Mercado de luxo exige revendas diferenciadas

Arquitetos responsáveis pela rede Audi no Brasil foram treinados na Alemanha

Por REDAÇÃO AB
  • 28/03/2013 - 17:02
  • | Atualizado há 2 months
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    O interesse cada vez maior das marcas de veículos de luxo no Brasil movimenta um nicho de mercado que deve estar totalmente alinhado com o público consumidor de carros premium: projetos arquitetônicos das concessionárias. Marcas como Audi, Jaguar, Land Rover, Porsche, Mercedes-Benz, BMW e Lexus têm procurado realizar projetos arquitetônicos mais ambiciosos e que tragam conforto para seus clientes. A avaliação é de Luciano Imperatori, arquiteto e sócio da Hochheimer Imperatori Arquitetura, que já realizou mais de 270 projetos para o setor em todo o País.

    De acordo com Imperatori, um projeto arquitetônico de concessionária para uma marca premium custa em torno de R$ 180 mil. O valor pode oscilar, dependendo do projeto. Os custos de obras para um projeto de uma loja de grife chegam a ser entre 20% e 25% maiores se comparados com uma revenda convencional. A média inicial para lojas de luxo é de R$ 2.700 por metro quadrado podendo chegar a R$ 4.000 o metro quadrado.

    “Uma obra do segmento premium com áreas mínimas, hoje, não sai por menos que R$ 5 milhões, sem contar o investimento em terreno, equipamentos, mobiliário. O nível de detalhamento e elaboração do projeto é muito mais complexo, principalmente, por serem soluções personalizadas. Um dado interessante é que as marcas têm buscado padrões para a arquitetura de suas lojas para aplicação em todo o mundo. Este processo demanda mais horas para compatibilizações e comunicação com as matrizes que, cada vez mais, controlam os processos e aprovações para garantir o resultado desejado”, destaca.

    Um dos principais projetos atuais que a empresa coordena é da Audi, pela qual foi homologada para realizar a implantação e adaptação do padrão internacional, respeitando todos os detalhes do projeto original da matriz alemã.

    “Hoje, somos responsáveis por 97% dos projetos da Audi em todo o País. Só desta marca, estamos com dez projetos em andamento: Porto Alegre; Vitória; Juiz de Fora; Aracaju; São Paulo (capital e interior); Fortaleza, além de uma loja Porsche de grande porte em São Paulo”, evidencia Imperatori. Os arquitetos sócios receberam treinamento na Alemanha para entender a linguagem arquitetônica da matriz para depois encontrar a maneira de implantá-la em solo brasileiro.

    Imperatori aponta que algumas características são requisitos fundamentais para uma concessionária premium: ter espaço que ofereça comodidade, tranquilidade, limpeza, boa iluminação e que traga em seu conceito a sustentabilidade.

    “Além de todos estes requisitos, é preciso compor o ambiente com elementos sofisticados: as compras neste segmento são motivadas por impulsos e desejos, ou seja, por questões emocionais e não por necessidade”, explica o arquiteto. De acordo com ele, a sofisticação é necessária a fim de que o espaço esteja em consonância com os produtos expostos. “Dessa forma, o ambiente contribui para que o cliente reconheça o valor agregado ao produto. É muito difícil o cliente pagar um preço alto por qualquer produto num outlet ou loja convencional, já num shopping luxuoso, não hesita em fazer a compra”, complementa.

    Assim como nos hotéis de luxo, há várias concessionárias que oferecem serviços de primeira. Um dos cases é a marca Lexus. A Hiarq realizou uma proposta durante uma concorrência para elaboração do padrão de lojas desta marca. Na ocasião foi sugerido que oferecessem serviços de cinco estrelas, inclusive com a presença de um concierge (responsável pela recepção de pessoas).

    “Logo que o cliente chega à concessionária, seu carro é estacionado por um manobrista e em seguida, o concierge o atende e o direciona para um lounge onde é possível visualizar os modelos de carros em exposição. Quando este demonstra interesse por algum modelo, um atendente de relacionamento é acionado para atender todas as suas necessidades”, ressalta.