Motos: freio ABS pode tornar-se obrigatório

Projeto de Lei quer transformar sistema antitravamento em equipamento de série

Por MARIO CURCIO, AB
  • 30/09/2013 - 13:37
  • | Atualizado há 2 months, 1 week
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    Reportagem atualizada às 17 horas.

    Um Projeto de Lei apresentado pelo deputado federal Adrian Mussi Ramos (PMDB/RJ) reivindica a obrigatoriedade do sistema de freios antitravamento (ABS) para motocicletas zero-quilômetro. O deputado usa como justificativa o crescimento da frota de motocicletas e consequente aumento em mais de 260% do número de mortes em acidentes com esse tipo de veículo nos últimos dez anos.

    Ainda não se sabe quando o projeto será votado. Isso pode ocorrer ainda em 2013 ou somente em cinco anos. Apesar do benefício à segurança que traria, a obrigatoriedade do ABS esbarra no fator custo. O sistema disponível para motos depende da instalação de ao menos um disco de freio, item indisponível em vários modelos de baixa cilindrada pelo aumento de preço que implica.

    A soma do ABS ao freio dianteiro a disco pode passar de R$ 1,7 mil, equivalentes a 39,5% do preço da Pop 100, a moto mais acessível da Honda, tabelada em R$ 4,3 mil. A obrigatoriedade pode inviabilizar a venda dos ciclomotores (com cilindrada até 50 centímetros cúbicos), cujo preço gira em torno de R$ 3,5 mil.

    A Bosch pode produzir sistemas antitravamento para motocicletas em sua unidade em Campinas (SP), mas para isso seriam necessários R$ 20 milhões de investimento, o que pode ocorrer se houver demanda. A partir de 2016, a Europa adotará o ABS como item de série para motocicletas com cilindrada acima de 125 cc.

    Os modelos abaixo dessa cilindrada serão equipados com CBS, sigla em inglês para sistema combinado de freios. Ele não impede o travamento, mas propicia a frenagem conjunta das rodas dianteira e traseira, facilitando a pilotagem e reduzindo a possibilidade de erros do condutor (em motos convencionais, o freio dianteiro e o traseiro são acionados separadamente).

    ESTATÍSTICAS COMPROVAM BENEFÍCIO

    Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que o ABS pode reduzir em 31% os acidentes fatais em motocicletas e em 20% as colisões sem morte. Na Espanha, o equipamento conseguiu baixar em 20% os acidentes com motociclistas, na Itália em 12% e na Suécia, em 16%. De acordo com dados estatísticos levantados pelo deputado federal para apresentar seu Projeto de Lei 6273/13, o número de mortes decorrentes do uso de motos aumentou em 39% de 2001 em dez anos, passando de 30.524 em 2001 para 42.425 em 2011. O custo aproximado ao Sistema Unificado de Saúde (SUS) é de até R$ 200 mil ao ano por acidentado grave.

    Em entrevista a Automotive Business, o diretor da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves, afirmou que a associação vem discutindo sistemas de segurança para motocicletas relacionados ao freio e também prepara um material a ser levado ao deputado federal: "Costumamos argumentar com os autores de novos projetos verbalmente e por escrito", diz Gonçalves, recordando que o custo adicional do ABS teria impacto muito grande no preço de alguns modelos.