortes, CEO da MAN Latin America, já admitiu que ele está em gestação e não deu detalhes, explicando apenas que cerca de 200 brasileiros estão trabalhando atualmente na Alemanha em um projeto novo – seria o primeiro desenvolvido em conjunto com a matriz desde que a empresa alemã assumiu o controle da Volkswagen Caminhões e Ônibus.

    O projeto novo é justamente o Phevos, que no ano passado já levou para a matriz da MAN o diretor de engenharia Paulo Alleo. Os novos caminhões semileves (PBT de 3,5 t a 6 t) e leves (PBT de 6 t a 10 t) integrarão uma família concebida com plataforma global, que terá a fábrica da MAN Latin America, em Resende (RJ), como uma das bases de produção. O alvo não será apenas o mercado doméstico: as exportações também estão nos planos.

    Esta semana, os principais candidatos a serem fornecedores da MAN no novo projeto estarão reunidos na Alemanha para conhecer os planos. E na próxima semana já poderão ser feitos os anúncios dos eleitos a fornecer os sistemas do Phevos. Os atuais integrantes do consórcio modular de Resende, que além de fornecer componentes também executam a montagem dos veículos, são os principais candidatos: Maxion (chassis), Meritor (eixos e suspensões), Remon (rodas e pneus), Powertrain Cummins-MWM-ZF (motores e transmissões), Aethra (armação da cabine), Carese (Pintura) e Continental (acabamento interno).

    NOVA FÁBRICA OU PUXADÃO?

    As implicações do projeto Phevos serão grandes em Resende, onde a MAN LA coordena o consórcio modular que fabrica os veículos das marcas Volkswagen e MAN. Como a planta tem limitações para atender os picos de demanda, a solução anunciada para ganhar espaço nas linhas de montagem foi a estruturação de um parque de fornecedores vizinho à fábrica, no qual os parceiros do consórcio terão unidades próprias, evitando as operações de pré-montagem feitas atualmente dentro da MAN. Meritor e Suspensys já deram a partida à construção de suas instalações (leia aqui) e em breve terão a companhia da Maxion.

    Com o início de produção dos caminhões extrapesados da marca MAN (leia aqui), o aperto na linha de montagem em Resende continua a crescer. E com a chegada dos veículos do projeto Phevos não é possível imaginar que faltará espaço na fábrica atual para atender à produção. Roberto Cortes já disse que há muito espaço disponível para ampliação das instalações atuais. Há dúvida sobre a construção de uma planta totalmente nova, ao lado da atual, ou a expansão com um “puxadinho” – no caso, um puxadão.

    O atual plano de investimento da MAN LA, de R$ 1 bilhão no período 2012-2016, projeta a elevação da capacidade de Resende das atuais 82 mil unidades/ano para 100 mil. Contudo, Cortes quer chegar a esse nível já em 2014, para atender à forte demanda prevista no Brasil e outros países sul-americanos, por isso deve gastar os recursos antes do fim do programa. Também será preciso fazer frente à concorrência para sustentar a liderança de mercado, especialmente contra a Mercedes-Benz, que com a fábrica de Juiz de Fora (MG) operacional, eleva também em 2014 sua capacidade no País para perto de 130 mil caminhões/ano.

    Em reportagem assinada por Cleide Silva no jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira, 17, Cortes diz que negocia uma nova fábrica com outros Estados, mas tem intenção de ficar no Rio de Janeiro e ampliar “no mínimo em 50%” a capacidade das instalações atuais. Em nota a Automotive Business, ele confirma as tratativas com o governo fluminense para aplicar no Estado todo o investimento de R$ 1 bilhão - algo que já havia sido anunciado no ano passado, quando o aporte foi divulgado. Ainda segundo a nota, Cortes diz que está otimista com o andamento das negociações, que devem ser concluídas o mais breve possível. Mais informações serão dadas nos próximos dias, disse.

    Em setembro passado, Cortes descartava uma nova fábrica, afirmando que havia “muitas oportunidades para expandir as instalações atuais”. Em outubro, dias após o anúncio do investimento de R$ 1 bilhão, revelou à Automotive Business que, “nesse ritmo (de crescimento), vamos precisar de infraestrutura adicional”.

    Para crescer mais 50% e chegar a 150 mil unidades/ano em Resende, será necessário ir além do programa atual de investimento e expandir bastante o espaço atual, especialmente com a instalação de uma nova unidade de pintura, um dos principais gargalos de qualquer linha de manufatura.