Mercedes-Benz mantém expectativa positiva para as vendas de caminhões

Líder do mercado de caminhões no Brasil, companhia aplica R$ 2,4 bilhões para manter a dianteira

Por PAULO RICARDO BRAGA, AB
  • 26/04/2021 - 10:55
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
  • 3 minutos de leitura

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    Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, tem expectativa bastante positiva em relação ao mercado de caminhões este ano, que pode somar 100 mil a 105 mil unidades, com um crescimento da ordem de 15% em relação a 2020. A montadora, líder do segmento, espera manter a posição valendo-se principalmente do bom desempenho do novo Actros e do Axor.



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    Em contrapartida a esse otimismo, Leoncini não esconde o receio de não conseguir entregar tudo o que o mercado deseja. Ele esclarece que a cadeia de produção está fragmentada, trazendo desafios significativos para manter a capacidade de montagem.

    “Temos a expectativa de que, no segundo semestre, os fornecedores consigam retomar sua capacidade de atendimento”, afirma o executivo, explicando que, por enquanto, é preciso examinar dia a dia os desafios logísticos para manter as linhas de montagem operando.



    Muitos problemas ainda afligem a montadora para alcançar uma trajetória de normalidade. O custo da matéria-prima, por exemplo, chega a assustar diz o executivo. O aço subiu 45% no começo do ano e já se considera a possibilidade de mais dois aumentos de 19% e 17%. “O caminhão é basicamente feito de aço”, pondera Leoncini.

    DESAFIO LOGÍSTICO



    As dificuldades logísticas agravadas pela pandemia obrigam a uma atuação sistemática na solução de problemas com fornecedores locais e estrangeiros. Há dificuldade no transporte de contêineres marítimos e na busca de aviões de carga. “É possível imaginar o alcance desses problemas quando temos que trabalhar em regime de just in sequence”, exemplifica Leoncini.

    Sua equipe procura equacionar a entrega de semicondutores e produtos eletrônicos tanto adquiridos pela Mercedes-Benz como por seus fornecedores. Mais recentemente entraram na lista de escassez também os pneus, produtos plásticos e borracha, cujo suprimento não se resolve no curto prazo. “Além disso, os problemas são globais e demandam uma logística sofisticada para que a falta de um determinado componente não paralise a produção”, arremata.

    “Os problemas são globais e demandam uma logística sofisticada para que a falta pontual de um determinado componente não paralise as linhas de montagem”, arremata.



    A Mercedes-Benz destaca a elaboração de um meticuloso protocolo para proteger a saúde de seus colaboradores, especialmente aqueles que atuam nas linhas de produção. Para manter a distância necessária entre os profissionais, foi aberto um terceiro turno de produção. Foi estruturado também um ambulatório de campanha para atender e testar bastante gente. “Já constatamos que temos baixo índice de contaminação. Quando ela ocorre, é fora da fábrica”, esclarece Leoncini.

    A cadeia de valor da Mercedes-Benz opera atualmente com níveis considerados bastante críticos de estoque de produtos acabados. A comercialização de caminhões pesados ocorre com encomendas realizadas com três a quatro meses de antecedência. As compras são planejadas, de acordo com as necessidades escalonadas dos frotistas. Já os veículos menores, leves e médios, são buscados no pátio das concessionárias.

    A Mercedes-Benz tem acompanhado os esforços da Anfavea, a entidade dos fabricantes de veículos, no que se refere a um programa de renovação de frota, tendo em vista que a idade média dos caminhões pesados chega a 19 anos. Apesar dessa iniciativa ser retomada de tempos em tempos, há agora um argumento forte quando se depende tanto do custo do diesel – a troca dos veículos antigos por mais novos traria uma economia bastante importante no consumo de combustível.

    AMBIÇÃO DE MANTER A LIDERANÇA



    A operação brasileira tem participação expressiva nos negócios globais da Mercedes-Benz e tem se classificado nos três primeiros lugares do ranking da corporação de produção e vendas. A fábrica de São Bernardo do Campo tem em seu portfólio as encomendas originadas da América Latina, Oriente Médio e África. “O dólar nos pega nos custos, mas ajuda nas exportações”, afirma Leoncini.

    Pelo quinto ano consecutivo, a Mercedes-Benz liderou as vendas de caminhões no Brasil. Em 2020, foram licenciadas 26,7 mil unidades da marca, 4% a menos em relação às 27,9 mil unidades de 2019. Esse resultado garantiu à empresa 31,6% de participação.

    Com 2.924 unidades licenciadas em 2020, o Actros 2651 6x4 foi, pelo terceiro ano consecutivo, o caminhão Mercedes-Benz mais vendido no Brasil, considerando todo o portfólio da marca, dos leves aos extrapesados.

    Na busca para manter a liderança local do mercado de caminhões (e de ônibus), a Mercedes-Benz projeta um aumento de 15% na produção este ano e mantém um volume bastante significativo de investimentos na operação local. O total dos aportes soma R$ 2,4 bilhões no período de 2018 a 2022. O novo extrapesado Actros recebeu R$ 1,4 bilhão para o projeto brasileiro, enquanto R$ 100 milhões foram aplicados em uma linha de montagem 4.0 para caminhões em São Bernardo do Campo (SP) e outros R$ 100 milhões foram destinados à nova linha de chassis de ônibus 4.0. “Não podemos parar se quisermos ser líderes”, pondera Leoncini, explicando que em breve haverá novidades na área de produto e tecnologia.

    A partir de 2021, a empresa dará continuidade à modernização das linhas de agregados (câmbio, motor e eixos) em São Bernardo do Campo, também seguindo os conceitos da Indústria 4.0, além do desenvolvimento de novos produtos e serviços de conectividade até 2022.

    A Mercedes-Benz do Brasil e a Bosch estão investindo R$ 70 milhões em conjunto (50% cada empresa) na construção do Centro de Testes Veiculares em Iracemápolis (SP), que irá atender diferentes empresas do setor automotivo.