Mercedes-Benz: ‘‘2016 é um ano para esquecer’’

Roberto Leoncini avalia o cenário do mercado de ônibus no Brasil durante a Fetransrio 2016

Por SUELI REIS, AB ǀ Do Rio de Janeiro (RJ)
  • 23/11/2016 - 22:44
  • | Atualizado há 2 months
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    “Acredito que 2017 ainda será um ano difícil, mas melhor do que este. 2016 é um ano para esquecer”, desabafa o vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz, Roberto Leoncini, ao avaliar o cenário atual do mercado de ônibus no Brasil, que até outubro registrou vendas totais 32% menores do que há um ano, para pouco mais de 9,1 mil unidades, segundo os dados mais recentes da Anfavea.

    “Este ano deve fechar com 10,3 mil unidades [queda de 38% sobre 2015]. Temos a certeza no nosso planejamento que 2017 será melhor que este ano, mas não a mesma certeza quanto à intensidade de melhora que gostaríamos. ”, acrescenta o executivo, citando fatores como a mudança de gestão nas prefeituras que vai refletir diretamente na manutenção ou não das atuais tarifas de ônibus urbanos. “Vamos ter um momento bem difícil para o urbano no ano que vem. É um momento preocupante de decisão, porque já tem prefeituras sinalizando que não vão mudar a tarifa e isso reflete diretamente na decisão de compra do operador.”

    Segundo ele, há uma tendência de melhora do cenário geral a cada ano, sendo 2017 melhor que 2016 e 2018 melhor que 2017, mas que a filial brasileira tem demonstrado para matriz da Daimler Bus, na Alemanha, que o mercado nacional ainda demora voltar ao nível de 2013, quando o segmento fechou com a venda de 31 mil chassis, considerando a categoria acima de 8 toneladas.

    Embora o mercado esteja em decadência, a Mercedes-Benz conseguiu manter sua participação de forma equivalente, graças ao seu desempenho com superarticulado no segmento urbano, onde a montadora é líder isolada com mais de 70% de participação.

    Entre janeiro e outubro de 2015, a montadora deteve 52% de market share no mercado total de ônibus, época em que foram vendidas 15,7 mil unidades, enquanto que neste ano essa fatia subiu para 59,3%. O Brasil é o terceiro maior mercado de ônibus do mundo, mas é o primeiro para a Daimler Bus, representando 30% dos negócios globais da divisão, enquanto a América Latina responde por 40%.

    “O importante é estarmos preparados para quando o mercado voltar [a crescer], por isso estamos investindo em produtos, em fábrica, em pessoas, em tecnologia”, reforça Leoncini.

    No segmento de ônibus urbano, que até agora representa 66% das vendas totais do mercado, a Mercedes-Benz registrou fatia de 72,8% contra 70% de um ano antes, sempre considerando o acumulado entre janeiro e outubro. Já no rodoviário a fatia diminuiu de 51,8% para 51,4%, e no de fretamento, passou de 49,8% para 49,2%.

    Segundo o diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, 2017 deve haver sinais de retomada, embora com bases de comparação muito baixas. Segundo ele, deverão ser renovados algo em torno de 6 mil chassis urbanos nos próximos 3 anos: “Para o urbano deve ser um pouco melhor, estamos imaginando algo como entre 10 mil a 11,5 mil unidades em 2017 [total do mercado], porque não deverá ser só renovação, mas ampliação de frotas. Já no fretamento, deve ficar igual, embora tenha sido o que mais sofreu este ano por razões econômicas, com apenas 52 unidades até agora; enquanto o rodoviário, que este ano está com 411 unidades e pode parar nas 820 ou 830, deve alcançar as 1,2 mil ou 1,3 unidades em 2017, que é um crescimento expressivo.”